Emergência climática: Covid e conflitos condenam mais 20 milhões à fome

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18 Outubro 2021

 

A confirmação do retrocesso na luta contra a desnutrição, denunciado por Avvenire há meses, vem do Índice Global da Fome (Ghi), um dos principais relatórios internacionais sobre a situação país a país, apresentado pela Fundação Cesvi, que há 35 anos trata da infância e das categorias sociais mais vulneráveis.

A reportagem é de Federica Ulivieri , publicada por Avvenire, 15-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Até alguns anos atrás, o índice Ghi havia sinalizado um declínio constante. Em 2020, porém, o percentual da população desnutrida voltou a crescer, afastando assim o objetivo “Fome Zero” fixado pelas Nações Unidas para 2030. O índice da fome é baseado em 3 indicadores: ingestão calórica insuficiente, referente tanto a crianças quanto adultos; a subnutrição infantil, que registra definhamento e retardo de crescimento; mortalidade infantil. Com base nesses critérios, foram identificadas 155 milhões de pessoas em estado de insegurança alimentar aguda, 20 milhões a mais do que em 2019. Um aumento causado por três fatores: conflito armado, mudança climática e a pandemia de Covid-19.

De acordo com o índice Ghi, o Sul da Ásia é uma região de risco, pois apresenta "altos" níveis de fome (conforme definido pelo relatório); mas a África continua sendo o continente mais problemático. A situação em que se encontra a Somália, o país mais crítico, é considerada "extremamente alarmante". “Alarmante” também é a situação em nove países do continente: República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Iémen, Burundi, Comores, Síria, Sudão do Sul e Madagáscar.

“É claro que a luta contra a fome está indo perigosamente fora de rumo - denunciou Gloria Zavatta, presidente da Fundação Cesvi - os conflitos são” a “causa da fome no mundo”. A maioria dos países com altos índices de desnutrição, de fato, são aqueles em que há conflitos e os dados do índice de desnutrição confirmam isso. Oito dos nove países onde há níveis "alarmantes" estão envolvidos em guerras. “É urgente quebrar o círculo vicioso com que fome e conflito se alimentam, porque sem paz dificilmente conseguiremos eliminar a fome no mundo e sem segurança alimentar não haverá paz duradoura”, continua Gloria Zavatta. Essa perigosa conexão também põe em risco o futuro: prevê-se um aumento das pessoas desnutridas entre agora e 2030. Serão 47 países que não conseguirão atingir um nível baixo de fome até 2030; 28 deles estão na África Subsaariana.

“Uma projeção recente da FAO mostrou como, pelo efeito da pandemia, em 2030 haverá 657 milhões de pessoas desnutridas- afirmou Maurizio Martina, vice-diretor geral da agência da ONU para a alimentação e a agricultura -. Trata-se de 8% da população mundial, 30 milhões de pessoas a mais do que em um mundo sem o coronavírus”. Maurizio Martina destaca como o objetivo “Fome Zero” para 2030 esteja se afastando, mas não é impossível alcançá-lo: “São necessários de 40 a 50 bilhões de dólares anuais de investimentos direcionados, em projetos que vão atuar, ponto a ponto, sobre áreas problemáticas. Precisamos de uma mobilização extraordinária de recursos. Oito anos são realmente poucos, mas temos que tentar”.

Para quebrar a cadeia de ligação entre guerra e fome, é indispensável planejar conhecendo bem o território, afirma o vice-diretor-geral da FAO. A agência das Nações Unidas, por exemplo, está trabalhando em 20 cisternas no Sahel, para fornecer uma ajuda de infraestrutura de longa duração para a proteção do território e, assim, agir sobre o drama da desertificação, que está na base dos grandes fluxos migratórios dos últimos anos.

 

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