Os japoneses reprovam a falta de transparência do Governo

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29 Março 2011

Os silêncios e os erros cometidos pela Tokyo Electric Power (Tepco), empresa responsável pela central nuclear de Fukushima I, se somaram às acusações de falta de transparência do Governo do primeiro-ministro, Naoto Kan, desde que começou a crise atômica desencadeada pelo terremoto e o tsunami de 11 de março passado.

A reportagem é de José Reinoso e está publicada no jornal El País, 29-03-2011. A tradução é do Cepat.

De acordo com uma pesquisa publicada no domingo passado pela agência de notícias Kyodo, 58% dos japoneses desaprovam a gestão do desastre de Fukushima por parte do Governo, ainda que mais de 50% vejam de forma favorável os esforços de resgate e ajuda às vítimas da tragédia.

O Executivo japonês foi criticado por não proporcionar informações suficientes sobre o que aconteceu na central atômica, resultado, por um lado, de sua tradicional falta de transparência e, por outro, pelo fato de que o próprio Governo recebeu algumas vezes as informações com atraso da Tepco; a tal ponto que, no dia 15 de março, quando aconteceu uma explosão na central, Kan exclamou: "Que demônios está acontecendo?", por ter sido informado apenas uma hora depois, quando a notícia já estava na televisão.

O mal-estar em Embaixadas estrangeiras, organismos internacionais e os próprios japoneses pela falta de transparência aumentou a pressão sobre o Executivo à medida que os dias passavam e foram anunciados novos alarmes, como as explosões na central, e a radioatividade em água e alimentos. Tóquio mudou o passo, e agora é possível consultar os níveis de radiação em todo o país em páginas oficiais da internet e há coletivas de imprensa e comunicados diários do Governo e da Tepco.

Mas a recente chuva de informações é muito técnica, carece de contexto e é difícil de ser compreendida por um neófito nuclear. "As pessoas estão tremendamente confusas. Não se explicou de forma adequada o que é a radiação. (O Governo) falhou na comunicação", afirmou nesta segunda-feira em Tóquio Robert Peter Gale, professor na Imperial College de Londres e um dos maiores especialistas do mundo em câncer, imunologia e radiação.

"A disponibilização, agora, de dados minutos a minuto não ajuda a população. Nas minhas reuniões com funcionários do Governo, disse-lhes que precisam criar um conselho que explique o que significam todos estes dados", disse em uma entrevista coletiva no seu retorno da zona de Fukushima. Gale, norte-americano, fez parte da equipe médica que tratou as vítimas da catástrofe nuclear de Chernobil (Ucrânia, 1986).

Antes da catástrofe de 11 de março, Kan estava submetido a grande pressão por parte da oposição para que convocasse eleições antecipadas, e os críticos dentro de seu próprio partido queriam que renunciasse. Depois, a pressão se dissolveu porque seus oponentes não queriam dar a impressão de que estavam aproveitando o desastre para tirar vantagem política.

Mas a trégua está se evaporando. A renúncia de Kan poderia abrir o caminho para uma coalizão renovada e romper o ponto morto parlamentar em que se encontram as tentativas para resolver os problemas da falta de dinamismo econômico e a elevada dívida pública. Alguns analistas se perguntam se seu substituto – que seria o sexto primeiro-ministro desde 2006 – faria melhor. O índice de aprovação de Kan passou dos 20% em meados de fevereiro para mais de 28%.

 

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