Seis meses: ''Francisco é um sucesso porque é positivo. As pessoas precisam de amor''. Entrevista com Federico Lombardi

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16 Setembro 2013

"O pontífice", defende o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, "insiste na misericórdia de Deus. Ele sabe que muitos trazem profundas feridas a serem curadas. Ele sabe dizer isso de modo claro, simples, eficaz, com palavras e gestos de proximidade até mesmo física".

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 13-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nesses primeiros seis meses, muitas mudanças. "Como as homilias da missa matinal em Santa Marta, espontâneas e sem texto escrito. Uma novidade absoluta". Além da atenção aos meios de comunicação aos quais o pontífice dá muita importância e do uso frequente do Twitter com mensagens por ele mesmo escritas.

Eis a entrevista.

Depois de seis meses de pontificado, Francisco continua reunindo consensos. Ele toca o coração não só dos fiéis, mas também dos não crentes, daqueles que estão longe. Como o senhor explica esse efeito? Qual é o segredo de Jorge Mario Bergoglio?

Eu penso e espero que o motivo mais profundo do consenso desfrutado pelo Papa Francisco é a sua insistência no positivo. O fato de falar continuamente e com muita convicção sobre o amor de Deus por todos. O fato de insistir na misericórdia de Deus, porque ele sabe que muitos – todos – trazem feridas profundas a serem curadas. O fato de lembrar que Deus nunca se cansa de perdoar aqueles que se arrependem. Certamente, Francisco sabe dizer essas coisas de modo claro, simples e eficaz, com as palavras e com os gestos de proximidade, até mesmo física. Mas o que importa, além do modo de dizê-las, é o significado. As pessoas precisam se sentir amadas, saber-se amadas. Todos. Vivemos por isso. Jesus veio para dizer isso, e essa obviamente também é a primeira coisa que o Papa Francisco deve dizer. O restante segue a partir disso. E isso afeta a todos, crentes e "não crentes".

O que mudou no seu trabalho com relação a antes? Durante meses, os meios de comunicação falaram dos escândalos de pedofilia e depois do Vatileaks. Hoje, fala-se muito sobre outras coisas. Como o seu trabalho mudou?

Não mudou na substância: comunicar o que o papa diz e faz. Naturalmente, o dinamismo desses primeiros meses de pontificado levou a intensificá-lo para seguir as muitas iniciativas do Papa Francisco, entender o seu estilo e as intenções e encontrar as fórmulas adequadas para comunicá-las. Basta pensar nas homilias da missa matinal em Santa Marta, pronunciadas espontaneamente e sem texto escrito. São uma novidade absoluta. Foi necessário "inventar" uma fórmula adequada para falar sobre elas. E depois certamente mudou a atmosfera. Parece que se virou uma página – de uma atitude prejudicial negativa a uma positiva –, e mesmo que os problemas de que se falava no passado não são resolvidos de uma vez por todas, as situações são enfrentadas e muitas soluções são definidas. A direção é clara, e a Igreja pode se relançar em linhas fundamentais da sua missão: a evangelização, a caridade, a paz...

O senhor nota hoje uma maior atenção sobre o Vaticano por parte da mídia internacional, ou não?

Sim. A grande atenção da mídia por ocasião da renúncia do Papa Bento XVI e do conclave não se apagou. Os meios de comunicação têm uma percepção instintiva da sensibilidade das pessoas e se dão conta da correspondência extraordinária que o papa encontra em muitas partes da terra. A Jornada Mundial da Juventude no Rio foi uma prova disso e também demonstrou a novidade "latino-americana" deste pontificado. Nesses dias, os meios de comunicação também entendem que a autoridade moral do papa tem um grande peso nos grandes acontecimentos da humanidade de hoje, como a paz e a guerra. Penso que a atenção internacional terá muitos motivos para permanecer viva e sobre temas cruciais para o futuro, mais do que sobre histórias de escândalos.

O que Francisco pensa da mídia? Diz-se que João Paulo II a levava muito em consideração, enquanto Bento XVI talvez um pouco menos. É assim? Ou não? E como Francisco a considera e o que espera dela?

Todas as pessoas inteligentes – e os papas evidentemente o são – entendem a importância dos meios de comunicação no mundo de hoje e com relação à missão da Igreja, seja porque eles formam mentalidades e relações, seja porque comunicam as mensagens. Certamente, João Paulo II tinha um carisma pessoal excepcional, que atraiu para ele a simpatia dos meios de comunicação, especialmente da imagem, enquanto o carisma de Bento XVI estava mais ligado à palavra e ao conceito. Comunicação aqui também, mas que requeria mais atenção. O Papa Francisco sabe muito bem qual é o papel da mídia hoje e sabe que ela é essencial na difusão das suas mensagens. Certamente, ele espera uma ajuda dela para o serviço positivo pelos pobres, pela solidariedade, pela paz, para o encorajamento das gerações mais jovens, para fazer entender as grandes intenções da Igreja. Não para colocar ele mesmo no centro das atenções, nem pelo culto da personalidade. Isso ele não busca e não quer.

Francisco usa muito o Twitter? É ele diretamente que tuíta ou há alguém que faz isso no seu lugar? Que impacto tem o Twitter sobre a imagem do pontificado?

Naturalmente, há colaboradores para o envio técnico das mensagens. Mas as mensagens são efetivamente suas, são palavras suas, e ele sabe muito bem quando e como são enviadas. Elas servem eficazmente para reiterar, repetir, fazer "passar" o que ele diz nos seus discursos mais amplos. O exemplo mais forte até agora é justamente o dos últimos dias: o uso frequente e intencional dos tuítes pela ação e oração pela paz, com um impacto extraordinário. Essa é uma indicação sua precisa e consciente. Assim, o seu compromisso pela paz ganha em continuidade e em eficácia, e a mobilização espiritual daqueles que o seguem se fortalece.

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