Pastor Marco Feliciano é réu por homofobia e estelionato

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07 Março 2013

Em sessão tumultuada por protestos e com os votos mínimos necessários, o deputado evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito nesta quinta-feira presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Além de presidente da igreja Tempo de Avivamento e contrário ao casamento gay e ao direito ao aborto, o parlamentar é uma figura polêmica, alvo de processo por estelionato no Supremo Tribunal Federal, acusado de ter faltado a um evento pelo qual recebeu pagamento. Também responde a ação no STF por homofobia: foi denunciado no início deste ano pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que considerou discriminação uma das mensagens de Feliciano no seu Twitter, que dizia: “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”.

A reportagem é de Evandro Éboli e Isabel Braga e publicada pelo jornal O Globo, 08-03-2013.

Um vídeo que circulou na internet mostra o pastor numa pregação pedindo o cartão de crédito de um fiel e cobrando que forneça a senha. “Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir milagre para Deus. Deus não vai dar, e vai dizer que Deus é ruim”, é a fala do deputado no vídeo.

A ação no STF acusa Feliciano de, além de faltar no compromisso em São Gabriel-RS, ter optado por um evento que lhe pagou mais, no Rio. O fato ocorreu em março de 2008, e Feliciano deveria encerrar um evento gospel num estádio de futebol, onde estavam presentes cerca de sete mil fiéis. Mas não foi. No processo, negou a denúncia e disse que faltou por “motivos de força maior”. Segundo a denúncia, ele teria inventado um acidente no Rio para justificar seu não comparecimento ao evento pelo qual já teria recebido.

Sobre o vídeo, Feliciano afirmou que se tratou de brincadeira, que não levou um centavo naquele evento, que colhia ofertas para crianças carentes:

"Aquilo foi uma brincadeira. Não ganhei nada naquele evento. Eram ofertas missionárias".

Poucos minutos após a eleição de Feliciano, uma petição online já pedia o seu afastamento, reunindo mais de 40 mil assinaturas até às 21h30.

A repercussão da eleição de Feliciano foi parar também no Facebook, onde internautas postaram imagens com os dizeres “Estou de luto pelos direitos humanos no Brasil!” e outra em que o deputado é chamado de racista e homofóbico. Juntas, as duas imagens tinham 35 mil compartilhamentos.

Agenda lotada


O parlamentar disse ontem que não pode ser considerado homofóbico por “conta de 140 caracteres”, limite de letras aceitas num post no Twitter. A reportagem do GLOBO não conseguiu falar com o deputado sobre o processo por estelionato.

O pastor é também um artista gospel, que canta, cobra cachê, exige hotel de luxo e motorista à disposição. E tem sua agenda lotada. Existe até a “loja oficial Marco Feliciano”, que vende seus CDs e livros e faz promoções do tipo “passe um final de semana com o pastor Marco Feliciano”.

Uma coletânea de 12 DVDs com seus cânticos e suas pregações — “Gideões, missionários da última hora” — está em promoção e custa R$ 149. Quem compra, concorre a passagem aérea com acompanhante para Camboriú, balneário de Santa Catarina, com tudo pago, assiste à pregação de Feliciano no palco principal, além de estar a seu lado no sábado e domingo. Sua loja virtual tem central de atendimento no Brasil inteiro.

Sua igreja promove uma campanha de adesão de “sócio contribuinte”. Existem três opções de dízimo: de R$ 30, de R$ 60 e de R$ 100. Feliciano afirma em seu site que esses valores foram extraídos da Bíblia, do Evangelho de Marcos, no seu capítulo 4 e versículo 3, que trata de Jesus em busca de semeadores: “Os semeadores saíram a semear e encontraram a boa terra, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um. Esta é a razão de escolhermos os valores de R$ 30, R$ 60 e R$ 100 para os parceiros do Avivamento”.

Em sua página na internet, Feliciano aparece em fotos posadas, como um artista. Em uma, está de pé, com casaco de couro e as mãos nos bolsos da calça jeans. Em outra, diante de um microfone com pose de cantor. Mas o deputado recusa o “rótulo” de artista. Diz que é um palestrante, pregador e cantor há 15 anos, e que já correu o mundo e fez shows em cerca de duas mil cidades do Brasil:

"Não sou artista. Não gosto dessa alcunha. Os aplausos e a glória são destinadas somente ao Senhor. Tenho apenas o dom da oratória e uma voz que é uma dádiva de Deus".

Feliciano foi eleito presidente da comissão com 11 votos, um a mais do que o necessário. O colegiado tem 18 parlamentares titulares.

Com os manifestantes barrados, a sessão de nesta quinta-feira teve os próprios deputados como protagonistas de bate-bocas e discursos exaltados. De um lado, deputados da bancada evangélica, cobrando do presidente Domingos Dutra (PT-MA) a realização da eleição. De outro, os que reagiram à escolha de Feliciano tentando adiar a votação com manobras regimentais.

"Nós amamos o homossexual, amamos o ser humano, não amamos a prática. Cristão não é homofóbico, ser contra o homossexualismo não nos torna homofóbicos. Amamos o pecador, não amamos a prática das coisas erradas", afirmou o deputado Takayama (PSC-SP), em defesa do pastor.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) retrucou:

"Nós amamos os cristãos, mas detestamos a exploração comercial da fé".

Não só os deputados evangélicos indicados para a comissão estavam presentes. Outros líderes da bancada evangélica, como o líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), apelaram para que Feliciano não fosse discriminado. Em franca minoria, depois de resistir por mais de uma hora, Dutra, os quatro deputados do PT da comissão, Jean Wyllys e Luiza Erundina (PSB-SP) se renderam à maioria. Dutra renunciou ao cargo e deixou a sessão, acompanhado dos deputados contrários a Feliciano.

"Não vou presidir uma sessão que não é aberta, porque essa comissão é dos ciganos, lésbicas, prostitutas, evangélicos e católicos", afirmou Dutra, com a voz embargada, depois de relatar o histórico da comissão.

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