Sentimento antibrasileiro é tema central das eleições no Paraguai

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12 Setembro 2012

O Brasil e os brasileiros estão no centro do debate da eleição presidencial do Paraguai, marcada para 21 de abril. O pleito deve marcar o fim das suspensões do país do Mercosul e da Unasul, adotadas em junho, logo após a destituição do então presidente Fernando Lugo pelo Congresso paraguaio. As sanções não tiveram impacto econômico, mas fizeram com que todos os países da América do Sul retirassem seu embaixador de Assunção.

É grande o ressentimento contra o Brasil tanto entre apoiadores quanto entre críticos do impeachment de Lugo.

A reportagem é de César Felício e publicada pelo jornal Valor, 12-09-2012.

A presidente brasileira Dilma Rousseff e a argentina Cristina Kirchner coordenaram as punições contra o país e o ingresso simultâneo da Venezuela no bloco, o que provocou reações contra os governos de Brasil e Argentina na elite política e empresarial paraguaia.

"A defesa da soberania deixou de ser uma bandeira dos setores de esquerda para estar no discurso de todos que apoiaram a destituição. Quem ficou do lado de Lugo virou 'legionário'", afirmou a cientista política Susana Aldana, da ONG "Decidamos", um observatório eleitoral.

"Legionário" no Paraguai é uma referência aos caudilhos que apoiaram Brasil e Argentina na guerra entre 1865 e 1870, que derrubou o governo de Solano López e destruiu a estrutura produtiva do país. Os opositores de López organizaram tropas de voluntários que lutaram sob as ordens do inimigo.

O conflito contra a comunidade brasileira de sojicultores foi um dos motores para a queda de Lugo em junho. Há cerca de 250 mil brasileiros vivendo no Paraguai, que conta com 6,6 milhões de habitantes. A maioria está na área rural, que concentra 40% da população. Os "brasiguaios" buscam revogar uma lei regulamentada por Lugo, que impede a posse de terra por estrangeiros em uma faixa de até 50 quilômetros da fronteira.

O candidato do partido do atual presidente Federico Franco, o senador Efraín Alegre, do Partido Liberal, ameaça com a retirada do Paraguai do bloco caso a admissão da Venezuela como membro pleno não seja revista. "Não vamos aceitar fatos consumados. O ingresso da Venezuela desrespeitou marcos institucionais ", disse ao Valor. Há duas semanas, o Senado paraguaio rejeitou a entrada da Venezuela no bloco. O Partido Liberal se absteve, porque preferia colocar o tema em votação apenas depois da eleição presidencial venezuelana no próximo dia 7.

O tom não é o mesmo em relação ao problema dos sojicultores brasileiros. Alegre admite rever a legislação fundiária que coloca em cheque produtores oriundos do Brasil. A lei de Lugo garante a propriedade adquirida até 2006, mas o alto índice de grilagem de terras no país torna controversa a titularidade de diversas propriedades.

"Houve muita invasão de terra por parte de apoiadores do antigo governo em função disso. Quem já se instalou deve ser respeitado e ter toda proteção", disse o candidato.

Os brasileiros estão no centro da produção de soja do país, que colheu em 2011 uma safra de 7,6 milhões de toneladas.

O cacife do agronegócio crescerá no próximo ano, com a previsão de que a alta dos preços da commodity se mantenha. De acordo com o ex-ministro da Fazenda no governo Lugo, Dionisio Borda, o Paraguai deve crescer 9% em 2013. No ano passado, se expandiu 3,8%. Neste ano, a previsão é de queda de 1,5%. Os produtos primários representam 89% das exportações paraguaias.

Embora correligionários, Alegre e Franco não são aliados. Em minoria em seu próprio partido, o novo presidente paraguaio cedeu o Ministério da Defesa para a sigla comandada pelo general Lino Oviedo, que foi afastado do Exército depois de tentar um golpe militar contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996.

Oviedo deve se candidatar novamente à Presidência e é o mais radical na linha ultranacionalista. A iniciativa mais recente de seu partido no Congresso foi propor a retirada de recursos de saúde e educação para o rearmamento das Forças Armadas, sob a alegação que o país pode sofrer um ataque militar da Bolívia. Seu alcance eleitoral, contudo, é limitado. "Eleitoralmente, ele sempre se apresenta como candidato e nunca faz alianças. O que busca é preservar sua fatia de poder no Congresso", opinou o analista político Lucas Arce, da consultoria econômica Cadep.

Com a base governista dividida, aumenta a chance de volta ao poder do Partido Colorado, que governou o país por 70 anos, sequência interrompida em 2008 com a vitória de Lugo. O partido vai realizar em dezembro eleições internas para escolher o candidato e o favorito é o empresário Horacio Cartes, da região de Pedro Juan Caballero, fronteiriça com o Brasil. Cartes tem uma fábrica de cigarros, outra de bebidas, o Banco Amambay e o clube de futebol Libertad.

O empresário é bombardeado pelos adversários internos com denúncias que afetam diretamente a sua imagem no exterior, envolvendo-o em narcotráfico, lavagem de dinheiro e contrabando para o Brasil. Usa um espaço generoso das entrevistas que concede e de sua propaganda política para tentar demonstrar sua inocência. Procura adotar o mais moderado discurso entre os principais candidatos. "O Paraguai de maneira alguma deve sair do Mercosul. Precisamos restabelecer as relações com os vizinhos", disse em um evento no mês passado.

O quadro de candidatos ainda deve se completar com um representante das correntes de esquerda. O candidato mais provável é o ex-apresentador de televisão Mario Ferreyro. "É um nome com popularidade, mas sem vinculação com os movimentos sociais. Não está claro se Lugo vai apoiá-lo ou se concentrar em sua própria campanha para o Senado", afirmou o analista político Alfredo Boccia, ligado ao ex-presidente.

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