A mãe de um garoto gay: "quem se opõe ao amor, perde"

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22 Março 2021

 

"Eles são os descartados da nossa Igreja. Devemos sanar essa chaga para sermos credíveis em denunciar os descartes da sociedade do lucro, nos colocando ao lado dos descartados da sociedade globalizada. Não o somos se tivermos os descartados em casa, e entre os descartes jogamos fora o amor de quem vive uma relação homossexual", escreve Lea Santonico, em artigo publicado por Fine Settimana, 20-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Caríssimos e caríssimas, gostaria idealmente de chegar a cada um/a de vocês, irmãs e irmãos que, dentro da Igreja Católica ou às suas margens, percorrem um caminho de fé, ou que, sentindo-se excluídos, se afastaram dela.

Estou aqui para dar testemunho de um grito de dor, aquele que ouvi do mundo ao qual sinto pertencer, como mãe de um garoto gay, o grito de cristãos homossexuais e trans e de seus pais, após o Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a bênção de casais do mesmo sexo de 15 de março: “A Igreja não tem o poder de dar a bênção às uniões de pessoas do mesmo sexo”. Distante poucos meses, da audiência em que o Papa nos acolheu, nós pais de garotos/as LGBT. Vi lágrimas de alegria brilharem nos olhos de alguns pais. Felizes, depois de anos de desorientação, dor e vergonha, por se sentirem acolhidos pelo Papa. Mas nenhum deles aceitará jamais um acolhimento que peça a seus filhos e filhas que se mutilem do seu desejo de uma vida afetiva, da alegria de construir uma relação e um futuro com a pessoa que amam. Um dia acabei dizendo: “Se houver um inferno dos homossexuais, é para lá que eu quero ir”. Então eu ouvi outras mães reservarem lugar para aquele inferno.

Inferno à parte (o discurso seria longo demais), diante de quem está disposto a arriscar a vida, mesmo aquela após a morte, por amor, não há história, não há jogo. Porque, diante do poder do amor, qualquer doutrina empalidece. Quem se opõe, perde. Que a Congregação para a Doutrina da Fé fique sabendo disso. E o meu pensamento vai para quem não vive essa experiência de pai/mãe e pessoa LGBT, como eu, caminhando junto com outros, vai para quem vive na solidão, no desespero, sem instrumentos para enfrentá-la, escondendo-se. Vai para aqueles pequeninos em cujos ombros a Congregação para a Doutrina da Fé, com suas palavras, colocou um peso insuportável, uma pedra que os esmaga.

Ao seu grito de dor não é dada nem mesmo possibilidade de ser liberado, permanecerá engasgado em sua garganta. Isso não vai nos incomodar. Volta-me à lembrança as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”. Que aquele Deus, que se faz não só próximo, mas cúmplice dos pequeninos, possa nos perdoar! E se Deus queria que seus segredos permanecessem guardados no coração dos pequeninos, devemos aprender a ler aqueles corações para roubar os segredos de Deus. Mas nisso a doutrina não nos ajudará. Eles são os descartados da nossa Igreja. Devemos sanar essa chaga para sermos credíveis em denunciar os descartes da sociedade do lucro, nos colocando ao lado dos descartados da sociedade globalizada. Não o somos se tivermos os descartados em casa, e entre os descartes jogamos fora o amor de quem vive uma relação homossexual.

Caros/as, que ressoe em nossos corações aquele “I care” de Dom Milani, porque o que diz respeito aos excluídos/as de nosso tempo nos diz respeito, e se há quem vivencie essa exclusão dentro de nossa Igreja, nos diz respeito ainda mais, seja qual for o papel ou o não-papel que desempenhamos. Vamos caminhar juntos, para que aquele novo olhar, que tem permitido a muitos pais ver a beleza que existe em seus filhos e filhas LGBT e em suas relações afetivas, possa contagiar toda a Igreja. Para que não aconteça que outros, em desespero, se afastem, colocando Deus, junto com a Congregação para a Doutrina da Fé, em um mesmo pacote para ser jogado no lixo. Deus não o merece e eles não merecem serem afastados de seu amor.

 

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