Tempo da Criação - Jubileu pela Terra: Novos Ritmos, Nova Esperança

01 de setembro a 04 de outubro de 2020

Arte: Natália Froner | IHU

Por: Arte: Natália Froner | Edição: Wagner Fernandes de Azevedo. | 02 Setembro 2020

O Tempo da Criação foi convocado em 1989 pelo Patriarca Ecumênio Dimitrios I. Inicia em 1º de setembro e conclui em 04 de outubro, na festa de São Francisco de Assis. A iniciativa cresceu com a participação da Igreja Católica e do Conselho Mundial de Igrejas. Em 2020, o convite é para 2,2 bilhões de cristãos de todo o mundo para oração e renovação da relação e compromisso com o mundo.

A mensagem de convocação do Tempo da Criação pelo Patriarca Dimitrios I, em 01-09-1989, alertava para os debates que se intensificariam no futuro sobre o cuidado com a Criação. “Cientistas e outros pesquisadores estão nos alertando do perigo e nos falam do fenômeno que ameaça a vida do nosso planeta, o qual pode ser chamado de ‘efeito estufa’. Em vista desta situação, a Igreja de Cristo não pode ficar paralisada. Isso constitui um dogma fundamental da fé, de que o mundo foi criado por Deus Pai. O homem é o príncipe da criação com o privilégio da liberdade. É simultaneamente um participante do mundo material e espiritual”.

O tema da celebração deste ano é pelo Ano Jubilar da Terra, os 50 anos do Dia Internacional da Terra. Para o papa Francisco significa “um tempo para dar liberdade aos oprimidos e a quantos estão acorrentados aos grilhões das várias formas de escravidão moderna, nomeadamente o tráfico de pessoas e o trabalho infantil”.

O atual Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, provoca a todos os cristãos para entrarem na “luta pela proteção da criação”, pois é “uma dimensão central da nossa fé”. Segundo Bartolomeu, “o respeito ao meio ambiente é um ato de doxologia do nome de Deus, enquanto a destruição da criação é uma ofensa ao Criador, totalmente inconciliável com os princípios fundamentais da teologia cristã”.

 

 

A Criação em Foco

Quando pensamos na criação de Deus, que imagem nos vêm à mente? É o sol no alvorecer, surgindo sobre uma campina pacífica repleta de flores silvestres? Ou uma mulher a tirar água de um poço num cenário de seca durante um período de estiagem? Podemos pensar ainda em uma vasta floresta carbonizada em tons de cinza e preto em decorrência das queimadas?

Na série A Criação em foco, Jeffrey conduzirá os leitores, a cada dia, a uma expedição visual para dentro das imagens da criação feitas em suas viagens. Ele conta as histórias por trás das fotos, apresentando os povos e os ambientes retratados, juntamente com as ameaças que estes sofrem e o trabalho empreendido de salvaguarda do mundo natural que chamam de casa.

Inspirado no tema deste ano do Tempo da Criação – “Jubileu pela Terra” –, Jeffrey reflete sobre as consequências das decisões humanas em muitos locais do mundo retratados nas fotos. Através das histórias das pessoas, explora como a mudança climática tem tornado mais destrutivos os desastres naturais, limitado o acesso a água potável, arruinado culturas de café na Guatemala e levado a conflitos na África. Ao mesmo tempo, ele traz exemplos de como decisões estratégicas podem também renovar a vida.

Confira a galeria de fotos.

 

A Criação em Foco, por Paul Jeffrey

 

Alguns comentários

 

 

 

 

 

Veja também

 

Revista IHU On-Line Nº 469
O ECOmenismo de Laudato Si’ Da Crise Ecológica à Ecologia Integral

Frente ao paradigma tecnocrático dominante, a Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum coloca em causa o lugar do ser humano na contemporaneidade. O texto se inscreve no contexto da realização da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP 21, em Paris, ocorrida de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015.

A edição 469 da revista IHU On-Line debate o documento pontifício no contexto das mudanças climáticas que desafiam o cuidado da casa comum. Participam do debate 23 pesquisadores e pesquisadoras das mais variadas áreas do conhecimento: biologia, física, geologia, meteorologia, sociologia, antropologia, economia, história, teologia e filosofia. Dentre os quais estão: Josh Rosenau, Gäel Giraud, Moema Miranda, Carlos Rittl, Jennifer Morgan, Veerabhadran Ramanathan, Paulo Suess, Chiara Frugoni, Patrick Viveret, José Roque Junges e Michael Czerny.


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Laudato Si' no Medium

O IHU separou uma coletânea de textos sobre a Laudato Si' no Medium. Em cada story há uma seleção de textos que dialogam com a proposta da Laudato Si' transversalizando com debates contemporâneos. Confira o material clicando nos banners abaixo.

 

Cadernos Teologia Pública

Laudato Si’ e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: uma convergência?
Artigo de Gaël Giraud e Philippe Orliange

Por ter sido publicada em 18 de junho de 2015, alguns meses antes da Conferência de Paris sobre o clima, a encíclica Laudato Si’ foi voluntariamente lida, no contexto das negociações internacionais sobre o clima, como uma contribuição da Santa Sé para o esforço coletivo de se chegar a um acordo universal. Na França, a realização da Conferência de Paris ofuscou um pouco os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos em setembro de 2015 sem debate nem encenação, após um processo de negociações iniciado em 2013. No entanto, é com os ODS e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas, que se deve comparar a encíclica de Francisco. Laudato Si’ e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável têm uma ambição universal em comum: ambos examinam as relações entre clima e desenvolvimento, ambos formulam respostas coletivas para desafios mundiais. Porém, o lugar ocupado por cada uma das duas instituições portadoras desses dois registros de discurso é certamente muito diferente: de um lado, a Igreja católica e, do outro, a “comunidade internacional” em sua perspectiva onusiana. Haveria uma visão convergente? O que ela significaria nas relações que a Igreja mantém, hoje, com “a” sociedade globalizada?


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Laudato Si’, o pensamento de Morin e a complexidade da realidade
Artigo de Giuseppe Fumarco

O artigo analisa a relação entre a encíclica Laudato Si’ e o pensamento de Morin sobre a complexidade da realidade, tendo como transfundo a “crise civilizacional”, provocada pelo próprio ser humano e experimentada em suas múltiplas e interligadas dimensões culturais, sociais, econômicas e climáticas.


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A encíclica Laudato Si' e os animais
Artigo de Gilmar Zampieri

O texto faz uma leitura crítica da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, mostrando o alcance da ecologia integral e os seus limites quando se pensa uma questão específica como é o caso dos animais e seus direitos. Entre os humanos e o meio ambiente, há os animais. Os animais não compõem o meio ambiente e não são recursos naturais que precisam ser preservados para o bem dos humanos. Os animais não compõem a paisagem. Eles não são coisas da natureza, eles são alguém com interesses e direitos que merecem nosso respeito, e não somente nossa compaixão. Nesse aspecto é um erro dizer que a crise atual é socioambiental. Mais correto então seria dizer que a crise é sócio-animal-ambiental. O texto, portanto, tematiza e problematiza a Laudato Si’ desde a perspectiva de uma ética e teologia da libertação animal


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