Exacerbada por debate sobre o casamento gay, homofobia dispara em 2013

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19 Maio 2014

O ano de 2013 foi paradoxal para os homossexuais. Foi o ano de um avanço histórico, com a aprovação da lei que lhes abriu a possibilidade do casamento e da adoção; com mais de 7 mil casamentos celebrados sem incidentes em 2013, ele parece já ter virado rotina. Ao mesmo tempo, surgiu um recrudescimento inesperado da homofobia, em falas e ações. Essa realidade, sensível para as pessoas envolvidas, que muitas vezes não aceitaram bem o debate em torno do "casamento para todos", foi confirmada pelo relatório anual da associação SOS-Homophobie publicado na terça-feira (13). O número de depoimentos recebidos atingiu um recorde: 3.517, ou seja, um aumento de 78% em relação a 2012. O número de agressões físicas relatadas dobrou, atingindo 188 casos, ou seja, aproximadamente um a cada dois dias.

A reportagem é de Gaëlle Dupont, publicada no jornal Le Monde e reproduzida pelo UOL, 16-05-2014.

"Não houve um crescimento da homofobia, mas sim uma libertação da fala", acredita Yohann Roszéwitch, presidente da associação, cujo relatório anual constitui a única avaliação do fenômeno na França. "A homofobia não é mais tabu. Paralelamente, as vítimas também passaram a falar". O reconhecimento de um status pela lei provavelmente estimulou mais as pessoas a se reconhecerem como vítimas e a darem seus depoimentos, o que pode explicar parte desse aumento.

"Se eu tivesse um fuzil, mataria essas bichas"

O relatório retranscreve ad nauseam as declarações denunciadas. "Casamento gay é a porta de entrada para todo tipo de lixo, como zoofilia, necrofilia. É, eu tenho a mente fechada, ao contrário das suas bundas" (no Twitter): "Nesse período de debate sobre o casamento, estou mais do que feliz em unir hoje um homem e uma mulher" (um prefeito durante uma cerimônia de casamento); "Casamento para todos: isso quer dizer que vou poder me casar com meu cachorro" (um professor de cursinho); "Se eu tivesse um fuzil, mataria essas bichas com uma bala no meio da testa. É uma pena que Hitler não tenha matado todos esses lixos" (um homem na fila de uma loja). Podem ser ataques pessoais, mas também palavras lançadas a quem quiser ouvir. "Declarações que não dizem respeito diretamente a uma pessoa podem perturbá-la consideravelmente", ressalta Roszéwitch.

Os relatos de agressão também são surpreendentes. Grégory, 38, foi seguido por homens quando voltava para casa do supermercado. "Queremos ver seu fio dental", eles disseram, antes de jogar pedras nele e espancá-lo. Grégory teve de tirar uma licença de 21 dias do trabalho.

"Vocês são duas sapatonas, estavam trepando no banco agora há pouco, uma indecência!" Léa e Christelle, que passavam férias na Normandia, receberam tapas e chutes do prefeito de um vilarejo da região. No caso das agressões, Roszéwitch acredita que a homofobia veiculada por personalidades públicas pode passar uma impressão de "legitimidade" aos agressores.

A homossexualidade e a homoparentalidade durante vários meses estiveram no centro das discussões públicas e conversas privadas. A homofobia em alguns casos se manifestou para grande surpresa dos homossexuais, que pensavam que a aceitação da sociedade era maior. "Não sei por que eles enchem o saco com essa história de casamento, eles já têm a união civil, já está bom demais", foi o que François ouviu ao redor da máquina de café de sua empresa.

Retrocesso

Na noite da mobilização da La Manif Pour Tous [coletivo de associações contra o casamento gay] do dia 26 de maio, Eric recebeu uma foto de seus pais ao lado de Frigide Barjot [humorista ativista contra o casamento gay]. Julien, que já não ouvia declarações homofóbicas em sua família há algum tempo, teve de escutar em um jantar em família: "Todos os homossexuais têm problemas, exceto você". Comentários que puderam ser sentidos como um retrocesso.

A internet é o principal lugar de expressão da homofobia. O Twitter vem em primeiro lugar, com as hashtags #LesGaysDoiventDisparaitreCar [#OsGaysDevemMorrerPorque], #UnGayMort ou ainda #TeamHomophobe, que reúnem injúrias e incitações ao assassinato. Em seguida vêm o Facebook e os comentários não moderados dos jornais. Em locais públicos, locais de trabalho, família, lojas, todos os contextos onde pode ocorrer a homofobia, notou-se um aumento dela.

O SOS-Homophobie vê com satisfação a curva das denúncias hoje voltar a níveis conformes a 2012. "Esse ano continuará sendo excepcional sob todos os pontos de vista", acredita Roszéwitch. "Esperamos que com o tempo as mentalidades mudem."

Como o casamento gay já não é mais notícia, as declarações públicas relativas à homossexualidade perderam intensidade – ainda que Christine Boutin tenha, por exemplo, declarado que a homossexualidade era uma "abominação". O fato de o governo ter abandonado a abertura da reprodução assistida para as lésbicas também deverá acalmar os ânimos, pelo menos provisoriamente.

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