Notícias censuradas, vigilância do cidadão: perspectiva histórica da vigilância massiva nos Estados Unidos e o papel do Facebook na rede da NSA

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Por: André | 19 Maio 2014

“Não há nada de novo na vigilância política”, escreveu Aryeh Neier no New York Review of Books após rastrear a espionagem política do governo federal dos Estados Unidos desde a criação da Agência Federal de Investigações (FBI), em 1908. Embora as revelações atuais sobre o alcance da espionagem de cidadãos da Agência Nacional de Segurança (NSA) difiram dos primeiros precursores, o importante “é reconhecer que persistem formas muito antigas de vigilância”.

A reportagem é de Ernesto Carmona e publicada no sítio argentino Argenpress, 13-05-2014. Ernesto Carmona é jornalista e escritor chileno, jurado internacional do Projeto Censurado. A tradução é de André Langer.

Claro que também há enormes inovações tecnológicas, como o programa secreto “Aprendizagem profunda” [Deep learning] de tecnologia de inteligência artificial (AI) desenvolvido pelo Facebook com a intenção de identificar melhor a informação segura sobre seus usuários. O projeto, supervisionado por um grupo de oito membros chamado “Equipe AI”, pretende prever futura atividade on-line dos usuários a partir da análise dos dados das contas já existentes.

O The Washington’s Blog garantiu que “a NSA repete o que o rei Jorge fez aos norte-americanos durante o tempo da colônia”. O artigo cita Randy Barnett, professor de direito constitucional de Georgetown, sobre como a Corte de Vigilância da Inteligência Estrangeira aparentemente “aprovou secretamente a apropriação exaustiva de informações sobre todos os estadunidenses para que este ‘metadados’ pudesse proporcionar, mais adiante, a causa provável para uma busca em particular. De acordo com Barnett, esta indiscriminada captura de dados é “semelhante aos mandados judiciais gerais expedidos pela Coroa para autorizar buscas de colonos norte-americanos”.

O artigo do The Washington’s Blog também cita um memorando de David Snyder, publicado pela Electronic Frontier Foundation, que reconhece que os pais fundadores reunidos em 1791 para adotar a Carta de Direitos poderiam ter se surpreendido com a tecnologia da NSA, mas sem dúvida estavam familiarizados com “a vigilância ao por atacado que o governo é acusado de fazer hoje”, na forma do “abuso expansivo do poder pelos reis Jorge II e III que invadiram a privacidade de comunicações dos colonos”.

Com a Quarta Emenda, os fundadores tomaram medidas enérgicas para acabar com a capacidade do governo de realizar uma vigilância maior de estadunidenses comuns. “A pergunta para nós hoje é se vamos renunciar a esse ideal americano, ou se vamos tomar as medidas necessárias para voltar a ele”.

Em um artigo publicado em junho de 2013 pelo Global Research, James Petras observou que a NSA espia milhões de cidadãos dos Estados Unidos, mas no exterior vai “muito além de meras ‘violações da privacidade’, como colocavam muitos especialistas legais”. Petras escreveu: “A pergunta fundamental é: que represálias e sanções derivam da ‘informação’ que se recolhe, classifica e converte em operacional nestas redes massivas de espionagem doméstica”? Devemos compreender – afirmou – as consequências políticas e econômicas da NSA como ‘estado espião’. “Quanto maior é a polícia secreta, maiores são suas operações. Quanto mais regressiva for a política econômica doméstica, maior é o medo e o ódio da elite política”.

Programa de Pesquisa em Inteligência Artificial do Facebook

Com um programa secreto de pesquisa, o monstro das redes sociais Facebook experimenta um programa de “aprendizagem profunda” [deep learning] de tecnologia de inteligência artificial com a intenção de identificar melhor a informação segura sobre seus usuários. O projeto de “aprendizagem profunda” da Artificial Intelligence (AI), supervisionado por um grupo de oito membros chamado “Equipe AI”, pretende concentrar-se na análise de dados das contas existentes para prever futuras atividades na rede dos usuários.

Segundo a MIT Technology Review (20-09-2013), “a ‘aprendizagem profunda’ mostrou o potencial de como a base do software poderia trabalhar as emoções ou os acontecimentos descritos no texto, embora não estejam identificados explicitamente, reconhecer objetos em fotos e fazer previsões sofisticadas sobre prováveis comportamentos futuros das pessoas”.

O Google já fez experiências bem sucedidas utilizando tecnologia de “aprendizagem profunda” para desenvolver um software capaz de reconhecer imagens específicas nos vídeos do YouTube. Quando atingir seu pleno funcionamento, é provável que a nova tecnologia permita ao Facebook analisar e classificar diversos interesses pessoais e afinidades sociais, não apenas a partir dos textos que qualquer um escrever no Facebook, mas também a partir das fotos postadas pelos usuários.

Potencialmente, o Facebook pode promover sua tecnologia de “aprendizagem profunda” para que seus anunciantes possam produzir publicidade e criar promoções para futuros usuários, que os críticos reconhecem como um aumento cada vez mais pesado dos problemas relacionados à privacidade. Como observa Madison Ruppert em End the Lie (21-09-2013), o Facebook já tem em andamento uma série de projetos de tecnologia, que inclui uma enorme base de dados de reconhecimento facial, e foi citado recentemente a um tribunal de violações de privacidade, além de ter um claro papel a serviço da espionagem da NSA, sobretudo na Europa. O ministro do Interior alemão, Hans-Peter Friedrich, no começo de julho de 2013 aconselhou que aqueles que têm medo de serem objeto de vigilância da NSA evitem os serviços oferecidos por gigantes estadunidenses da internet como o Google, Facebook, Microsoft e qualquer outro que tenha seus servidores nos Estados Unidos.

Fontes de História de vigilância massiva:

— Aryeh Neier, “Spying on Americans: A Very Old Story,” New York Review of Books, June 18, 2013, http://www.nybooks.com/blogs/nyrblog/2013/jun/18/spying-americans-very-old-story/.
— David Snyder, “The NSA’s ‘General Warrants’: How the Founding Fathers Fought an 18th Century Version of the President’s Illegal Domestic Spying,” Electronic Frontier Foundation, no date, https://s.eff.org/files/filenode/att/generalwarrantsmemo.pdf.
— James Petras, “The Deeper Meaning of Mass Spying in America: Political and Economic Consequences of ‘The Spy State’”, Global Research, June 16, 2013, http://www.globalresearch.ca/the-deeper-meaning-of-mass-spying-in-america-political-and-economic-consequences-of-the-spy-state/5339336.
— “We’ve Know for Some Time that the NSA is Spying on Congress.” Washington’s Blog, January 8, 2014, http://www.washingtonsblog.com/2014/01/spying-congress.html.
— “500 Years of History Shows that Mass Spying is Always Aimed at Crushing Dissent.” Washington’s Blog, January 9, 2014, http://www.washingtonsblog.com/2014/01/government-spying-citizens-always-focuses-crushing-dissent-keeping-us-safe.html.
— Projeto Censurado: http://www.projectcensored.org/us-mass-surveillance-historic-perspective/
Student Researcher: Rubi Vazquez (Sonoma State University)
Faculty Evaluator: Peter Phillips (Sonoma State University)

Fontes Facebook:

— “Facebook Has Set Up a New Artificial Intelligence Group” InfoSecurity, September 23, 2013, http://www.infosecurity-magazine.com/view/34651/facebook-has-set-up-a-new-artificial-intelligence-group/.
— Tom Simonite, “Facebook Launches Advanced AI Effort to Find Meaning in Your Posts,” MIT Technology Review, September 20, 2013, http://www.technologyreview.com/news/519411/facebook-launches-advanced-ai-effort-to-find-meaning-in-your-posts/.
— Madison Ruppert, “Facebook Wants to Use Artificial Intelligence to Better Understand What You Post, Predict Online Actions” End the Lie, September 21, 2013, http://endthelie.com/2013/09/21/facebook-wants-to-use-artificial-intelligence-to-better-understand-what-you-post-predict-online-actions/#axzz2l2dn664d.
— End de Lie 03-07-2014: http://endthelie.com/2013/07/03/german-interior-minister-dont-use-google-and-facebook-if-you-fear-nsa-surveillance/#FgLWjVDpbv63vFhk.99
— Projeto Censurado: http: // www.projectcensored.org/facebooks-artificial-intelligence-research-program/
Student Researcher: Andrevious Shaw (Florida Atlantic University)
Faculty Evaluator: James F. Tracy (Florida Atlantic University)

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