O grupo dos que ajudaram os necessitados não o fizeram por motivos religiosos

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16 Novembro 2011

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,31-12, que corresponde à Festa de Cristo Rei, ciclo A do Ano Litúrgico.

O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

O DECISIVO

O relato não é propriamente uma parábola mas uma evocação do juízo final de todos os povos. Toda a situação concentra-se num diálogo longo entre o Juiz que não é outro que Jesus ressuscitado e dois grupos de pessoas: os que aliviaram o sofrimento dos mais necessitados e os que viveram negando-lhes a sua ajuda. Ao longo dos séculos os cristãos viram neste diálogo fascinante "a melhor recapitulação do Evangelho", "o elogio absoluto do amor solidário" ou "a advertência mais grave a quem vive refugiado falsamente na religião". Vamos assinalar as afirmações básicas.

Sem exceção, todos os homens e mulheres serão julgados pelo mesmo critério. O que dá um valor imperecível à vida não é a condição social, o talento pessoal ou o êxito conseguido ao longo dos anos. O decisivo é o amor prático e solidário aos necessitados de ajuda.

Esse amor se traduz em atos muito concretos. Por exemplo, "dar de comer", "dar de beber", "acolher o emigrante", "vestir o nu", "visitar os doentes ou os presos". O decisivo ante Deus, não são as ações religiosas, mas estes gestos humanos de ajuda aos necessitados. Podem brotar de uma pessoa crente ou do coração de um agnóstico que pensa nos que sofrem.

O grupo dos que ajudaram os necessitados que foram encontrandos no seu caminho, não o fizeram por motivos religiosos. Não pensaram em Deus nem em Jesus Cristo. Simplesmente procuram aliviar um pouco o sofrimento que há no mundo. Agora, convidados por Jesus, entram no reino de Deus como "benditos do Pai".

Por que é tão decisivo ajudar os necessitados e tão condenável negar-lhes ajuda? Porque, segundo revela o Juiz, o que se faz ou o que se deixa de fazer a eles, está-se a fazer ou a deixar de fazer a Deus encarnado em Cristo. Quando abandonamos um necessitado, estamos a abandonar a Deus. Quando aliviamos o seu sofrimento, estamos a fazê-lo com Deus.

Esta surpreendente mensagem coloca-nos a olhar os que sofrem. Não há religião verdadeira, não há política progressista, não há proclamação responsável dos direitos humanos se não é defendendo aos mais necessitados, aliviando o seu sofrimento e restaurando a sua dignidade.

Em cada pessoa que sofre Jesus sai ao nosso encontro, olha-nos, interroga-nos e suplica-nos. Nada nos aproxima mais Dele que aprender a olhar demoradamente o rosto dos que sofrem, com compaixão. Em nenhum lugar poderemos reconhecer com mais verdade o rosto de Jesus.


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