‘Governos deveriam tomar medidas para permitir que população se isole. Mortalidade vai aumentar’, alerta médico

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08 Janeiro 2021

Na última segunda-feira (4), o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), anunciou o novo decreto municipal relacionado à crise do coronavírus. As medidas do novo decreto flexibilizam regras mais rígidas adotadas pelo governo anterior, equiparando as medidas da Capital aquelas estabelecidas por decreto do governo estadual. Entre as alterações, o fim de restrições de horário e de lotação de público para missas, cultos, restaurantes, lanchonetes e comércio em geral, incluindo os shoppings centers, tradicionais centros de aglomeração de pessoas.

A reportagem é de Andressa Marques, publicada por Sul21, 06-01-2021.

A flexibilização eliminou a ocupação máxima de 50% de público em comércios de rua, mantendo apenas o limite de 50% de trabalhadores. O Mercado Público, onde até então vigorava o limite de 25% de ocupação, também não terá mais limite de público. A regra de um cliente para cada funcionário em bancos e lotéricas é outra que foi abolida pelo novo decreto.

O médico Ronaldo Hallal, infectologista e mestre em Ciências Médicas, vê com preocupação o teor das medidas anunciadas pelo novo prefeito. “A expectativa que nós temos no campo médico é que os governos estaduais, municipais e o Governo Federal estabeleçam medidas que permitam de forma objetiva que a população se isole e que não necessite circular por razões de trabalho ou razões financeiras porque a medida de prevenção que nós temos mais eficaz é o isolamento”, disse Hallal, em entrevista ao Sul21.

Mesmo com a volta do alto índice de contaminação, o prefeito defendeu que as medidas mais restritivas em relação às regras do governo estadual causavam insegurança jurídica. Para Hallal, porém, as consequências virão e atingirão principalmente os setores mais pobres da população. “A mortalidade vai aumentar e o vírus afeta desigualmente, atingindo especialmente as populações que mais se expõem, entre os setores caracterizados como de baixa renda e de baixos níveis de escolaridade”, afirma o infectologista. “Assim como pessoas não brancas são mais afetadas, já temos análises que mostram isso de forma abundante tanto aqui no Rio Grande do Sul como em outros lugares do país”, acrescenta.

Questionado sobre o ano letivo de 2021 na rede municipal em meio à pandemia de coronavírus, Melo afirma que vai “determinar de que a escola seja segura, tenha máscara, tenha álcool em gel, tenha distanciamento”, diz. Além disso, o prefeito acrescenta: ‘um aluno de periferia que mora com a mãe e o pai numa casinha de 20m² ta lá mas ir para a escola que é um lugar muito mais arejado não pode’, diz.

“O processo não se restringe a crianças mas também professores, funcionários e toda a comunidade escolar. Lembrando que crianças podem desenvolver formas graves e existe um contingente de jovens e crianças de 0 até 18 anos que já morreram pela covid19. E muitas das crianças, principalmente de baixa renda, vivem com pessoas mais idosas que têm doenças crônicas. Então essa cadeia de transmissão vai ser afetada e multiplicada”, afirma Ronaldo Hallal.

Sebastião Melo ainda afirmou que pretende disponibilizar o “tratamento precoce” na rede pública. “O tratamento precoce é feito em milhares de cidades do Brasil. Não me perguntem se sou à favor ou contra. Compete ao médico receitar, é entre médico e paciente”, afirmou o novo prefeito da capital gaúcha.

Sobre esse ponto, Ronaldo Hallal chama a atenção para as evidências científicas em relação a tratamentos precoces contra covid-19. “Esses medicamentos não foram eficazes para prevenir o desenvolvimento de complicações graves, e tampouco para diminuir a mortalidade, mesmo quando o tratamento foi iniciado no primeiro, terceiro, quinto e sétimo dia”. Em alguns casos, acrescenta, esses medicamentos ocasionaram doenças pulmonares e pessoas tiveram necessidade de UTI, algumas vindo a falecer.

“Entre os grupos e sociedades médicas que tem o maior apego pelo benefício medido por estudos clínicos, essa não é uma conduta adotada. E infelizmente a gente tem visto uso crítico desses medicamentos”, lamenta.

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