Quem será o sucessor de Ratzinger? Começam as apostas

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Por: Jonas | 28 Fevereiro 2012

A imprensa italiana levantou a lebre e começou a falar de papáveis, as eternas apostas sobre quem pode ser o futuro pontífice. Até agora era uma questão tabu, ou ao menos prematura. Não se questionava abertamente porque ainda não havia a criação de um cenário propício. Porém, isso está mudando com a crise do chamado “Vatileaks”, os vazamentos de documentos internos da Santa Sé.

A reportagem é de Iñigo Domínguez, publicada no sítio Diario Vasco, 27-02-2012. A tradução é do Cepat.

À margem do escândalo, deu-se uma imagem de debilidade de Bento XVI e  de desgoverno da Cúria, cujo principal responsável é o secretário de Estado, Tarcísio Bertone, alvo de muitas críticas. Também revela que se arrancam manobras para um conclave. E influi que Ratzinger, de saúde delicada, completa 85 anos em abril, idade com que morreu João Paulo II.

O nome que se movia no vazamento dos papéis, um segredo aos gritos, é o do italiano Angelo Scola de 70 anos e cardeal de Milão. Também ressoa o do prefeito da Congregação para o Clero, Mauro Piacenza, de 67 anos. No entanto, agora surgiram como possíveis candidatos outros dois homens da Cúria, o argentino Leonardo Sandri, 68 anos, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, e o canadense Marc Ouellet, de 67 anos, novo prefeito da Congregação dos Bispos. Em resumo, já está se criando uma atmosfera de fase final de pontificado. O que acarreta em apostas, mas que podem durar anos e desgastar dezenas de nomes.

Foi o consistório deste final de semana, a cerimônia de criação de novos cardeais, o que permitiu aflorar pela primeira vez a lista de “papáveis”. Os purpurados de todo o mundo, preocupados pelos acontecimentos, puderam encontrar-se em Roma e trocar impressões. Muito polêmica, a última fornada dos 22 novos cardeais, designados por Ratzinger, também influenciou, e o quadro geral que desenhou um hipotético conclave daqui há dois ou três anos: deu um peso dominante aos italianos e ao clero da Cúria. Precisamente dois setores envolvidos no escândalo, que fora da Itália se percebe como uma degeneração de vícios crônicos pela “italianização” dos despachos apostólicos e a resistência às operações de limpeza do papa.

Portanto, cresceram os indícios de que depois de dois estrangeiros se forja um papa italiano, e assim haveria surgido a reação de uma parte do colégio cardenalício em buscar um candidato alternativo, que tem apontado Sandri, argentino, mas de origem italiana, e Ouellet, de reconhecido prestígio. Neste fim de semana, destacou-se também o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, protagonista da assembleia de cardeais, de sexta-feira, com um discurso temperamental que chamava a pregar “com o sorriso, e não com a expressão franzida”.

E mais, atribui-se ao mal-estar interno a ausência de um número raramente alto de cardeais nos atos do final de semana. Havia 133 de um total de 213, incluídos os 22 novos. Portanto, 80 não assistiram. Uma nota da Santa Sé explicou que “justificaram suas presenças por razões de idade, ou de súde, ou por compromissos precedentes inadiáveis”, mas muitos veem nisso um sinal de dissidência. Outros já voltaram no próprio sábado e não participaram da missa com Bento XVI.

Segundo coincidem em assinalar vários meios de comunicação, muitas das 27 intervenções na assembleia de sábado, entre o papa e os cardeais, enfrentaram de forma crítica a crise vivida pelo Vaticano. O Corriere della Sera aponta que dois cardeais espanhóis, Julián Herranz e, no dia anterior, Antonio Cañizares, mostraram grande preocupação. Herranz, da Opus Dei, havia lamentado que se promoveu prelados italianos próximos de Bertone enquanto se deixou de fora arcebispos de grande prestígio, como os de Bruxelas, Londres ou Manila.

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