Papa fala a jovens ativistas franceses para “começarem uma revolução”

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18 Março 2021

Francisco pede aos ativistas sociais para que “abram os ouvidos” do mundo “que se faz surdo” às mudanças.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 17-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O Papa Francisco disse a um grupo de jovens ativistas franceses que somente sua geração poderá trazer a mudança necessária no mundo, porque aqueles que são mais velhos não entendem como fazer.

“Iniciem a revolução, chacoalhem as coisas para cima. O mundo se faz de surdo; vocês devem abrir seu ouvido”, falou o papa ao trio durante um encontro privado de 45 minutos, em sua residência no Vaticano, no dia 15-03.

Os três jovens eram Cyril Dion, ativista ambiental, Eva Sadoun, empreendedora, e Samuel Grzybowski, fundador da Coexister, um movimento juvenil inter-religioso que promove a coexistência pacífica.

O encontro com o papa foi requisitado por Pierre Larrouturou, membro do Parlamento Europeu, que procurou compartilhar com Francisco sua proposta para taxar transações financeiras.

Mas Larrouturou foi forçado a desistir da viagem pois testou positivo para o coronavírus.

Renovando a democracia

“Cada um de nós destacou seus compromissos e falamos sobre juventude, economia, finanças, democracia, populismo, secularismo e clima”, disse Grzybowski.

“Nosso objetivo era mostrar que a justiça social estava ligada com a justiça ambiental, e que a democracia e a transição ecológica andam de mãos dadas”, continuou Sadoun.

Ela é melhor conhecida como a cofundadora do Lita.co, que tem como objetivo reduzir as desigualdades sociais e ambientais pela promoção de “investimento responsável”.

Dion falou ao Papa Francisco sobre a experiência da Convenção de Cidadãos sobre o Clima, a qual ocorreu recentemente na França. Ele destacou a necessidade de renova a democracia e a relação entre os cidadãos e o poder.

Ele também ofereceu ao papa uma versão espanhola do filme “Demain” (“Amanhã”, em tradução livre), o qual ele foi co-diretor com Mélanie Laurente.

Sistema financeiro é uma “névoa”

Enquanto os jovens falavam em francês, o papa tomava notas. Quando ele interviu, repetidamente referia-se às finanças como uma “névoa” que obscurece a economia e a previne qualquer mudança.

Ele também fez alusão à sua conversa com a presidente do banco central europeu Christine Lagarde, dizendo que a pediu para combinar ecologia e humanismo.

“O sistema financeiro é como um poema de Verlaineblesse mon cœur d’une langueur monotone”, disse o papa, citando o poeta Paul Verlaine em francês (o poema original de Verlaine e suas diferentes traduções para o português podem ser conferidos neste link).

“Vocês são a juventude, somente vocês podem fazer isso, vocês entendem a mudança. Vocês não têm experiência, mas isso é uma boa notícia, porque isso faz de vocês criativos”, falou Francisco a seus visitantes.

“Ele nos disse que nós não estávamos em idade de compromissos, mas que este era o tempo de embarcar em um novo caminho”, explicou Sadoun.

“Rezem por mim”

Papa Francisco também falou sobre secularismo, expandindo sobre a sua posição já apresentada várias vezes.

“Um Estado precisa ser absolutamente secular, mas não deve ser secularista”, disse.

“Estados religiosos causaram muitos males; uma religião não pode estar apto a disputar o Estado. Um Estado deve ser secular. Isso significa que respeita as diferentes crenças e transcendências enquanto oferece uma estrutura comum”, insistiu o Papa.

Ele criticou as formas não saudáveis de secularismo usando uma imagem da segunda carta de Pedro: “quando o secularismo se torna uma religião, é como um cão que volta ao seu próprio vômito”.

“Eu tenho um trabalho muito difícil, rezem por mim”, falou o papa ao grupo, como de costume.

“E se alguém entre vocês não reza, então me envie boas energias”, acrescentou.

 

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