De Lampedusa à covid-19: a ideia de solidariedade do papa Francisco

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02 Outubro 2020

O papa Francisco fez da solidariedade uma das bases do seu pontificado e sua nova encíclica ‘Fratelli Tutti’ é certamente um dos mais importantes textos sobre esse tema.

A reportagem é de Loup Besmond de Seneville, publicada por La Croix International, 30-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

“Onde está o seu irmão?”

Foi o papa Francisco quem citou essas palavras do livro do Gênesis. Pouco tempo depois de eleito à cátedra de Pedro e sob um sol escaldante, em um altar configurado como um pequeno barco de madeira pintado de azul, verde, branco e velho.

Ele repetiu vigorosamente a questão que Deus fez a Caim na sequência do primeiro fratricídio da história.

“Onde está o seu irmão? Onde está o sangue do teu irmão que clama até Mim? Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós”, dizia o novo Papa.

Menos de quatro meses depois de sua eleição escolheu para sua primeira viagem para fora de Roma viajar para lá. Lá é onde os migrantes perecem quando tentam atravessar o Mar Mediterrâneo.

“Estes nossos irmãos e irmãs procuravam sair de situações difíceis, para encontrarem um pouco de serenidade e de paz”, disse Francisco, em um ambão decorado com o timão de um navio.

“Eles procuravam um lugar melhor para si e suas famílias, mas encontraram a morte”, continuou o primeiro Papa jesuíta e latino-americano da história.

Alguns minutos depois, ele disse sombriamente: “Nós perdemos o senso de responsabilidade para com os irmãos e irmãs”.

Desde sua visita à Lampedusa, sete anos atrás, Francisco nunca parou de desenrolar o fio da solidariedade.

Algumas vezes ele faz isso mais explicitamente, como na sua primeira mensagem para o Dia da Paz, em 1º de janeiro de 2014. O título do texto soa como um programa – “Fraternidade, a base e o caminho para a paz”. E o Papa descreve a solidariedade como uma “qualidade essencialmente humana”.

Essa é apenas uma questão de reconhecimento que a solidariedade comum da humanidade encontra sua força no mesmo Deus. Francisco está convencido de que é necessário alcançar consequências concretas – a principal, a paz entre os povos.

Mas o Papa de 83 anos também vê a solidariedade como um princípio a ser implementado no nível político em que todos têm “acesso ao capital, serviços, recursos educacionais, saúde pública e tecnologia”.

Solidariedade é então um ingrediente essencial para “derrotar a pobreza”.

 

“Tudo está interligado”

Na Encíclica Social Laudato Si’, de 2015, Francisco insiste que “o cuidado genuíno com nossas vidas e nossa relação com a natureza é inseparável da fraternidade, justiça e fidelidade com os outros”.

E daí decorre o princípio que ele muitas vezes repete no texto e continua a reiterar desde então: que “tudo está interligado”.

O papa fez este link novamente em setembro de 2015, enquanto participava de uma reunião inter-religiosa no Memorial do 11 de setembro na cidade de Nova York.

Ele lembrou das horas seguintes ao ataque de 11 de setembro.

“Ninguém pensou sobre raça, nacionalidade, vizinhança, religião ou política”, disse ele. “Tratava-se de solidariedade, atendimento às necessidades imediatas, fraternidade. Tratava-se de ser irmãos e irmãs”.

A fraternidade foi convocada novamente no histórico documento conjunto que Francisco e Ahmad Al-Tayyeb, o Grande Imã de Al-Azhar, emitiram em 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi.

“A leva o crente a ver no outro um irmão que se deve apoiar e amar”, diz o documento.

“Da fé em Deus, que criou o universo, as criaturas e todos os seres humanos – iguais pela Sua Misericórdia –, o crente é chamado a expressar esta fraternidade humana, salvaguardando a criação e todo o universo e apoiando todas as pessoas, especialmente as mais necessitadas e pobres”, declaram.

Portanto, é natural que o papa Francisco adaptasse este conceito ao longo da crise da covid-19, tornando-o o fundamento da dignidade humana, o bem comum, a opção preferencial pelos pobres e a destinação universal dos bens.

Espera-se que o papa continue a desenvolver esses conceitos em sua próxima encíclica Fratelli Tutti, que ele assinará no sábado em Assis, 03-10, no túmulo do homônimo papal, São Francisco.

 

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