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23 Outubro 2020

Andrea Rubera atendeu ao Papa Francisco apenas na terceira ligação. “Ele estava me ligando de um número anônimo, e eu deixava tocar. Depois, não tive dúvidas de que era ele.”

A reportagem é de Elena Tebano, publicada em Corriere della Sera, 22-10-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Era 2015, e Rubera, 54 anos, romano, empresário e pai, com o marido Dario De Gregorio, de três filhos nascidos no Canadá por meio de uma “barriga de aluguel”, dois dias antes havia deixado uma carta para o pontífice em Santa Marta. “Eu nunca tinha falado sobre isso, porque para mim era uma questão pastoral e pessoal” conta ele. “Eu lhe pedi ajuda, explicando-lhe que a Igreja havia me dado muito, e eu queria que os meus filhos tivessem a mesma possibilidade. Mas eu me perguntava a que preço, tendo dois pais: eu tinha medo de os expor a um trauma.”

Ele e Dario são o casal referido no documentário sobre Francisco. Para Rubera, que tem uma fé profunda e é porta-voz da Cammini di Speranza, a associação de católicos LGBT, essa passagem significava se expor muito: “Eu me senti transparente em relação a algo que havia acontecido quando ele havia sido eleito papa dois anos. Eu não o conhecia, mas comecei a chorar”.

Logo Bergoglio acendeu as esperanças dos fiéis gays, que até então eram forçados a fazer uma escolha dolorosa: renunciar a viver abertamente a sua homossexualidade ou renunciar a viver a sua fé dentro da comunidade eclesial. As duas coisas juntas não eram possíveis.

Francisco não os desapontou. “O seu telefonema foi direto ao ponto: ‘Eu li a sua carta e queria entender bem qual é o problema. Você não foi acolhido?’, ele me disse. Eu lhe expliquei que eu nem havia tentado.”

O medo da rejeição era muito forte. “Ele me perguntou o porquê desse temor.” Uma pergunta que, por si só, explica muito sobre o modo de pensar do papa. “Ele me disse para ir ao encontro do pároco e me apresentar, porque era justo para mim, para meus filhos e para toda a Igreja que eles pudessem participar de uma vida comunitária de fé. Eu fiquei impressionado, porque eu esperava uma bênção do papa, em abstrato, mas era possível sentir a abordagem pastoral, que queria encontrar uma solução para fazer o bem das crianças. ‘Você vai ver que vai encontrar acolhida tudo ficará bem!’, acrescentou.”

Assim foi. Os filhos de Rubera, duas meninas e um menino, fazem catequese em uma paróquia do norte de Roma desde os três anos de idade, e agora a mais velha se inscreveu nos escoteiros. “Nunca houve dificuldades de nenhum tipo.”

Nos últimos anos, cada vez mais pessoas LGBT, mesmo aquelas com um companheiro ou filhos, são bem-vindas nas paróquias. “Ainda não é automático, não ocorre em todas as situações. E não existe uma formação abrangente para acolher as pessoas gays desde a adolescência até formarem uma família. Mas há cada vez mais sacerdotes empenhados na pastoral das periferias existenciais”, diz Rubera.

Muito se deve às associações de católicos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. “O nosso compromisso era, acima de tudo, falar sobre nós. Entre nós e para a Igreja.” Quando começaram, no fim dos anos 1990 em Roma, eles se reuniam em uma sala da Igreja valdense, porque as estruturas católicas não lhes davam espaço.

Na Igreja do Papa Francisco, eles o encontraram.

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