"As favelas contribuem para os negócios", diz brasileiro da Central Única das Favelas

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06 Setembro 2012

Representante na Espanha da Central Única das Favelas (Cufa), Leonardo Martins trabalha para proporcionar "acesso a um mercado de 100 milhões de pessoas que se incorporaram ao mundo do consumo, através de projetos sustentáveis".

Empresas privadas investem em escritórios dentro das favelas para que a população tenha a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho e mudar a percepção de vida.

A reportagem é de Pablo Ximénez de Sandoval, publicada pelo jornal El Pais e reproduzida pelo Portal Uol, 05-09-2012.

Louro, branco e do asfalto, como chamam no Rio de Janeiro os que são da parte urbanizada da cidade, Leonardo Martins surpreende ao se considerar mais um morador das favelas mais famosas do mundo. Sua mãe, psicóloga, trabalhava com os desfavorecidos e mudou sua vida no dia em que o levou para conhecê-los. "Ela me disse: 'Você não quer comer? Então amanhã vem comigo ver a realidade da vida'." Pouco depois, seu grupo de amigos da adolescência, para toda a vida, eram meninos das favelas.

Martins, 38 anos, é o representante na Espanha da Central Única das Favelas (Cufa), uma ONG internacional com origem nesses bairros marginais. Afirma que Madri "é a melhor base para conseguir investimento para projetos na América Latina". A definição de seu trabalho é proporcionar "acesso a um mercado de 100 milhões de pessoas que se incorporaram ao mundo do consumo, através de projetos sustentáveis".

Segundo ele, os grandes mercados atuais para crescer são as favelas. Favelas no sentido amplo, os bairros periféricos das grandes cidades. "Em Madri, Londres ou Paris também há favelas, embora não se chamem assim." Mas a única maneira de ter acesso a esses mercados é com projetos "sustentáveis" que contribuam para melhorar as condições de vida em longo prazo. É preciso "buscar um modelo de negócios que permita deixar um legado nas favelas". O Brasil é "o país do mundo onde mais está diminuindo a desigualdade, com uma clara vocação social". Quem quiser investir e entrar nesse mercado precisa participar dessa tendência.

Ele não é estranho à violência e tem muitos casos em que sua vida correu perigo. Mas afirma que "as favelas contribuem para os negócios. É um mercado crescente que compõe a nova classe média com poder de consumo. É a base da pirâmide: 46% do poder de compra estão na classe C do Brasil. É estratégico".

Um exemplo pode ser o da empresa telefônica brasileira Oi para entrar nesse mercado. O que a Oi fez foi "pôr um 'call center' dentro da favela". Com esse escritório em pleno Complexo do Alemão, a empresa começou a dar trabalho no bairro. Um irmão, uma filha, um amigo logo começam a ter um salário honrado graças a essa empresa, e "muda a percepção". "Eles estão comendo todo o mercado."

Esses negócios, acompanhados de projetos sociais, mudam o círculo vicioso da violência e da droga. "Tenho amigos que chegaram a controlar favelas inteiras, gente que estava há 30 anos sem sair do bairro. Eles contam que sua vida era matar ou morrer. Hoje são pessoas que dirigem um projeto social e são felizes."

Durante uma palestra na sede da Comissão Europeia em Madri, Martins desafiou a plateia ao citar os dados de despejos domiciliares na Espanha e perguntar: "Onde toda essa gente vai viver?" A pergunta, vinda de um especialista em marginalização e violência, evocou cenários assustadores.

A Espanha vai enfrentar uma crise social de grandes dimensões, ele diz. Se não for bem administrada, trará consigo violência. "A Espanha tem que aprender a gerir a desigualdade extrema. Se os que têm dinheiro roubam, como os que não têm não vão roubar? A Espanha tem tempo para investir em projetos sociais antes que tenha de tomar outras medidas como as do Rio." Com sua linguagem de escola de negócios (Esade), Martins tem um lema: "A prevenção da desigualdade é um 'business plan' rentável".

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