Terra Santa sem paz. Patriarcas e líderes das Igrejas em Jerusalém fazem declaração pela paz

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12 Mai 2021

 

As tensões em Israel estão se espalhando de Jerusalém para outras cidades. Ontem, o conflito mais sangrento entre a Faixa de Gaza e o território israelense: pelo menos 20 mortos, incluindo 9 menores. A comunidade internacional e os Patriarcas apelam às partes: acabar com a violência.

A reportagem é publicada por Vatican News, 12-05-2021.

A situação em Israel se mancha de sangue. Ontem, 250 foguetes foram lançados de Gaza em direção à área israelense além da fronteira do enclave palestino. O Estado judeu respondeu imediatamente com uma onda de ataques contra 140 alvos palestinos. O Movimento Hamas, que governa na Faixa, fala claramente de retaliação depois do que aconteceu em Jerusalém. E, além das vítimas registradas nesta circunstância, um árabe também perdeu sua vida perto de Tel Aviv durante as desordens entre manifestantes palestinos e residentes judeus. Jerusalém Oriental também continua sendo o cenário de novos confrontos entre manifestantes palestinos e a polícia israelense, com violentos conflitos ontem na Esplanada das Mesquitas. Na comunidade internacional levanta-se a voz forte da União Europeia, pedindo aos dois lados que parem imediatamente com a violência.

Foto: Toda Matéria

Declaração os patriarcas e líderes das Igrejas em Jerusalém

A violência na Mesquita Al Aqsa e em Sheikh Jarrah "viola a santidade do povo de Jerusalém e de Jerusalém como Cidade da Paz. As ações que prejudicam a segurança dos fiéis e a dignidade dos palestinos sujeitos a despejo são inaceitáveis".

É o que afirmam numa declaração os patriarcas e líderes das Igrejas em Jerusalém que se unem às preocupações também expressas, neste domingo, pelo Papa Francisco durante o Regina Coeli por causa da escalada dos confrontos entre palestinos e forças de segurança israelenses na cidade.

Os protestos foram desencadeados no meio do Ramadã pelo possível despejo de famílias palestinas da periferia de Sheikh Jarrah, perto da Cidade Velha, em benefício dos colonos israelenses. Embora a Suprema Corte israelense tenha decidido adiar o despejo, os confrontos continuam e estão se espalhando para outras cidades. Ontem à noite, em Jerusalém, jovens manifestantes atiraram pedras na polícia israelense, que respondeu usando granadas e canhões de água. O confronto concentrou-se perto do Portão de Damasco, na Cidade Velha. Fontes médicas palestinas falam de vários feridos. O que acirra ainda mais os ânimos é a marcha nacionalista judaica na cidade, organizada hoje para celebrar a conquista israelense de Jerusalém Oriental em 1967.

Em sua declaração, os líderes das Igrejas de Jerusalém dizem estar "profundamente desanimados e preocupados" com estes desenvolvimentos. "O caráter especial de Jerusalém, com o status quo atual, obriga todas as partes a preservar a situação já delicada na Cidade Santa", escrevem eles. "A crescente tensão, apoiada principalmente por grupos radicais de direita, coloca em perigo a frágil realidade dentro e em torno de Jerusalém", acrescentam. Portanto, os líderes cristãos pedem "à Comunidade internacional e a todas as pessoas de boa vontade que intervenham para pôr um fim a estas ações provocatórias, bem como para continuar rezando pela paz em Jerusalém".

O apelo dos patriarcas pelo respeito ao status quo em Jerusalém e pelo fim da violência segue o apelo lançado, neste fim de semana, pelo secretário-geral interino do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reverendo Ioan Sauca, que expressou, em nome da organização ecumênica, "profundo pesar pela situação difícil das famílias palestinas de Sheikh Jarrah e pela desordem e violência desencadeadas".

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