A evolução genética deve ser regulamentada, defende autor

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23 Fevereiro 2021

A engenharia genética e a evolução da Big Tech para o implante de dispositivos no cérebro humano capazes de modificar comportamentos e curar doenças avança célere, ano após anos, numa velocidade da luz, enquanto definições éticas e práticas quanto à sua aplicabilidade andam a passos de tartaruga.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

Hackeando Darwin:
engenharia genética e o futuro da humanidade

“Estamos começando a descobrir que nossa biologia é só mais um sistema de tecnologia da informação”, escreve o especialista em tecnologia, saúde e geopolítica, Jamie Metzl, no livro “Hackeando Darwin: engenharia genética e o futuro da humanidade” (São Paulo: Faro Editorial, 2020). Ele prevê o uso das tecnologias já conhecidas de fertilização in vitro e a seleção embrionária “não apenas para rastrear as doenças genéticas mais simples e selecionar o gênero”, mas também será possível alterar a genética de futuros filhos. 

Numa reunião em dezembro com executivos do Facebook, o diretor de tecnologia da empresa, Mike Schroepfer, apresentou dispositivo sensor que lê sinais neurais procedentes do cérebro, via medula espinhal ao longo do braço para se localizar no pulso. O novo dispositivo lê a atividade cerebral, o mais recente movimento para unir tecnologia digital e humanos. 

Em 2019, a CTRL-Labs, uma startup de interface neural adquirida pelo Facebook, desenvolveu uma pulseira experimental que permite ao usuário operar o computador pelo pensamento. Já existem dispositivos em que o computador estimula o cérebro a restaurar o equilíbrio normal das funções no tratamento de doenças como o Parkinson. 

Uma segunda geração desses dispositivos evita a epilepsia. A tecnologia detecta o padrão de convulsão e estimula o cérebro a interromper esse padrão. Uma terceira geração está em desenvolvimento e destina-se a auxiliar quem já sofreu derrames e lesões na medula espinhal

Questionado pelo The Christian Post como cristãos devem se postar diante desses avanços tecnológicos e o dilemas éticos que acarretam, o Dr. Travis Losey, vice-presidente do Departamento de Neurologia e codiretor do Comprehensive Epilepsy Centre da Universidade de Loma Lina, da Califórnia, respondeu que o uso da tecnologia de interface do cérebro deve ser usada para curar algo que foi prejudicado por doença ou distúrbio. Não há chamado maior para um cristão do que ajudar as pessoas afetadas por doenças, disse. 

Mas limitou seu parecer: “Acho que só é ético usar medicamentos quando eles estão sendo usados para restaurar a função que foi perdida ou afetada por uma doença. Os mesmos princípios se aplicam às interface cérebro-computador”. 

Segundo Metzl, “as revoluções genética, biotecnológica e da longevidade desafiarão os nossos conceitos atuais sobre o que significa ser humano”. Ele arrola questões críticas, éticas e sociais que a evolução da engenharia genética abre para a humanidade: 

“Usaremos essas poderosas tecnologias para expandir ou para limitar a nossa humanidade? Os benefícios dessa ciência serão apenas privilégio de alguns ou nós os usaremos para reduzir o sofrimento, respeitar a diversidade e promover a saúde e o bem-estar para todos? Quem tem o direito de tomar decisões individuais ou coletivas que poderiam impactar todo o gene humano?” 

O pastor presbiteriano Christopher Benek, inglês, que se define como um “tecnoteólogo” e um “cristão transumanista”, defende que seres humanos são “co-criadores com Cristo”, e que a tecnologia, como a inteligência artificial e modificações genéticas, pode ser usada para melhorar a humanidade, desde que observe um “uso ético e útil das tecnologias emergentes para melhorar os humanos”. 

Metzl tem clareza de que o futuro da engenharia genética é de muitas formas o futuro da humanidade. Mas alerta: “Para permitir tal futuro, devemos abraçá-la. Para nos salvar de nós mesmos, devemos regulamentá-la”.

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