“Que a Igreja conceda a comunhão aos divorciados em segunda união”, pede teólogo alemão

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Por: André | 28 Fevereiro 2012

“Os divorciados em segunda união têm direito à comunhão”. No seminário organizado em Salzburg pela Ação Católica Alemã, o teólogo alemão Eberhard Schockenhoff, professor de teologia moral na Universidade de Freiburg, lançou um apelo para que haja uma “revalorização teológica” dos divorciados em segunda união e um novo modo de interagir com eles por parte da Igreja. Segundo Schockenhoff, de acordo com a agência de notícias católica Adista, a Igreja deve enfatizar a própria disponibilidade para a reconciliação no espírito das fontes bíblicas e da prática da Igreja primitiva, afastando-se de uma atitude de “condenação moral” que provoca “um sentimento de dolorosa exclusão” nas pessoas envolvidas.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e está publicada no sítio Vatican Insider, 25-02-2012. A tradução é do Cepat.

O próprio Bento XVI admitiu que a comunhão para os divorciados em segunda união é uma questão aberta. Falou a respeito em um colóquio com os sacerdotes da diocese de Aosta em 25 de julho de 2005 e, com um tom mais oficial, no discurso ao Tribunal da Rota Romana de 28 de janeiro de 2006. Em ambas as ocasiões, o Pontífice exortou a “estudar” um caso específico: a eventual nulidade de um casamento eclesiástico celebrado sem fé, para os que passaram a uma segunda convivência e voltaram à prática cristã, pedindo a comunhão.

Schockenhoff ocupou-se muito, nos últimos anos, do problema, tanto que dedicou a ele um livro, cujo título foi retomado como título da jornada de estudos: “Oportunidade de reconciliação? A Igreja e os divorciados em segunda união”. Além disso, “os divorciados e os que estão em segunda união não se encontram à margem da Igreja, mas pertencem a ela como muitos outros cristãos que se equivocaram”. A sua, indica a Adista, é uma proposta radical: a Igreja pode e deve conceder a comunhão aos divorciados em segunda união.

Em primeiro lugar, trata-se de uma “emergência pastoral”: o número destes católicos, atualmente excluídos da vida sacramental, está aumentando e o problema relacionado com sua participação na vida eclesial não pode esperar mais.

Em segundo lugar, não haveria nenhum motivo que obstaculizasse este passo, nem nas Escrituras nem na prática da Igreja das origens. A referência às palavras de Jesus sobre a indissolubilidade do matrimônio diante de Deus, afirma o teólogo, não pode ser comparada simplesmente a uma norma canônica, ao passo que nos Evangelhos de Mateus e de Marcos e nos textos de Paulo haveria “tendências na contracorrente” e “circunstâncias excepcionais” nas quais o divórcio poderia ser tolerado. E se a indissolubilidade do matrimônio continua sendo “o único juízo válido”, isto não quer dizer, argumenta Schockenhoff, que, de um ponto de vista bíblico, não possa haver “situações de emergência” para derrogar esta “norma”.

Esta reflexão “rigorosa” teria caracterizado inclusive a prática dos primeiros séculos da Igreja. Inclusive, indica o teólogo alemão, o próprio Joseph Ratzinger teria expressado uma postura semelhante em um ensaio de 1972, no qual dizia que por baixo ou dentro do magistério clássico “sempre houve, na pastoral concreta, uma prática mais elástica que nunca foi considerada inteiramente coerente com a verdadeira fé da Igreja, mas que nunca foi absolutamente excluída”; uma admissão regulada aos sacramentos das pessoas afetadas, afirmava Ratzinger, “está completamente em linha com a tradição da Igreja”.

A favor da admissão aos sacramentos, destaca Schockenhoff, também se expressa o fato de que em uma nova união civil podem estar presentes “todos os elementos que, segundo a Igreja, constituem o matrimônio”: a fidelidade, a vontade de dedicação total ao outro, a abertura aos filhos... Por conseguinte, um segundo matrimônio não reconhecido pelo direito canônico poderia deixar de ser considerado um não-matrimônio ou um concubinato. Tampouco o discurso sobre um “adultério constante” ou de um “estado de pecado grave” seria, tomando em conta estas considerações, “totalmente inaceitável”. Desta revalorização teológica de um novo matrimônio civil, afirmou o teólogo de Freiburg, deriva, “de forma vinculante, o fato de que os divorciados em segunda união não sejam excluídos da comunhão permanentemente ou até a morte do próprio cônjuge”; “nossa mostra de respeito pelo juízo de consciência formulado pelas pessoas afetadas” a Igreja deve, pois, convidar os divorciados em segunda união para que participem da vida comunitária e da comunhão eucarística. Só dessa maneira poderá oferecer uma autêntica “oportunidade de reconciliação”.

Uma passagem deste tipo, “pronunciada publicamente pela Igreja”, representaria a correção de um caminho “catastrófico”: o de uma Igreja sem piedade e desinteressada por esta categoria de pessoas. Em 2006, a Faculdade de Teologia de Milão propôs que os divorciados em segunda união fossem admitidos de novo à eucaristia sem que renunciassem às relações sexuais. O “caminho” proposto pressupõe a permanente validade do casamento anterior e a continuidade plena da segunda convivência, inclusive das relações sexuais. E é esta a última novidade da proposta. As regras em vigor, de fato, permitem a comunhão tão somente para aqueles que, apesar de seguir vivendo com uma pessoa diferente da que se haviam casado, renunciam às relações sexuais. Uma proposta que não pretende introduzir uma exceção à indissolubilidade do matrimônio, mas uma “sábia prática eclesiástica” para com os que se apresentam em uma situação de irregularidade diante do ministro ordenado pela Igreja para pedir os sacramentos.

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