Dura crítica de Umberto Eco ao papa: "Não é um grande teólogo". Jornalista ironiza: "Naturalmente Eco é um grande teólogo"

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22 Setembro 2011

"Eu não acredito que Ratzinger seja um grande filósofo, nem um grande teólogo, embora ele seja normalmente representado como tal". A afirmação, a poucos dias do início da viagem de Bento XVI à Alemanha, é de Umberto Eco, entrevistado pelo jornal alemão Berliner Zeitung, nas bancas de ontem.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no jornal Corriere della Sera, 20-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"As suas polêmicas, a sua luta contra o relativismo são, a meu ver, simplesmente muito grosseiras", comentou Eco, referindo-se ao Papa Ratzinger. "Nem mesmo um estudante da escola fundamental as formularia como ele. A sua formação filosófica é extremamente fraca".

Para argumentar sobre o seu julgamento, Eco se refere precisamente à questão do relativismo, que esteve no centro da abordagem de Ratzinger ao declínio da cultura ocidental e particularmente europeia. Em uma resposta dirigida ao seu entrevistador, Eco disse: "Em seis meses, eu poderia lhe organizar um seminário sobre o tema. E você pode ter certeza: no fim, eu apresentaria pelo menos 20 posições filosóficas diferentes sobre o relativismo. Colocá-las todos juntas, como faz o Papa Bento, como se houvesse uma posição unitária, é, para mim, extremamente ingênuo".

Eco, por fim, também fez uma comparação com João Paulo II, defendendo que, depois do Papa Wojtyla, seria difícil para Ratzinger ser uma "grande estrela".

"Naturalmente, Eco é um grande filósofo e um grande teólogo!", comenta com uma pitada de ironia Jorg Bremer, o vaticanista do Frankfurter Allgemeine Zeitung, que, há alguns dias, entrevistou o papa em Castel Gandolfo. "Eu estive com a Sua Santidade e vi em primeira mão, junto com o editor Manuel Herder, a mostra que, organizada pela Livraria Editora Vaticana, pela primeira vez, reúne as capas de 600 edições diferentes de obras publicadas em 25 países nos 50 anos de atividade científica do teólogo Joseph Ratzinger, uma exposição que se mudará para a sede da editora, em Friburgo, por ocasião da visita que o papa fará à Alemanha de quinta-feira a domingo. Eu me pergunto: é este o teólogo e o filósofo com uma educação muito fraca?".

Bremer, que é de religião protestante, defende que "os dois pilares do pensamento de Ratzinger são, de um lado, a teologia do dogma católico, de outro, o método e "ratio" de Platão" (que lutou toda a sua vida para demolir o edifício relativista dos sofistas e para substituí-lo com um sistema que tornasse possível um conhecimento certo).

A luta contra o relativismo e as suas consequências que tornam "sem raízes" a construção da Europa foi o leitmotiv de todo o pontificado de Ratzinger que, ainda no dia 18 de abril de 2005, na homilia da "Missa pro eligendo Pontifice", afirmava: "Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, o deixar-se levar "aqui e lá por qualquer vento de doutrina", parece ser a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades".

 

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