Jesuíta africano pede a renúncia do presidente da Nigéria

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26 Mai 2014

Um líder da ordem religiosa dos jesuítas na África pediu a renúncia do presidente nigeriano Goodluck Jonathan devido ao fracasso contínuo de seu governo em localizar ou resgatar cerca de 300 adolescentes sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no jornal NCR, 21-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em uma carta aberta escrita no último sábado ao presidente, o líder jesuíta afirma que "as ações ou a falta delas por parte de Jonathan são inacreditáveis".

"Sr. Presidente (...), eu acredito que, como um leal cidadão da Nigéria, estou moralmente obrigado a pedir e a exigir a sua demissão", escreve o padre jesuíta Agbonkhianmeghe Orobator, superior provincial dos jesuítas da África Oriental, que abrange os países do Quênia, Uganda, Tanzânia, Sudão, Sudão do Sul e Etiópia.

"Em qualquer país decente e civilizado do mundo, a essas alturas, altos funcionários do governo estariam fazendo fila para pôr seu cargo à disposição por causa de suas negligências e incapacidade de proteger essas jovens", continua Orobator, natural da Nigéria.

"Em vez disso, você se senta confortavelmente em sua ociosa e fortificada residência, Aso Rock Villa, e pronuncia paliativos e obviedades, totalmente desprovidos de qualquer estratégia ou ideia de como acabar com a insurgência do Boko Haram".

O grupo terrorista raptou em 14 de abril cerca de 200 meninas adolescentes de uma escola secundária no nordeste da Nigéria, perto da fronteira com o Camarões. Jonathan falou publicamente sobre o incidente pela primeira vez em 4 de maio, alegando que o seu governo estava tentando encontrar as meninas.

O incidente gerou clamor ao redor do mundo, em parte para saber se o governo de Jonathan agiu de forma adequada para resgatar as meninas. Vários países, incluindo os EUA, enviaram especialistas para ajudar na busca das estudantes.

Em sua carta, Orobator usa um tom forte com Jonathan, citando a mensagem do Sínodo dos Bispos da África, em 2009, um encontro mundial de bispos católicos no Vaticano sobre o tema da África: "Muitos católicos que ocupam altos cargos infelizmente não souberam desempenhar corretamente o seu serviço. O Sínodo exorta-os a arrependerem-se ou a abandonar a praça pública, deixando de escandalizar o povo e de denegrir a imagem da Igreja."

"Eu entendo que você não é católico, mas você diz que professa a fé no Deus de Jesus Cristo", escreve Orobator ao presidente Jonathan.

"Você declarou publicamente que está 'focado em servir ao meu Criador, à minha família e ao meu país com o melhor de minha capacidade'", afirma Orobator. "Eu não o julgo pelo seu serviço ao seu Deus e à sua família, mas a sua falta de capacidade causou danos a essas jovens e inocentes nigerianas sequestradas".

"Você está dando um nome ruim à fé que você professa", conclui Orobator. "Sr. Presidente, eu fervorosamente imploro que você demita-se e dê lugar para outro líder que irá defender os direitos e as vidas dos cidadãos da Nigéria. Renuncie! Renuncie! Renuncie!"

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