Legionários de Cristo. Abusos, “mea culpa” e 31 novos sacerdotes

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Por: André | 14 Dezembro 2013

São tempos de rápida mudança para os Legionários de Cristo. A poucos dias do início da assembleia que aprovará novos estatutos internos e escolherá os superiores que conduzirão no curto prazo a congregação, a atual cúpula reconheceu que não apenas o fundador é culpado por abusos sexuais contra menores. Situação que levou um solitário sacerdote a entoar um dramático “mea culpa” público. Não obstante, no final desta semana serão ordenados 31 novos sacerdotes.

 
Fonte: http://bit.ly/19mws5z  

A reportagem é de Andrés Beltramo Alvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 12-12-2013. A tradução é de André Langer.

O Capítulo Geral Extraordinário do instituto religioso começará no dia 08 de janeiro próximo, em Roma. Nessa reunião se verá até onde vai a vontade de deixar para trás a herança de Marcial Maciel Degollado. Entre os 61 delegados que participarão do encontro, destacam-se vários dos históricos colaboradores do imoral fundador, como Álvaro Corcuera e Luis Garza Medina. Mas também se encontram jovens de espírito reformador.

Enquanto isso, apenas no dia 05 de dezembro o vigário-geral, Sylvester Heereman, surpreendeu a todos ao reconhecer publicamente que 35 sacerdotes dos Legionários de Cristo receberam acusações de ter perpetrado abusos sexuais contra menores, de 1941 até hoje.

Em um começo de transparência, o jovem vigário deu numerosos detalhes sobre estes casos de abuso. Precisou que dos 35 acusados, nove já foram declarados culpados, enquanto 14 denúncias não prosperaram por tratar-se de “acusações infundadas” ou “comportamentos imprudentes”. Entre os culpados incluiu-se abertamente Maciel.

Estabeleceu que, do total, dois casos resultaram “não aptos para uma investigação”, ao passo que outros 10 continuam abertos. Assim mesmo, outros seis sacerdotes que ocupavam cargos de superiores em diversos níveis foram acusados de comportamentos sexuais inapropriados, mas com adultos que estavam sob sua autoridade. Três não eram procedentes (entre outras coisas porque não chegaram a ser crimes) e outros três foram declarados culpados (inclusive o fundador).

“A prioridade é o bem e a cura da vítima e a prevenção de novos incidentes. Toda pessoa tem o direito à presunção de inocência, mas isto nunca deverá ser contrário à plena colaboração com as autoridades e ao cuidado das vítimas”, precisou Heereman em sua carta.

Os surpreendentes dados deixaram poucos indiferentes. Pela primeira vez, reconheceu-se que Maciel não foi um depredador solitário e que outros dos seus pupilos se mancharam com seus mesmos crimes. Por isso, provocaram reações. Uma delas, clamorosa. Trata-se de um “mea culpa” público entoado por Juan María Sabadell, um dos 61 assistentes do próximo capítulo.

A carta diz o que muitos legionários jovens pensam e o que muitos maiores se empenham em negar. Sem meias palavras, Sabadell pediu perdão “às vítimas de abusos (físicos e morais)” causados por membros da congregação. Agradeceu aos “corajosos cofundadores” que insistiram, durante décadas, em desmascarar o fundador que os havia atacado e perseveraram até obter justiça.

Na mesma carta nomeou-os com nome e sobrenome, coisa que os superiores nunca quiseram fazer. E destacou sua “fome e sede de justiça”. Esclareceu que o seu “mea culpa” é pessoal, mas considerou-o indispensável para “chegar totalmente purificado” ao próximo capítulo. De fato, vários legionários consideram que iniciativa similar deveria partir da cúpula, em nível institucional, numa tentativa de curar as feridas de todos.

Sabadell foi específico na hora de pedir perdão por não ter acreditado naqueles que denunciaram os abusos, especialmente do fundador. Por tê-los qualificado de “ressentidos” e “caluniadores”, pela lentidão da autocrítica, pelos vacilos, por ter preferido defender a própria reputação da família legionária, por ter-se refugiado no “silêncio institucional” e por sua falta de compaixão.

“Não me inquieta a reação pública pelas revelações duras e graves da nossa fundação, nem as mais recentes nem as de outrora, pois Deus mesmo conhece o porquê misterioso de nosso caso e ele levará a bom termo em todos, vítimas e não vítimas, sua boa obra”, apontou Sabadell.

Não obstante as turbulências, neste sábado, 14 de dezembro, o cardeal Velasio De Paolis, responsável pela reforma dos Legionários de Cristo e do Movimento Regnum Christi, ordenará 31 novos sacerdotes da congregação. A cerimônia está prevista para a parte da manhã, na Basílica São João de Latrão, em Roma. Simbolicamente, as histórias dos ordenados foram recolhidas em um livro intitulado “Com cheiro de ovelha”. Sinal inequívoco: o futuro dos Legionários de Cristo está nas mãos do Papa Francisco.

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