Uma Argentina rica com muitos pobres

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Por: Jonas | 10 Setembro 2014

Cristina Kirchner se desconectou da realidade, lançando planos de consumo para uma classe média que se sente afogada pelas dívidas e que prefere se refugiar na moeda estrangeira, ao invés de gastar seus pesos em bens de consumo, diante do temor de não poder pagar as cotas dos créditos”, escreve Miguel E. Canosa, em artigo publicado por Rebelión, 09-09-2014. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Depois de 11 anos de governo, resolvemos (antes tarde do que nunca ou já é muito tarde?) modificar a lei de Abastecimento vigente para, entre outras questões, conseguir fazer com que o Estado regule a atividade de produção, distribuição, abastecimento a preços razoáveis para um país que produz boa parte dos bens e serviços que consome, de maneira local.

No entanto, os aumentos de preços caracterizaram a política dos dois governos de Cristina Fernández, que segundo os especialistas do establishment neoliberal desenvolveu uma emissão monetária para além do estipulado pelo monetarismo, aumentou o “gasto público de maneira exorbitante, aumentou a importação de energia elétrica e de combustíveis, as importações em geral e diminuiu as exportações”.

Desta forma, não apenas se perdeu capacidade de poupança em moeda estrangeira, como também, além disso, as reservas diminuíram em razão do pagamento pontual de quase 200 bilhões de dólares, em 10 anos, com uma desvalorização do peso argentino em até 14 por dólar e uma inflação ao redor de 35-40% anual, em média, com aumento de preços de até 69-80% em alimentos e bebidas, impactando os setores de menor renda, que na Argentina constituem 50% dos trabalhadores registrados que ganham até 5.000 pesos por mês, com o acréscimo de 35% de trabalhadores não registrados, que se estima possuírem rendas inferiores a esta e abaixo da atual, ao redor de 3.600 pesos (aumentando em dois patamares: de 3.600 a 4.400 pesos, a partir deste mês, e de 4.716 pesos a partir de 1º de janeiro de 2015).

Esta situação real que provocou, pela primeira vez em alguns anos, o descenso da atividade econômica, queda de salário real, de vendas, início de suspensões e mal-estar anímico na população, está gerando condições de instabilidade e insegurança psicológica, produto da incerteza que é potencializada pelos meios de comunicação de massa. Estes também alardeiam a situação de insegurança física que se percebe em determinadas regiões do país, especialmente em Buenos Aires.

Com este panorama, espera-se um final de ano carregado de manobras de virada política baseadas em situações reais, ainda que ampliadas para desestabilizar e criar psicoses na população, que enxerga a partir dos meios de comunicação como a sua realidade piora a cada dia. Isto faz aumentar a pressão sobre os problemas já existentes, produzidos pelo próprio governo e agravado pelo setor privado, que parecem estar de acordo em ficar com os salários dos trabalhadores, tanto pelo pagamento de impostos distorcidos, IVA ou ganhos ao salário, ou pelos serviços públicos cada vez menos subsidiados pelo Estado. Junto a tudo isso, o selvagem aumento de preços deste último ano, que não foi devidamente freado pela equipe econômica, que parece ter perdido a bússola da política econômica, sucumbindo diante do poder econômico real dos bancos, das empresas e dos supermercados.

Cristina Kirchner se desconectou da realidade, lançando planos de consumo para uma classe média que se sente afogada pelas dívidas e que prefere se refugiar na moeda estrangeira, ao invés de gastar seus pesos em bens de consumo, diante do temor de não poder pagar as cotas dos créditos.

São esperados meses difíceis até as eleições do próximo ano, que determinará quem de todos os candidatos do capitalismo argentino vencerá as eleições para governar durante quatro anos a Argentina rica, ainda com muitos pobres.

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