Redescubramos o Concílio Ecumênico Vaticano II

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04 Fevereiro 2021

"As diretrizes conciliares nos convidam a abraçarmos uma postura presente ao longo da História da Salvação: O dinamismo; a saída de si mesmo; o abandono de nossas zonas de conforto e assim irmos ao encontro dos que estão nas mais diferentes periferias, sejam elas físicas ou existências. Tal convite irrita e desperta a ira daqueles que não entenderam a missão salvadora de Cristo", escreve Ir. Fábio Pereira Feitosa, Religioso de São Vicente de Paulo, formado em história e atualmente desenvolve pesquisas sobre história da Igreja e sobre história da Vida Religiosa Consagrada.

Eis o artigo.

Ao direcionarmos o nosso olhar para os inúmeros capítulos que juntos compõem a história recente da Igreja Católica, iremos perceber que o Concílio Ecumênico Vaticano II, realizado entre os anos de 1962 e 1965, notabilizou-se como sendo uma das maiores e mais importantes reformas nas estruturas desta instituição, sendo ela responsável por modificar o relacionamento institucional entre seus membros, mas também alterou a relação entre o clero e o Povo de Deus. Outra consequência deste que é apontado como o maior evento religioso do século XX foi a introdução da Igreja em uma nova etapa de sua história, sendo ela marcada pelo diálogo ecumênico e inter-religioso, além do estabelecimento de uma relação fraternal com o mundo contemporâneo.

Estamos inseridos em uma época na qual proliferam os mais diferentes movimentos extremistas e sectários, infelizmente, tal fenômeno também se encontram presente no interior da Igreja, na qual temos o surgimento de grupos que desprezam o seu Magistério Social e acabam tachando de comunistas aqueles que seguem os ensinamentos sociais da Igreja, ignorando de maneira proposital as inúmeras condenações por parte da Igreja a esta corrente filosófica e econômica.

O Papa Francisco, constantemente é alvo de ataques por parte de grupos extremistas e sectários que rejeitam a sua autoridade e chegam a considerar como vaga a Cátedra de São Pedro, negando assim a sucessão apostólica e por consequência desrespeitam a Tradição da Igreja, da qual se dizem fieis defensores.

Muitos dos opositores do Papa Francisco, o criticam por sua simplicidade evangélica, por seu real comprometimento com os mais pobres e marginalizados da sociedade. A postura de Francisco revela a sua total observância e comprometimento com a Doutrina Social da Igreja, que está em plena consonância com o Magistério Católico, do qual ele é fiel observador.

A história recente da Igreja acaba evidenciado que as críticas feitas a Francisco também foram dirigidas a outros Papas, como por exemplo, a João XXIII, Paulo VI e a João Paulo I, que embora tenha tido um curto pontificado dava sinais claros de continuidade e aprofundamento das diretrizes conciliares. Estes Bispos de Roma, foram atacados por sua coragem profética de respectivamente anunciar; convocar; iniciar e dar continuidade, bem como buscar implantar as diretrizes conciliares tão importantes para a Igreja institucional, bem como para todo o Povo de Deus. Assim, as pesadas críticas hoje feitas a Francisco, são na verdade uma clara continuação da oposição dirigida ao projeto de uma Igreja Serva do Mundo e não mais a Mestra do Mundo.

As diretrizes conciliares nos convidam a abrarçamos uma postura presente ao longo da História da Salvação: O dinamismo; a saída de si mesmo; o abandono de nossas zonas de conforto e assim irmos ao encontro dos que estão nas mais diferentes periferias, sejam elas físicas ou existências. Tal convite irrita e desperta a ira daqueles que não entenderam a missão salvadora de Cristo.

Passado mais de meio século da realização do Vaticano II, muitos são aqueles que desconhecem completamente o que foi este evento e assim acabam não descobrindo sua importância e beleza. Desta forma é preciso apresentarmos e reapresentarmos este Concílio para as novas gerações e até mesmo para aqueles que viveram os tempos conciliares, mas por algum motivo deixaram esta importante novidade de lado.

Apresentar e reapresentar o Concílio Ecumênico Vaticano II se faz necessário e mais do que isso, se faz urgente, considerando os tempos nos quais estamos inseridos, tempos nos quais a Globalização da Indiferença e o individualismo geram frutos de sofrimento e morte.

As diretrizes conciliares devem ser vistas como uma importante fonte de espiritualidade para o tempo presente, considerando que elas estão profundamente enraizadas na inspiração do Espirito Santo e no Mistério da Encarnação. Assim, o Vaticano II foi e continua sendo um dom Deus à sua Igreja, por meio do qual nós somos chamados a construirmos e anunciarmos o Reino de Deus.
Entre os grandes Papas da história, temos um que se notabilizou por desafiar a lógica de seus pares cardeais no momento da eleição que o elegeu como sucesso de Pedro, estamos falando do cardeal Angelo Giuseppe Roncalli (mais tarde chamado João XXIII, o Papa bom) que no momento de sua escolha tinha exatos 77 anos, idade vista por muitos como avançada para assumir tal cargo. Todavia, ele foi responsável por promover uma das mais importantes reformas da história do catolicismo.

A conclusão do Vaticano II resultou na elaboração de 4 Constituição, 9 Decretos e 3 Declarações que objetivam de forma clara dar um novo dinamismo à Igreja, sendo ele promovido pela volta as origens, arrefecidas em detrimento do clericalismo e do carreirismo eclesial, diante deste abandono das fontes e do reencontra-las, uma celebre frase de Santo Agostino nos caí como uma luva: “Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!”. Assim, o Vaticano II foi para a Igreja um intenso e um novo Pentecostes que a encheu de força, coragem e dinamicidade e como tal este evento deve ser redescoberto e vivido por todo o Povo de Deus.

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