Escolas e universidades jesuítas devem estar à frente na justiça ambiental, dizem decanos

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02 Julho 2021

 

No momento em que comunidades globais procuram soluções para a mudança climática e outras ameaças ambientais, as universidades jesuítas devem liderar pelo exemplo e prover educação focada na criação de um mundo mais justo e sustentável, disse uma decana da Loyola University de Chicago, em uma conferência recente.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada por Earth Beat, caderno do National Catholic Reporter, 30-06-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Nancy Tuchman, decana da Escola de Sustentabilidade Ambiental da Loyola University, disse que as diretrizes do Papa Francisco e da Companhia de Jesus sobre o cuidado com a Criação de Deus torna crucial que instituições jesuítas de ensino coloquem esses princípios em prática nos seus campi e currículos. Isso incluindo aderir à nova iniciativa de ação ecológica do Vaticano e fazer da sustentabilidade ambiental uma lição básica para todos os estudantes, acrescentou.

“Estamos sendo chamados por muitos de nossos líderes jesuítas e católicos para realmente nos tornarmos universidades jesuítas e levar isso adiante e colocar em ação”, disse Tuchman.

Os alunos devem ser ensinados sobre as crises ambientais que o mundo enfrenta, disse ela. “É um desserviço para a humanidade, é um desserviço para a sociedade sermos alunos que nunca ouviram falar sobre mudança climática em seus quatro anos de ensino superior e, pior ainda, se eles se formarem como negacionistas do clima”.

Tuchman falou em 24 de junho durante a sessão plenária final da conferência Compromisso com a Justiça no Ensino Superior Jesuíta, organizada virtualmente este ano pela Georgetown University durante vários dias em junho.

A conferência foi a sexta desde 2000, quando o então superior-geral Peter-Hans Kolvenbach, em um discurso na Santa Clara University, desafiou as universidades jesuítas a integrarem “o serviço da fé e a promoção da justiça” em suas missões acadêmicas. A iteração de 2021, que coincidiu com o 500º aniversário da conversão do fundador jesuíta Santo Inácio de Loyola, foi a primeira a incluir a justiça ambiental em sua agenda.

Chamando a degradação ambiental de “o grande desafio existencial do século XXI”, Tuchman disse que também é uma questão de justiça por causa do impacto desproporcional da poluição, secas, inundações e outras ameaças ambientais sobre as pessoas que são pobres e marginalizadas, gerações futuras e espécies não humanas.

A mudança climática já desloca dezenas de milhões de pessoas anualmente – um número que deve aumentar em meados do século. A mineração e o desmatamento expulsaram ainda mais os povos indígenas de suas terras ancestrais, muitas vezes deixando as terras envenenadas com produtos químicos tóxicos. Em áreas urbanas, a poluição de aterros e depósitos de resíduos perigosos tem maior probabilidade de estar localizada perto de comunidades negras.

E embora alguns países continuem a consumir recursos naturais a taxas insustentáveis, é apenas porque muitas pessoas vivem na pobreza que o planeta ainda não ultrapassou seus limites, disse Tuchman. Alguns estudos sugerem que até cinco Terras seriam necessárias para sustentar o padrão de vida dos EUA para todos no planeta.

As conexões entre degradação ambiental e pobreza são temas-chave para Francisco ao longo de seu papado, particularmente em sua encíclica Laudato Si', sobre o cuidado da nossa casa comum, de 2015. Nesse documento de ensino, ele pediu a todas as pessoas “que ouçam tanto o grito da terra como o grito dos pobres”.

Em 2016, a Companhia de Jesus adotou quatro preferências apostólicas universais, entre elas cuidar da nossa casa comum. No discurso de abertura da conferência deste ano, em 8 de junho, o padre Arturo Sosa, superior-geral jesuíta, disse que essas preferências “não são prioridades que contrapõem um tipo de trabalho apostólico a outro”, mas ações inter-relacionadas que funcionam juntas como dedos em uma mão.

“São atitudes que devem caracterizar todo e qualquer trabalho jesuíta”, disse ele.

Sosa disse que após a pandemia do coronavírus – que ele comparou à bala de canhão que atingiu Santo Inácio de Loyola durante uma batalha em 1521 e desencadeou sua conversão pessoal – serão os jovens que “construirão uma nova narrativa de esperança”, e as escolas jesuítas podem oferecer-lhes as ferramentas “para abrir um novo caminho”.

O superior-geral disse que as preferências apostólicas fornecem um roteiro para uma sociedade mais justa que “reconheça a fragilidade do planeta, que luta para acabar com o desperdício de recursos, o esgotamento de nossas florestas, oceanos e lagos, e que melhor cuide de todos os nossos recursos naturais, com o objetivo de deixar um ambiente melhor para quem nos sucederá”.

Nos EUA, escolas jesuítas como Loyola Chicago, Santa Clara e Seattle University estão na vanguarda da ação ambiental entre as instituições católicas, e várias faculdades católicas tomaram medidas para reduzir suas pegadas de carbono, despojar-se de combustíveis fósseis e expandir a educação sobre o meio ambiente e Laudato Si'.

Tuchman destacou que pesquisas com calouros ingressantes na Loyola Chicago têm mostrado regularmente que seu compromisso com o meio ambiente é um fator importante na escolha da escola. Uma pesquisa internacional da Amnistia Internacional em 2019 concluiu que as mudanças climáticas foram um dos principais problemas da Geração Z, juntamente com a poluição e a perda de recursos naturais.

Tuchman, que é bióloga especializada em ecologia aquática, disse que as universidades jesuítas não podem deixar as questões da mudança climática e da degradação ambiental apenas para as ciências. Ela exortou as escolas a integrá-los em todas as disciplinas e tornar a sustentabilidade ambiental parte do currículo básico para todos os alunos.

“Nunca iremos apresentar soluções ambientais se apenas pensarmos sobre isso através das lentes da ciência ou da ciência da ecologia”, disse ela.

Os campos da engenharia, saúde humana, ciência política, ética, religião e negócios têm papéis a desempenhar no desenvolvimento de soluções ambientais justas, disse Tuchman.

Em particular, ela recomenda que as escolas jesuítas de negócio liderem uma mudança de paradigma do mainstream, do modelo linear de negócios baseado no crescimento infinito para um modelo circular e regenerativo, que faz melhor uso dos recursos limitados do planeta.

“Esse modelo de crescimento infinito está fundado em um planeta de recursos finitos, então não é sustentável”, disse. “E o que nós estamos fazendo efetivamente hoje é roubar o futuro, vendendo isso no presente e nós estamos chamando de produto interno bruto”.

Junto com a educação, Tuchman disse que os campi também devem colocar a sustentabilidade em prática. Ela encorajou todas as escolas jesuítas a aderirem à Plataforma de Ação Laudato Si', que o Vaticano apresentou em maio para encorajar todos os setores da Igreja Católica a trabalhar em direção a sete conjuntos de metas de sustentabilidade no espírito da encíclica de Francisco.

“É realmente um chamado para incorporarmos a sustentabilidade ambiental na missão da universidade, nos planos estratégicos de nossas organizações e, certamente, no currículo e nas operações do campus”, disse Tuchman, que fez uma breve apresentação da seção da plataforma destinada a universidades, que a Loyola Chicago está ajudando a desenvolver.

O reitor disse que em Laudato Si', Francisco falou da importância da educação ambiental para facilitar uma ética ecológica que ajude as pessoas a crescerem em solidariedade com a Terra e na responsabilidade de cuidar dela. Essa necessidade nunca foi mais urgente, disse Tuchman.

“Se não formos capazes de proteger nosso planeta, se não conseguirmos nos livrar dos combustíveis fósseis e continuarmos impulsionando as mudanças climáticas, a Terra se tornará inabitável para todas as suas formas de vida, incluindo os humanos”, disse ela. “E, portanto, este é realmente um problema enorme que, absolutamente, temos de enfrentar”.

 

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