Sem critérios, financiamentos dos grandes bancos ignoram crise mundial de poluição plástica

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15 Janeiro 2021

Sem critérios ambientais, financiamento ao setor estimula produção de plástico virgem.

A reportagem é publicada por ClimaInfo e reproduzida por EcoDebate, 14-01-2021.

Um estudo inédito está escancarando a responsabilidade dos principais bancos do mundo pela atual crise de poluição por plástico.

As instituições financeiras concederam de 2015 a 2019 um total de 1,7 trilhões de dólares (valor superior ao atual PIB do Brasil) ou 790 milhões de dólares por dia a 40 empresas do setor de embalagens plásticas.

Vinte bancos, em sua maioria dos EUA e da Europa, forneceram mais de 80% desse financiamento (USD 1,4 trilhões). Os dez maiores financiadores foram Bank of America, Citigroup, JPMorgan Chase, Barclays, Goldman Sachs, HSBC, Deutsche Bank, Wells Fargo, BNP Paribas e Morgan Stanley. Juntos, eles foram responsáveis por 62% das finanças identificadas.

A pesquisa, intitulada Bankrolling Plastics , foi publicada este mês pela ONG internacional portfolio.earth, que tem apresentado diversos estudos sobre a origem dos recursos que financiam a crise climática mundial. A organização defende que os bancos reduzam radicalmente o impacto de suas atividades sobre a natureza.

Nenhuma das instituições analisadas pela pesquisa têm sistemas de due diligence, critérios de empréstimo contingente ou exclusões de financiamento para o setor de plástico. Por exemplo, nenhum banco investigado fez seu financiamento depender de políticas para reduzir a quantidade de plástico virgem ou favorecer a reutilização e a reciclagem.

“Os bancos ficaram muito atrás dos outros atores que contribuem para a crise da poluição do plástico”, avalia a porta-voz da ‌portfolio.earth‌, Liz‌ ‌Gallagher. “Eles desenvolveram um número limitado de políticas para o financiamento de combustíveis fósseis e produtos florestais, mas nada sobre o plástico”.

Para Robin‌ ‌Smale,‌ diretor da‌ Vivid‌ ‌Economics‌, os empréstimos bancários à cadeia de fornecimento de plásticos causam e contribuem para a poluição do meio ambiente. “Os bancos precisam mitigar seu papel na poluição do plástico de várias maneiras, por exemplo, alinhando suas carteiras de empréstimos com a política pública de redução, reutilização e reciclagem de plásticos e cessando o financiamento de novas plantas que utilizam matéria-prima virgem para produzir embalagens plásticas de uso único”, afirma.

“A poluição do plástico é um problema enorme no norte de Bali, Indonésia, porque itens de uso único substituíram materiais naturais e biodegradáveis nas últimas décadas”, afirma o pesquisador Zach‌ ‌Boakes,‌ ‌co-fundador da organização ‌North‌ ‌Bali‌ ‌Reef‌ ‌Conservation‌. “Apesar dos esforços incansáveis de grupos comunitários e ONGs, a maioria do plástico acaba sendo queimado ou jogado em rios locais, poluindo ecossistemas frágeis. Precisamos que os bancos acabem com seu financiamento da indústria do plástico para o bem dos jovens e comunidades em Bali e em todo o resto do mundo”.

O diretor do Programa de Plástico e Mercado Financeiro da Planet‌ ‌Tracker‌, Gabriel‌ ‌Thoumi,‌ faz um alerta: “Para a indústria de plásticos descartáveis – da produção, ao uso, ao fim da vida útil – os investidores inteligentes passarão a modelar com precisão os riscos ambientais em suas estratégias de investimento”.

O relatório apresenta uma série de recomendações para que as instituições financeiras reduzam suas responsabilidades pela crise de poluição por plástico:

● O financiamento bancário de atores corporativos dentro da cadeia de fornecimento de embalagens plásticas deve depender da implementação das melhores práticas por parte das empresas.

● Governos devem reescrever regras de financiamento para responsabilizar os bancos pelos danos causados por seus empréstimos.

● Companhias devem adotar as melhores práticas internacionais para reduzir a produção e o uso de plástico virgem e aumentar a reutilização dos produtos de embalagens plásticas.

Sobre o relatório ‌Bankrolling‌ ‌Plastics‌ ‌

Os dados brutos para a análise de empréstimos e finanças foram encomendados à organização Profundo e a análise final foi auditada pela Vivid Economics .

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