Sínodo da Família: os resultados do Canadá

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27 Março 2014

No Canadá, os resultados da pesquisa para o Sínodo da família permanecem privados, mas bispos indicam que houve uma "boa leitura" da situação.

A reportagem foi publicada no sítio National Catholic Reporter, 25-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os bispos do Canadá enviaram para a Santa Sé, no fim de fevereiro, os resultados de uma consulta em preparação para um Sínodo mundial dos bispos sobre a família que acontecerá em outubro, mas não vão tornar público o seu relatório, o que é prática normal, de acordo com o presidente da Conferência dos Bispos do Canadá.

Essa não é a primeira vez que Roma pediu contribuições das conferências episcopais na preparação de um sínodo e a prática normal tem sido a de fazer isso de forma privada, disse o presidente da Conferência de Bispos do Canadá, arcebispo Paul-André Durocher.

"Decidimos seguir as orientações que nos foram dadas", disse Durocher.

Cento e quarenta conferências episcopais devem apresentar os relatórios de consulta à secretaria do Sínodo dos bispos, que organiza essas reuniões globais de bispos católicos no Vaticano. A Santa Sé vai usar o material para construir o lineamenta, ou documento de trabalho do Sínodo, disse Durocher.

A secretaria enviou um questionário com 39 perguntas para os bispos de todo o mundo no dia 18 de outubro, com um pedido para que consultassem "imediatamente" e "de forma mais amplamente possível" sobre questões como a contracepção, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o divórcio e outros temas relacionados à vida familiar.

Segundo Durocher, a Conferência Episcopal do Canadá enviou o questionário para as suas dioceses, convidando-as a enviar as respostas até o fim de dezembro, para que a conferência pudesse enviar um resumo de todas as descobertas até o fim de janeiro.

"Em um curto espaço de tempo, conseguimos obter uma boa leitura da situação pastoral em relação à vida familiar aqui no Canadá", disse Durocher.

As conferências episcopais de todo o mundo adotaram abordagens diferentes para o pedido do Vaticano para essa ampla consulta. Na Inglaterra e no País de Gales, a conferência episcopal nacional disponibilizou as 39 perguntas na internet.

Disponibilizar as perguntas na internet não era obrigatório, mas o cardeal Lorenzo Baldisseri, chefe do secretariado do sínodo, disse em dezembro que os bispos deveriam ir além das consultas habituais.

"A consulta deve coletar informações a partir da base, e não se limitar ao nível da Cúria ou de outras instituições", disse ele. "Embora envolvidas no processo, elas devem cooperar, dirigindo-se aos fiéis, às comunidades, às associações e outras entidades".

No Canadá e nos Estados Unidos, as conferências nacionais delegaram aos bispos particulares decidirem sobre como consultar os leigos. Cerca de 80 dioceses dos Estados Unidos disponibilizaram o levantamento do Sínodo da família na internet.

Um censo dos sites diocesanos canadenses, realizado pelo jornal The Catholic Register, em dezembro, quando o processo de consulta ainda estava ativo, verificou que 13 das 69 dioceses que têm páginas na internet, tinham disponibilizado as perguntas do Vaticano online. Quatro das 73 dioceses católicas do Canadá não têm site.

O secretário-geral da conferência, Dom Patrick Power, observou em um comunicado de 5 de fevereiro que "a extensão das consultas pelas dioceses e suas respostas são uma prova clara da importância pastoral" do Sínodo.

"As consultas indicam não só a importância do casamento e da vida familiar, para a Igreja e para a nossa sociedade, mas também o profundo apreço da Igreja pelo testemunho generoso e o compromisso dos casais e das famílias, especialmente no mundo de hoje, de rápida mudança social e desafios econômicos", disse Power.

"Ao mesmo tempo, o processo tem mostrado que muitos católicos não estão profundamente conscientes do ensinamento rico e positivo da Igreja sobre o casamento e a família. Isso pode resultar em uma lacuna preocupante entre a doutrina da Igreja e o pensamento de alguns católicos. Existem também esperanças de que a Igreja possa ser mais eficaz na apresentação do seu ensinamento e também possa rever aspectos da sua disciplina em determinadas áreas", disse Power.

Os resultados da pesquisa divulgados por outras conferências episcopais nacionais - como a Alemanha e a Suíça - mostram uma clara divergência entre o que a Igreja ensina sobre o casamento, sexualidade e vida familiar e aquilo que os católicos acreditam pessoalmente.

As diferenças são vistas "acima de tudo quando se trata da coabitação pré-marital, [o estado dos] divorciados novamente casados, controle de natalidade e homossexualidade", disse o relatório dos bispos alemães, publicado em fevereiro no site da sua conferência, em alemão, italiano e inglês.

"A maioria dos batizados tem uma imagem da Igreja que, por um lado, é familiar em sua atitude, ao mesmo tempo, considerando a moral sexual irrealista", constatou o estudo alemão.

Alguns católicos canadenses buscaram maneiras de apresentar seus pontos de vista mesmo sem o convite expresso da conferência dos bispos. Betty Anne Brown Davidson, presidente da Liga Nacional das Mulheres Católicas do Canadá, instou os membros a apresentarem as suas observações.

"Quando eu ouvi pela primeira vez sobre esse Sínodo extraordinário sobre a família, eu imediatamente entrei em contato com o nosso presidente da comissão permanente para a vida familiar cristã e disse: 'Vamos pegar esse documento e vamos dar a nossa opinião para os nossos bispos, quer eles queiram ou não'", disse Brown Davidson ao The Catholic Register. "Nós vivemos a realidade da vida familiar."

De autoridades da Igreja no Vaticano para baixo, todos salientaram a diferença entre uma consulta e uma pesquisa de opinião pública. O cardeal Peter Erdő, relator do Sínodo, disse a jornalistas em novembro que "a doutrina do magistério deve ser a base do raciocínio comum do sínodo. Isso não é uma questão de opinião pública."

Mas eles também observam que a preparação para esse sínodo tem sido diferente.

A teóloga Catherine Clifford, da St. Paul University, em Ottawa, disse que o sínodo é um desafio para a forma de como as coisas foram feitas desde que o Papa Paulo VI começou a convocar sínodos periódicos sobre assuntos específicos.

"Nós não temos cultivado muito bem dentro da Igreja o que eu chamaria de hábitos de diálogo", disse Clifford. "Apenas como exemplo, quando o Papa Francisco e o Sínodo dos Bispos pediram que os bispos consultassem as pessoas o mais amplamente possível em nível de decanatos e paróquias, tínhamos muito pouca experiência disso. Nós não temos estruturas eficazes para a sua realização ou para criar espaço para esse tipo de conversa."

Mesmo assim, a forma como a Igreja se conhece e se compreende a partir do ponto de vista do fiel é um dos desafios mais profundos da recente exortação apostólica de Francisco, Evangelii Gaudium, disse Durocher ao jornal The Catholic Register em dezembro.

"O papa nos fala de uma conversão pastoral", disse Durocher. "É preciso haver uma conversão pastoral. Nesse sentido, essa conversão tem que abrir o seu caminho até os corações de todos os fiéis."

 

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