A solidão do Papa. Crônica de um retiro heroico. Deus não está (ou cala-se) mas com o rebanho está Francesco

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09 Dezembro 2020

"O texto de Marco Politi é sóbrio, escrupulosamente real, portanto, não comemorativo e não é um convite, embora necessário, a confiar na prevalência do bem. Em vez disso, uma crônica da solidão heroica que o Papa Francisco se impôs para tornar possível (e credível) o percurso da peste ao renascimento", escreve Furio Colombo, jornalista e político italiano, foi redator-chefe do jornal L'Unità, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 07-12-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O autor tem todos a titulação para se apresentar neste momento difícil com um livro que observa, julga e examina um Papa difícil e diferente, nos dias de desordem política (a ponto de não saber quem guia), de confusão sanitária (se não se conhece o mal, não se conhece a cura) e de um rasgo no manto da religião, e da doutrina católica (mas também suas práticas e crenças) que mostra fendas ameaçadoras, como os perigos das geleiras nas mudanças de temperatura. Marco Politi, com seu último livro Francesco: la peste, la rinascita (Francisco: a peste, o renascimento, em tradução livre, Laterza), esteve à altura da tarefa, nos entregando um texto-documento sobre os tempos que, junto com o Papa Bergoglio, estamos vivendo, sem fugir e sem adoçar.

Reprodução da capa do livro de Marco Politi: Francesco. La peste, la rinascita. Marco Politi, p. 128 – Editora: Laterza

O Papa é bom, mas os tempos são cruéis e violentos, e é como se também a vida da Igreja e os dias do Papa se passassem em uma sala de terapia intensiva. Nem sempre é possível se curar e, em todo o caso, a cura passa por travessias cruéis e arriscadas.

O texto de Marco Politi é sóbrio, escrupulosamente real, portanto, não comemorativo e não é um convite, embora necessário, a confiar na prevalência do bem. Em vez disso, uma crônica da solidão heroica que o Papa Francisco se impôs para tornar possível (e credível) o percurso da peste ao renascimento.

Em todas as três partes do texto (o Papa, o que acontece, o que acontecerá) o empenho do autor é não se deter na tragédia e não se abandonar à admiração e ao afeto que também são grandes, nesse livro, por Francisco. O Papa que caminha, mancando sozinho e depois faz uma pausa sozinho e olha, sozinho, na escuridão da noite deserta de Roma: são os únicos filmes que temos destes anos, estranhos e misteriosos, antes mesmo de serem assustadores. Como acontece em certos momentos da história, Deus não está presente, ou se cala. E o Papa mais corajoso em muitos séculos se faz encontrar - na narrativa de Politi - entre os seus fiéis abandonados e fica com eles, ao seu lado, desprotegido, para que a confiança não se apague.

O "renascimento" do livro de Politi não é de fato um projeto ou uma promessa: é um tipo de fé que não se apoia na pedra imóvel que detém o tempo, mas no tempo que se torna esperança e futuro, enquanto muda costumes, comportamentos, sentimentos. E reencontra "o próximo".

 

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