''A corrupção na Igreja existe desde sempre e também existe hoje''. Entrevista com Luis Antonio Tagle

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14 Junho 2013

"No dia 27 de fevereiro, por coincidência, os voos chegaram juntos e nos encontramos na retirada de bagagens no aeroporto de Fiumicino. Quando o meu amigo cardeal Bergoglio me viu, ele sorriu: 'Mas o que esse rapaz está fazendo aqui?'. E eu respondi: 'Ah, veja esse idoso! E ele o que faz aqui?'".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 13-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Luis Antonio Gokim Tagle dá uma risada que é realmente de um menino. Aos 56 anos, o arcebispo de Manila, filipino de mãe chinesa, é um menino prodígio do Colégio Cardinalício e da Igreja, considerado "papável" já no último conclave.

Nessa quinta-feira, ele viu o Papa Francisco, nesta sexta-feira irá realizar o seu primeiro encontro público para apresentar o livro Gente di Pasqua (Ed. EMI), no sábado tomará posse da sua paróquia romana em Centocelle. Camisa e colarinho de simples padre, afável e carismático, acaba de chegar ao Pontifício Colégio Filipino em Roma. Ao seu lado, em um sofá, a cópia do jornal Corriere com as palavras atribuídas ao papa sobre "corrupção" e "lobby gay" na Cúria.

Eis a entrevista.

Desculpe-me, Eminência, mas vocês, entre os cardeais, haviam falado dessas coisas de "lobby" e "corrupção"?

Bem, eu nunca ouvi. Mas, veja, como instituição que também é humana, a Igreja tem muitas experiências de tentações e também de pecados. Na mente do Papa Francisco, também há isso, quando ele fala de "corrupção". E nós temos que admitir essas coisas, admitir que elas existem também na Igreja, e não de hoje! O Concílio falou da Igreja sempre "purificanda". E a Igreja é purificada pelo Evangelho, pela coragem, pela abertura, pelo Espírito do Senhor...

Certamente, o tema da "corrupção" é central no papa...

Vivemos em um mundo em que a corrupção está presente na política e na sociedade, e também na Igreja ela é uma tentação. O pecado e a corrupção estão na história da Igreja. Mesmo os grandes concílios ecumênicos foram principalmente momentos de purificação e conversão. A voz do Senhor chama todos à conversão. Mas essa conversão é um ato de coragem: a coragem de admitir que a doença que está no coração das pessoas, na sociedade e, infelizmente, também na Igreja.

No seu livro, o senhor escreve: "Escutem as pessoas dizer: 'Deus"... Aprendam com o povo, com os esquecidos...". O Papa Francisco também quer "uma Igreja pobre e para os pobres". Em que direção estamos indo?

No caminho indicado desde Leão XIII com a doutrina social. A pobreza evangélica é uma graça, mas também é uma escolha, a resposta ao chamado de Deus. E essa escolha significa que a Igreja tem confiança no Senhor, e não no poder ou no dinheiro. A pobreza evangélica também é um testemunho contra as várias formas de idolatria do mundo de hoje.

O senhor fala de "Igreja primitiva"...

Eu não pretendo apresentá-la como se fosse sem manchas e sem problemas. As cartas de São Paulo são muito realistas! Mas é uma Igreja próxima da Ressurreição, do testemunho apostólico, tem o frescor de uma Igreja que estava aberta, porque buscava o caminho para evangelizar o mundo. Um modelo de abertura e de coragem.

A Igreja deve ter coragem?

Sim, mas coragem evangélica, como o Papa Francisco. Não a coragem do aventureiro que quer conquistar por ambição, mas o de quem tem confiança no Senhor, que já triunfou sobre o mal e sobre o pecado do mundo. A corrupção é a tentação que continua negando o triunfo de Deus.

Entre os cardeais, vocês falaram sobre a reforma da Cúria. Qual "doença"que a ameaça? Fechamento, carreirismo?

Sim, todas as tentações que também estão nas cúrias diocesanas e em muitas burocracias. A missão precisa de estruturas para não ficar somente como uma ideia. Mas a tentação é a de manter somente burocracia e estruturas de poder que sufocam a missão.

Fala-se de uma maior "colegialidade"...

A partir do centro, de Roma, é preciso uma maior abertura à Igreja das periferias, o "pequeno rebanho" evangélico. Muitos cardeais também falaram de "internacionalização" da Cúria, mas para mim não é importante apenas ter pessoas de muitos países: o que conta é a abertura mental. Por outro lado, nós, asiáticos, por exemplo, não devemos ter medo de nos expressar ou ter complexos de inferioridade, porque a Igreja Católica não é completa sem a voz da Ásia ou da África...

Francisco terá resistências?

Quem se encontra entre poder e benefícios rejeita a mudança. Mas Francisco tem uma grande coragem. Aquela coragem que, no Evangelho, é dos mais humildes e dos mais pobres: uma visão de esperança, não para si mesmos, mas para os outros.

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