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01 Julho 2021

 

Nunca foi tão baixo o número de pessoas com trabalho

“O número de pessoas com algum trabalho jamais foi tão baixo desde que o IBGE mudou a maneira de contar a população ocupada, em 2012. No trimestre encerrado em abril, havia 85,9 milhões de pessoas ocupadas. O pior resultado anterior era de 88,4 milhões, em 2012. Mas, nesse ano, o número de adultos era 20 milhões menor, por aí” – Vinicius Torres Freire, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Despiora

‘De um ponto de vista frio, é possível dizer que há recuperação do terreno perdido. A despiora pode ganhar velocidade caso o país não importe a variante delta do vírus ou não crie seu próprio bicho ruim, se não tiver apagão, se não faltar mais vacina ou se as imundícies do governo Jair Bolsonaro não causarem tumulto político maior. Ou seja, no fim do ano ou em 2022, pode ser que exista menos gente sofrendo do que agora” – Vinicius Torres Freire, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Copo manchado de sangue

“Parece que se discute se um copo manchado de sangue está meio cheio ou meio vazio. Além disso, o futuro parece mais nebuloso do que de costume, não só por causa das incertezas sanitárias e políticas mas porque pode ser que alguns tipos de trabalho tenham desaparecido de vez e a precarização tenha aumentado. De um ponto de vista frio, ressalte-se, e apolítico, a coisa despiora. Entre tantas dúvidas, resta saber se as pessoas que arrumarem um trabalhinho não terão pegado raiva resistente, talvez deste governo também” – Vinicius Torres Freire, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Dismorfia institucional

“Ainda não houve impeachment por uma única razão: dismorfia institucional; nos olhamos no espelho e fingimos sermos uma democracia capaz de processar 516 mil mortes e seus responsáveis, mas não somos. Arthur Lira concentra poder ao ignorar 120 pedidos de impeachment, vejamos se será capaz de desprezar o último superpedido. Rodrigo Pacheco concentrava poder ao ignorar a CPI da Covid, que só existe porque o STF leu a Constituição. Augusto Aras concentra poder ao aplicar a Constituição do Império, e não a de 1988” – Thiago Amparo, advogado, professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP, doutor pela Central European University (Budapeste) – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Lear e Bolsonaro

“O mesmo princípio que inventou o impeachment ilumina as atuais deformidades da nossa democracia: sobra concentração de poder, falta porosidade. Lembro aqui de Shakespeare em Rei Lear, convenientemente uma peça sobre um tirano enlouquecido: “Crês que o dever deve calar quando o poder se curva à adulação? Se um rei cai na loucura, é uma honra ser franco”. A franqueza, hoje, exige retirar o presidente, e investigar se vendeu 500 mil vidas por 5 reais cada uma. A diferença entre Lear e Bolsonaro é que um era insano; o outro sabe muito bem o que faz” – Thiago Amparo, advogado, professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP, doutor pela Central European University (Budapeste) – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Impeachment une Joice Hasselmann, Kim Kataguiri e petistas

“Em 2018, Joice Hasselmann disse que queria ser "o Bolsonaro de saias". "A gente tem almas parecidas", afirmou, entre o primeiro e o segundo turno daquela eleição. Na mesma época, o ativista Kim Kataguiri declarou voto no candidato do PSL para derrotar a "ameaça à democracia" que enxergava no PT. A dupla se juntou a petistas, movimentos estudantis e outros oposicionistas para pedir o impeachment do presidente nesta quarta (30). Joice disse que não votaria em Bolsonaro "nem com uma arma na cabeça", e Kataguiri afirmou que era preciso derrubar "um dos presidentes mais criminosos da história" – Bruno Boghossian, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Momento mais delicado. Bolsonaro é do centrão

“O governo atravessa seu momento mais delicado, mas conserva uma estabilidade singular graças aos acordos no Congresso. As suspeitas de corrupção que surgiram até agora na compra de vacinas devem afastar outros Joices e Kataguiris, mas não fizeram efeito em outros círculos políticos. Bolsonaro é do centrão” – Bruno Boghossian, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Ladrão de galinha pulando o muro

“A ideia de um deputado federal pulando muros como um ladrão de galinha deixa mal o Congresso e pior ainda o governo que ele defende — não por acaso, o de Jair Bolsonaro. Mas é perfeita para descrever o próprio governo, repetente em pular muros e pulá-los de volta diante das suspeitas, acusações e provas de suas sujeiras. Inúmeros pilantras que o compõem já tiveram oportunidade de fazer isso, dizendo e desdizendo-se ao se verem flagrados. O pulo de volta, nesses casos, é alegar um engano, atribuindo-o a um bagrinho escalado para o sacrifício” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Bolsonaro banana

“Há dias, quando o país sentiu indisfarçável cheiro de rato numa compra de vacinas por R$ 1,6 bilhão pelo Ministério da Saúde, Bolsonaro apelou para um covarde mimimi: “Não tenho como saber o que acontece nos ministérios!”. Ao pular o muro de volta, denunciou-se. É um presidente banana” – Ruy Castro, jornalista e escritor – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Tragédia shakespeariana para Lula

"A tragédia de Bolsonaro está virando uma tragédia shakespeariana para Lula. (...) Denunciar ou não? Pedir impeachment ou não? Este ser ou não ser é um oportunismo estratégico muito perigoso. Ou Lula resolve suas contradições ou elas vão lhe devorar. (...) Não fala nada porque na hora que ele falar em corrupção a turma manda ver [Antonio] Palocci, Sérgio Machado, Eunício Oliveira... Manda ver Ricardo Barros, que era vice-líder do governo Lula", escreveu o pedetista em suas redes sociais” – Ciro Gomes, PDT, presidenciável – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

#3 de julho – Participar ou não participar?

"Não vai ser com Twitter, vídeo de YouTube ou com essa CPI que o Bolsonaro vai cair. Só vai cair tendo rua. Se não tiver rua, o Bolsonaro não cai. A esquerda está na rua, está capitaneando o processo. E a esquerda tem teto. Não consegue trazer pessoas até despolitizadas que estão indignadas. (...) Sou minoritário no MBL nisso, mas sou favorável a ir às ruas. Acho que as pessoas estão trabalhando, indo em restaurantes, estão vivendo as vidas delas. Não acho que ir à manifestação será o que vai gerar o boom de infecções. O boom de infecções é gerado pela permanência de Jair Bolsonaro no poder. (...) É uma pequena janela, muito estreita, que temos para formar essa decisão" – Renan Santos, fundador do MBL – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Recado direto

“Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, não se opõe à participação do centro e até do centrão no palanque das manifestações contra Bolsonaro marcadas para o sábado. Entretanto, espera… sinalização. “Não se trata de tirar bandeiras, mas de colocar todas as outras. Em 1984 (nas Diretas) foi assim” – Sônia Racy, jornalista – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Notícia-crime

“Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) enviaram ao Supremo Tribunal Federal, na segunda-feira passada, uma notícia-crime pedindo a abertura de inquérito para investigar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime de prevaricação. Na atual conjuntura, a iniciativa dos senadores tem escassas chances de prosperar, mas tem o mérito de deixar claro quem está cumprindo seu papel constitucional e quem está apenas servindo aos interesses do presidente Bolsonaro” – editorial “O dever de cada um” – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Escândalo grave e a cumplicidade

“O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a quem cabe analisar o requerimento de prorrogação da CPI da Pandemia – que já obteve o número necessário de assinaturas –, informou que só o fará ao final do prazo atual de funcionamento, em 7 de agosto. As novas denúncias, que envolvem diretamente o presidente da República, demandam a continuidade das investigações, mas o senador Pacheco – que era contrário à CPI e só a instalou por ordem do Supremo – continua inclinado a dar uma força ao governo. Diante de um escândalo tão grave, aqueles que têm algum papel em sua elucidação têm o dever cívico e moral de o cumprir. Não fazê-lo, para proteger quem quer que seja, equivale a ser cúmplice” – editorial “O dever de cada um” – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Silêncio covarde e anticristão

“Quantos têm sangue nas mãos? Quantos dos que têm sangue nas mãos vão ficar em liberdade? E quantos mais vão continuar a ser bem-vindos nos restaurantes frequentados pelas elites de Brasília e Washington? O silêncio covarde e anticristão de Carlos Wizard Martins, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, pode ser protegido pela Constituição, mas vai contra os preceitos da religião na qual ele foi designado um missionário” – Lúcia Guimarães, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Silêncio ensurdecedor. Um achincalhe ao cristianismo

“O silêncio de evangélicos brancos americanos diante da depravação de um presidente acusado — com credibilidade — de estupro e assédio sexual foi ensurdecedor, um achincalhe ao cristianismo. E só aumentou quando o mesmo presidente trancou crianças em jaulas na fronteira, celebrou o apoio de neonazistas, demonizou religiões, grupos raciais e, por fim, promoveu a morte de americanos, mentindo sobre a pandemia, tomando medidas que o tornam responsável por boa parte das 604 mil mortes” – Lúcia Guimarães, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Quem silenciou não pode ter paz

“No momento, não há qualquer sinal de que Trump possa um dia vestir um macacão laranja. Mas a destruição que ele iniciou em 2017 e Bolsonaro imitou, a partir de 2019, não vai ser reparada apenas com algemas. Os que ficaram em silêncio não podem ter paz” – Lúcia Guimarães, jornalista – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Quanto vale?

“Quanto vale o silêncio de Wizard? Infelizmente, já sabemos quanto valeu o silêncio de cada vida que perdemos” – Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP), sobre o depoimento de empresário na CPI – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Linha de blindagem em torno de Jair Bolsonaro

“A aparente mudança na estratégia governista de empurrar Eduardo Pazuello e Élcio Franco para o torvelinho do caso Covaxin tem por objetivo traçar a linha de blindagem em torno de Jair Bolsonaro. Imputar prevaricação à antiga cúpula da Saúde rende a ela, na pior da hipóteses, de três meses a um ano de prisão e multas. Porém, colar prevaricação no presidente pode significar crime de responsabilidade e, portanto, ensejar o impeachment de Jair Bolsonaro. É esta a leitura de parlamentares que conhecem bem o governo e têm trânsito no Planalto” – Coluna do EstadãoO Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Benefício da dúvida

“Há um discurso benevolente entre aliados de Pazuello e militares, até os mais críticos ao ex-ministro, de que o general da ativa não se envolveu diretamente com corrupção. Ao menos, até prova em contrário” – Coluna do Estadão – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

  

Mezzo… …a mezzo?

“O governo Jair Bolsonaro tenta jogar no colo do DEM ou, no mínimo, dividir com o partido a fatura do caso Covaxin. Assessores palacianos e deputados da base lembram a todo momento que Roberto Dias, ex-diretor da Saúde que supostamente teria cobrado propina, foi indicado em 2019, na gestão de Luiz Henrique Mandetta, por Abelardo Lupion (PR)” – Coluna do Estadão – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Xi… Nem a pau

“O servidor afastado também contaria com o apoio político do senador Davi Alcolumbre (AP). Mandetta não se intimida. 'É um governo perdido. Enquanto eu fazia reunião com Sérgio Moro e com Maurício Valeixo no Ministério da Saúde, Bolsonaro estava fazendo reunião com o Centrão', diz o ex-ministro da Saúde. Mandetta confirma que Abelardo levou Dias para o governo. Segundo ele, é preciso investigar eventuais irregularidades: 'A pessoa entrou para trabalhar no ministério pela porta da frente, pelo currículo, porque tinha conhecimento especializado em logística'” – Coluna do Estadão – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Na cartela

“Se tudo der errado, haverá para o Planalto a opção de “rifar” Ricardo Barros, claro. O líder, inclusive, não contaria com o apoio total de seu partido, o PP, para se manter no cargo. O custo político, no entanto, é muito alto” – Coluna do Estadão – O Estado de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Variante delta da Covid

“Os serviços de saúde pública do mundo inteiro querem saber: 1) A delta se dissemina, de fato, mais depressa do que as três mais contagiosas em circulação pelo mundo, surgidas no Reino Unido, na África do Sul e em Manaus? 2) A doença provocada por ela é mais agressiva? 3) Qual o padrão das mutações que facilitam disseminação tão rápida? 4) As vacinas disponíveis têm eficácia contra ela?” – Drauzio Varella, médico – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Vacinação em massa

“Um vírus que, em um ano e meio de pandemia, conseguiu produzir variantes cada vez mais contagiosas, precisa ter sua disseminação interrompida. Essa tarefa depende de duas estratégias: vacinação em massa e adesão às medidas de prevenção recomendadas desde o início da pandemia, higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. Num país como o nosso, em que o ritmo das vacinações é lento, temos de reforçar a prevenção. O uso de máscara precisa ser promovido e incentivado exaustivamente por campanhas educativas, como fizemos no passado com a camisinha na prevenção à Aids” – Drauzio Varella, médico – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

 

Seleção natural é imprevisível

“Esse coronavírus demonstrou habilidade para criar variantes mais contagiosas, que aumentam o número de mortes como consequência do maior número de pessoas infectadas. Até aqui, por sorte, não surgiu uma cepa resistente às vacinas, claramente mais virulenta e letal. É muito cedo para relaxar. Como nos ensinou Charles Darwin, a seleção natural é sobretudo imprevisível” – Drauzio Varella, médico – Folha de S. Paulo, 01-07-2021.

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