A ascensão da carne ao céu. Orígenes e a divindade de Jesus

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27 Fevereiro 2021

"Comentando sobre esta imagem incrível dos poderes celestiais que ficam maravilhados ao ver a carne subindo ao céu, Orígenes reflete sobre o fato de que Cristo, antes de subir, desceu do céu, 'e como nesta vida se transfigurou diante daqueles que haviam subido com ele no monte e apareceu em uma forma mais gloriosa, assim ele se transfigurou ao descer do Pai. Assim como ele se tornou um homem para mim, ele se tornou um anjo para os outros. Para cada um o Senhor se torna algo, ele se torna o que cada um é capaz de receber'", escreve Giorgio Montefoschi, escritor e crítico literário italiano, em artigo publicado por Corriere della Sera, 18-02-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

Graças à editora Città Nuova e à curadoria de Lorenzo Perrone, finalmente são publicadas as 29 homilias inéditas sobre os Salmos de Orígenes descobertas em 2012 pela estudiosa Marina Molin Pradel no Codex 413 grego da Bayerische Staatsbibliothek de Munique. Descoberta extraordinária que acrescenta um novo e importante capítulo aos comentários sobre o Saltério, considerado, desde o início do Cristianismo, como o texto que continha as profecias sobre Cristo-Messias, e em particular para a já substancial meditação sobre os Salmos do teólogo alexandrino.

Com Paulo e Isaías, Orígenes nos lembra que nós, humanos, não podemos conhecer nem as coisas últimas nem as primeiras, mesmo que nossa impaciência queira nos empurrar justamente para isso: atravessar a inescrutabilidade de Deus. E, no entanto, nesse mar da vida que nos envolve com suas distrações e suas trevas, vemos uma luz, vemos um caminho, um caminho que pode nos conduzir àquele ponto luminoso que parece distante e ao invés pode estar próximo: o Filho de Deus encarnado, o Salvador, como ele se manifesta em seus muitos aspectos a partir das Escrituras, que nada mais são do que a Palavra do Logos divino. Este é o leitmotiv dos textos encontrados em Munique: o reconhecimento do amor de Deus pela criação e pelo homem que culmina precisamente com a sua vinda ao mundo.

“Deste modo”, observa Perrone, “a visão cristológica une-se estreitamente com a concepção de Deus, na medida em que é a epifania mais elevada e decisiva da bondade divina. É precisamente no evento do Filho encarnado, até à sua morte e ressurreição, que se decide o destino da salvação a que o homem é chamado por Deus. Ela traça claramente o modelo de Cristo inseparavelmente Deus e homem, rejeitando expressamente uma dualidade de sujeitos, divino e humano, no Encarnado e, em vez disso, reafirmando a união do homem com Deus”.

Engana-se quem nega esta união em Cristo, isto é, da divindade e da carne, e pensa que ele assumiu um corpo semelhante à substância do Logos - diz Orígenes na segunda homilia sobre o Salmo 15 - porque assim, suprime sua bondade, sua dor, a imensidão do sacrifício. E, ao mesmo tempo, a possibilidade de que todo homem, com seu corpo, possa subir ao céu. “Jesus”, diz Orígenes, “é o primeiro a subir ao céu com o corpo, ainda marcado pelas chagas da Paixão, o que não aconteceu em sentido estrito nem para Elias nem para Enoque”. O verso 9 central é: "Minha carne descansará na esperança, você não abandonará minha alma no Hades e você não permitirá que seu fiel veja a corrupção". Que se escandalizem com minhas palavras (nas quais, aliás, está a essência decisiva da fé cristã), diz Orígenes, mas eu com convicção confirmo que Cristo foi crucificado, ressuscitou no terceiro dia, foi elevado ao céu, e ascendeu da Terra carregando consigo "um corpo terreno, a tal ponto que os poderes celestiais se maravilharam por nunca terem visto tal espetáculo: uma carne que ascende ao céu".

O mesmo acontecerá com o homem. Como isso vai acontecer, não sabemos. É um mistério. Comentando sobre esta imagem incrível dos poderes celestiais que ficam maravilhados ao ver a carne subindo ao céu, Orígenes reflete sobre o fato de que Cristo, antes de subir, desceu do céu, "e como nesta vida se transfigurou diante daqueles que haviam subido com ele no monte e apareceu em uma forma mais gloriosa, assim ele se transfigurou ao descer do Pai. Assim como ele se tornou um homem para mim, ele se tornou um anjo para os outros. Para cada um o Senhor se torna algo, ele se torna o que cada um é capaz de receber”. Até na Terra. Cada um que o veja à sua maneira: se você está ferido, você o vê ferido, se você é fraco, o vê fraco, se você é imaculado, o vê imaculado, se você é um pecador, o vê como um pecador, se você é desesperado e só o vê desesperado e só. Portanto, tanto mais determinante é a ideia de que os poderes celestiais, admirados, "viram a carne": o corpo que nos pertence.

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