Líder dos jesuítas chineses é nomeado novo bispo de Hong Kong

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17 Mai 2021

 

Em um movimento surpresa, depois de uma busca que demorou mais de dois anos, o Papa Francisco nomeou o jesuíta Stephen Chow Sal-yan, de 61 anos, o provincial da Província Chinesa dos Jesuítas, como o nono bispo católico de Hong Kong.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 17-05-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O Vaticano fez o anúncio da nomeação hoje cedo, 17-05. A diocese estava sem bispo desde 03 de janeiro de 2019, quando o bispo Michael Yeung Ming-cheung morreu, com apenas 17 meses à frente da diocese. O cardeal John Tong Hon, 80, que sucedeu o cardeal Joseph Zen e foi o bispo de Hong Kong anterior a Yeung, está servindo como administrador apostólico da diocese desde então, inclusive no turbulento período político em que Hong Kong perdeu suas liberdades democráticas, as quais havia garantido na troca do Reino Unido com a República Popular da China em 1997, quando Pequim impôs uma lei de segurança nacional, em junho de 2020.

Muitos especularam que a demora na nomeação de um novo bispo estava ligada às dificuldades do Vaticano com Pequim. Mas uma autoridade vaticana, respondendo a uma questão da America, negou isso. Ele confirmou que a Santa Sé não consultou Pequim sobre a nomeação do bispo para Hong Kong. Ele explicou que apesar do fato de a Santa Sé ter “a política de uma só China”, não consulta Pequim sobre as nomeações para Macau, Hong Kong ou Taiwan, tampouco essas três áreas estão na jurisdição do acordo provisório assinado entre o Vaticano e Pequim em setembro de 2018 e que foi renovado em outubro de 2020.

A nomeação de Chow surpreendeu muitos, depois de dois anos considerando a discussão no Vaticano e em outros lugares sobre quem poderia ser a melhor escolha. Vários nomes foram mencionados, mas o seu não estava inicialmente entre eles, disse uma fonte a America. De fato, em pelo menos uma ocasião, parecia que o Vaticano havia decidido por um candidato, mas nenhum bispo foi nomeado, para a decepção de muitos católicos em Hong Kong.

O Vaticano demorou a encontrar o homem que considera mais adequado para este cargo desafiador e difícil. A nomeação vem na esteira da mais séria crise política em Hong Kong desde a transferência do poder em 1º de julho de 1997, na qual a Igreja envolveu tantos católicos, incluindo alguns proeminentes – como Martin Lee, o pai do movimento democrático, e Jimmy Lai, o magnata da mídia – estiveram envolvidos pacificamente no movimento democrático e foram presos. Vários foram condenados em tribunais e cumprem penas na prisão.

Parece que o Vaticano estava procurando um candidato que não foi abertamente identificado com os protestos democráticos dos últimos anos em Hong Kong e, portanto, não seria visto como um desafio político a Pequim. Fontes dizem que certamente estava procurando por um líder espiritual forte, que conheça bem a situação, um homem comprometido com o diálogo, que pudesse dar uma boa liderança à Igreja em Hong Kong e promover a reconciliação nestes tempos difíceis e nos próximos anos, e acredita ter encontrado isso no provincial jesuíta da província chinesa.

Hong Kong, uma área metropolitana e região administrativa especial da China, é cerca de 110 vezes menor que Nova York, mas é um dos lugares mais densamente povoados do mundo. Tem uma população de 7,5 milhões de pessoas. O bispo eleito Chow irá liderar uma diocese de 626 mil católicos servida por 71 padres diocesanos e 214 outros padres residentes que são membros de ordens religiosas, que ministram em 52 paróquias e 100 igrejas, e 253 institutos educacionais (escolas, etc.). Há também 336 membros de institutos religiosos masculinos e 441 membros de institutos religiosos femininos. (Estatísticas do Annuario Pontificio, 2021). A diocese tem um bispo auxiliar: dom Joseph Ha Chi-shing, O.F.M.

O bispo eleito Chow nasceu em Hong Kong em 7 de agosto de 1959 e, como todos os seus predecessores desde 1969, é chinês. Ele obteve o título de mestre em educação e psicologia em 1984 pela Universidade de Minnesota. Ingressou na Companhia de Jesus em setembro do mesmo ano, aos 25 anos, e fez o noviciado em Dublin, Irlanda. Depois de obter a licenciatura em filosofia em Dublin, ele emitiu os primeiros votos em 27 de setembro de 1986.

Ao voltar para casa, ele ensinou no colégio Wan Yan, administrado pelos jesuítas, em Kowloon, de 1988 a 1990, e depois estudou teologia no Seminário do Espírito Santo em Hong Kong de 1990 a 1993. Foi ordenado padre pelo cardeal John Baptist Wu em catedral da Imaculada Conceição, Hong Kong, em 16 de julho de 1994. No ano seguinte, ele foi para a Loyola University, em Chicago, para fazer mestrado em desenvolvimento organizacional.

De 1996 a 2000, ele ensinou, fez trabalho de capelania e foi gerente de escola no Wah Yan College, em Kowloon. Depois do doutorado em psicologia e desenvolvimento humano pela Universidade de Harvard em 2006, ele fez seus votos finais como jesuíta no ano seguinte. Ele então passou a servir como supervisor dos colégios jesuítas Wah Yan, em Hong Kong e Kowloon, de 2006 a 2021.

O padre Chow participou da 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus, na qual o padre Arturo Sosa foi eleito superior-geral dos Jesuítas em 14 de outubro de 2016.

Em 2017, o padre Sosa nomeou o padre Chow como provincial da província dos Jesuítas na China. Essa província inclui Taiwan, Hong Kong, Macau e a China continental. Há 168 Jesuítas a trabalhar na província, 42 dos quais vivem atualmente fora da província por motivos de estudos ou outros fins. No entanto, 28 dos 168 são jesuítas que pertencem oficialmente a outras províncias, mas trabalham hoje na província da China. Há 18 padres jesuítas e um escolástico em Hong Kong hoje, e todos, exceto 5, são chineses. Ele deixará de ser provincial assim que for ordenado bispo de Hong Kong, mas provavelmente ainda antes disso. O processo para encontrar seu sucessor como provincial começará imediatamente.

Comentando sobre a nomeação do novo bispo de Hong Kong, o padre Arturo Sosa disse em declaração: “Eu estou feliz que o padre Stephen possa continuar servindo, e desejo que ele seja sempre abençoado em seu novo ministério. Os jesuítas estão orgulhosos de nossa ligação com o povo chinês, que remete ao grande missionário Matteo Ricci, quem teve um grande respeito pela cultura chinesa”.

 

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