“Ajudar as pessoas a abrir os olhos para um momento grave em que nos encontramos”, afirma Dom Leonardo Steiner no Grito dos Excluídos

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08 Setembro 2020

Como acontece todo 7 de setembro desde 1995, o Brasil celebrava nesta segunda-feira o 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas, que neste ano de 2020 tinha como tema: “Vida em primeiro lugar. Basta de Miséria, Preconceito e Repressão! Queremos Trabalho, Terra, Teto e Participação!”. O Grito acontece em um Brasil que grita com desespero diante de tanta dor neste tempo de pandemia, com mais de 4,1 milhões de contagiados e mais de 127 mil falecidos.

A reportagem é de Luis Miguel Modino

Como tem acontecido em muitas cidades do Brasil, Manaus celebrava o Grito dos Excluídos em um evento fechado, com representantes das pastorais sociais e a presença do arcebispo, Dom Leonardo Ulrich Steiner. O evento, que aconteceu na beira do Rio Negro, foi momento para escutar o grito da juventude, que clamava por educação, por direitos, por ser ouvida; o grito da terra, que através da Comissão Pastoral da Terra, denunciava a concentração da terra e o êxodo rural; o grito da população que vive na rua, ainda mais invisibilizada e esquecida neste tempo de pandemia; o grito dos operários, que perderam seus direitos com a reforma trabalhista e a reforma da previdência, e hoje estão sofrendo as consequências de um modelo trabalhista cada vez mais explorador.

Dom Leonardo (Foto: Luis Miguel Modino)

O Brasil é um país onde o preconceito se faz presente, algo que traz os elementos que geram a morte, situações contra as que se faz preciso gritar. Um grito que deve ser lançado contra a violência, que atinge especialmente as mulheres e as crianças no Amazonas, que atinge os povos indígenas e comunidades tradicionais, como tem acontecido no Rio Abacaxis, nos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, uma situação denunciada pelos movimentos e pastorais sociais, também pelos bispos do Regional Norte 1 da CNBB.

A pandemia tem sido um momento em que escrachou uma realidade de miséria presente no Brasil, onde mais de 60 milhões de pessoas recebem o auxílio emergencial, o que demonstra que muitas pessoas vivem do trabalho informal. Em um mundo onde a concentração de renda só aumenta, nos deparamos com pessoas que nasceram miseráveis e morrerão miseráveis, não terão nenhuma possibilidade de mudar de vida, como foi denunciado pelo Vice-presidente da Cáritas da Arquidiocese de Manaus. Estamos diante de uma situação desumana, com um estado que não cuida do seu povo, segundo o padre Alcimar Araujo, que apelava a fazer algo para mudar essa realidade, insistindo em que a gente não pode ficar calado.

O Grito dos Excluídos tem a força da presença de Jesus, não podemos esquecer isso, segundo Dom Leonardo Ulrich Steiner, afirmando que “o fazemos porque é expressão da nossa fé”. O arcebispo de Manaus vê o grito como “tentativa de reconciliação, essa tentativa de ajudar a abrir os olhos, de despertar as pessoas para a gravidade das relações deturpadas em que nós nos encontramos”. Para Dom Leonardo estamos diante de uma oportunidade de “ir ao encontro das pessoas, ir ao encontro dos irmãos e irmãs e oferecer reconciliação, e oferecer harmonia, e oferecer a fraternidade, e oferecer a justiça”. Isso é algo que “fazemos como Igreja, é por isso que não temos medo de fazer o Grito dos Excluídos e tentarmos ajudar as pessoas para abrir os olhos para um momento grave em que nós nos encontramos, onde estão os pecados na nossa sociedade, onde nós estamos completamente desencontrados na nossa sociedade”.

Com o Grito dos Excluídos, segundo o arcebispo de Manaus, “estamos percebendo, e ajudando as pessoas a perceber, que é possível ter um novo céu, uma nova terra”, algo que Dom Leonardo identificava com o bem viver. Ele afirmava que “terra e céu é tudo, é a totalidade, que está desarmonizada, que está sendo agredida, violentada”, fazendo um apelo a “acordar as consciências para uma necessária reconciliação”. Mesmo sem resultados, se assim o fizermos, “nós estaremos apenas reafirmando que Ele está no meio de nós, que Ele continuará sempre no meio de nós, e nós continuaremos a trabalhar, a fazer o Grito dos Excluídos, a fazer sempre o grito daqueles que são excluídos e marginalizados”.

O Grito dos Excluídos em Manaus tem sido momento para lançar um manifesto à sociedade por parte das pastorais sociais da Arquidiocese, um grito pela ética, por justiça e por verdade, em uma sociedade em que a mentira se tornou “o modo de fazer política e de governar”. Um grito contra o pseudo patriotismo, mas que privatiza tudo e “condenada a nascer, viver e morrer na miséria”. Um grito de compromisso concreto com saúde da população, mas que vê como o SUS é objeto de corrupção.

O manifesto denuncia que “a vida dos seres humanos e do meio ambiente encontram-se em perigo”, afirmando que “a vida em primeiro lugar é o grito das populações vulneráveis (indígenas, pobres da periferia, moradores de rua, migrantes)”, vítimas da desigualdade socioeconômica. Também denuncia a situação que vivem as populações indígenas, os pobres que moram nas periferias, a população de rua, os migrantes, coletivos para quem o manifesto reclama dignidade. Junto com isso, o Grito dos Excluídos tem sido momento para denunciar a destruição da beleza natural da Amazônia, vítima de saques criminosos. É um grito que quer “garantir que a presente e as futuras gerações possam gozar da beleza da Amazônia viva”.

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