A “despedida” do cardeal Sarah: “Logo nos veremos novamente em Roma e em outros lugares”

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22 Fevereiro 2021

Setores ultraconservadores preparam em segredo o Conclave, com um candidato claro, à sombra de Bergoglio.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 21-02-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Estou nas mãos de Deus. A Única rocha é Cristo. Logo nos veremos novamente, em Roma e em outros lugares”. Deste modo, o cardeal Robert Sarah despedia-se de seu cargo à frente do dicastério do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

O fazia através de suas redes sociais, acompanhando suas reflexões finais com duas imagens suas, muito significativas. Uma, rezando diante da tumba de João Paulo II, a outra, celebrando a Eucaristia de costas para o povo. “Hoje, o Papa aceitou a renúncia a meu cargo de Prefeito da Congregação para o Culto Divino depois do meu septuagésimo quinto aniversário”, explicava.

É um adeus? Ninguém crê. De imediato Sarah não abandonará o Vaticano, nem voltará à Guiné-Conacri, nem nada. O cardeal ultraconservador rompeu os laços íntimos e vitais com a África há tempo e, de toda forma, é um “cidadão romano”. Não saberia o que fazer em sua aldeia.

Porém, ademais, sabe que mantém um peso importante nos setores mais tradicionalistas da Igreja, que chegaram a cogitá-lo como possível papável de futuro. Algo impensável se não fosse porque, na Igreja Católica e, especialmente, nos corredores da Cúria, tudo é possível. E, para muitos, seria o Papa ideal para uma restauração que consideram cada vez mais necessária. Para evitar um cisma, dizem.

Sarah sempre se negou, em público, a se declarar abertamente oposto ao pontificado de Francisco, como fizeram, com maior ou menor sorte, os outros profetas da caverna eclesial: Burke, Müller, Rouco... “Desafio qualquer pessoa a encontrar em minhas obras ou em meus gestos uma crítica ao Papa”, disse em uma ocasião. Poderíamos preencher algumas quantas páginas com elas. Sempre de modo misterioso, ainda que...

... ainda que há um ano, seguramente deixando-se levar pelo âmago da crise surgida depois do Sínodo da Amazônia e a possibilidade de abrir o sacerdócio aos viri probati com o início do Caminho Sinodal alemão e o anúncio de um Sínodo sobre a sinodalidade, Sarah deu um passo à frente, publicando suas reflexões sobre o sacramento do sacerdócio, e utilizando, em uma manobra – na qual nunca se esclareceu o papel de Georg Gänswein – a figura do Papa emérito, fazendo-o de “co-autor” de sua obra que parecia um míssil em direção à linha de navegação do atual papado.

Não conseguiu – de fato, Ratzinger foi enérgico ao negar sua autoria –, porém ocorreu que algumas reformas foram reformuladas (e não vetadas), e o Papa não foi mais além na hora de conceder a permissão para que alguns leigos pudessem presidir a Eucaristia na Amazônia. Uma porta aberta que, no entanto, não chegou a se fechar.

“O povo escreve coisas para nos opor, contra o Santo Padre, ou entre bispos ou entre cardeais. É ridículo. Não devemos cair nesta armadilha. Devemos seguir ensinando. Não me importa o que digam”, afirmava Sarah. O que fará agora? Sem dúvidas, escrever. Sobre Liturgia, erros doutrinais, sobre a Igreja que sonha e que, queira ou não, nada tem a ver com o que sonha o santo povo de Deus.

Voltará? Ninguém sabe. Porém, o que está claro é que Robert Sarah não partiu. Talvez tenha saído de seu escritório na Cúria (Francisco ainda não nomeou seu sucessor, talvez espera outras mudanças, ou a aprovação do novo regulamento da Cúria?), porém não as das intrigas palacianas. As mesmas que, em segredo, já preparam um hipotético novo Conclave. Com um candidato claro, à sombra de Bergoglio. O tempo (e o Espírito) dirão.

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