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20 Abril 2021

 

Andrea Riccardi defende: "Para quem, como aquele que escreve, começava a estudar a história do catolicismo em meados dos anos 1970, as democracias cristãs eram o presente, enquanto o nacional-catolicismo ou o clerical-fascismo eram o passado. Hoje é o contrário”.

A reportagem é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Il Fatto Quotidiano, 19-04-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

“La Chiesa brucia. Crisi e futuro del cristianesimo”
[A Igreja queima. Crise e futuro do cristianismo,
em tradução livre] (Ed. Laterza), escrito por Andrea Riccardi

Ex-ministro técnico do governo Monti de 2011 a 2013, Riccardi é, acima de tudo, um historiador conceituado do cristianismo e fundador da influente Comunidade de Santo Egídio. Seu último ensaio intitula-se A Igreja em chamas. Crise e futuro do Cristianismo (em tradução livre, Laterza, 248 p, Euros 20) e é um precioso guia para se orientar nesta fase de crise da Igreja, onde além do declínio das vocações e dos fiéis praticantes, o pontificado do Papa Bergoglio sofre, por um lado, o impacto pandêmico sem precedentes (por exemplo, as igrejas sem missas no ano passado de meados de março a meados de maio), por outro lado o ataque virulento da direita clerical, uma minoria que faz barulho em nome de um ultrapassado sinal da Tradição e da Doutrina.

Riccardi examina os aspectos cruciais da nova questão cristã (incluindo o papel das mulheres) e sua pesquisa sobre a Igreja em chamas começa a partir de um incêndio verdadeiro, que chocou a todos, não apenas os crentes: aquele que entre 15 e 16 de abril de 2019 em Paris quase destruiu a Catedral de Notre-Dame. “Naquele momento, enquanto a basílica ardia, havia um sentimento generalizado de fim do cristianismo”. Exatamente. Politicamente, o ponto central do livro é o retorno do nacionalismo católico, não mais combinado com os fascismos do século XX, mas com os soberanismos atuais. O estudioso examina os casos da Hungria e da Polônia e no que diz respeito à Itália há a conhecida concepção mussoliniana relatada por Galeazzo Ciano, que se ajusta bem ao oportunismo de Matteo Salvini (porém nunca mencionado) em matéria de fé: "o Duce repete a sua teoria de catolicismo-paganização do cristianismo: por isso sou católico e anticristão”.

Mas a atual cisão italiana no catolicismo político - em que se opõe ao nacionalismo cruzado o modelo democrata-cristão laico e autônomo da democracia cristã que, de qualquer forma, se revelou um fracasso - ocorreu no início do milênio com a imposição aos fiéis engajados na vida pública dos chamados valores não negociáveis, hoje um traço característico do clericalismo de direita em todo o mundo. Riccardi tem o cuidado de não envolver a figura do cardeal Camillo Ruini, que causou danos consideráveis durante o longo reinado de João Paulo II.

Em compensação cita a divergência em relação ao cardeal Carlo Maria Martini. Que repetia uma coisa simples, mas que não consegue entrar nas cabeças e, principalmente, nos corações dos que lutam contra Francisco na Igreja: “O primado deve ser dado aos Evangelhos, não aos valores. Só partindo do primado do Evangelho poder-se-á dizer que os valores também poderão ser arrumados”. Uma definição brilhante para compreender as divisões dos católicos hoje. Basta pensar nos velhos “teocons” que zombam da misericórdia de Bergoglio e se refugiam na Doutrina, esquecendo o Evangelho. Em todo caso, convém precisar, o livro de Riccardi tenta se equilibrar entre os três últimos papas (Wojtyla, Ratzinger e Bergoglio) justamente em nome da evangelização.

 

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