“Ministérios, liturgia e eucaristia. Chances para além do clericalismo”. Conferência com Andrea Grillo

Arte: Natália Froner | IHU

26 Agosto 2020

A pandemia acentuou diversas mudanças que já estavam em curso na sociedade. No âmbito eclesial não foi diferente. O confinamento forçado levantou diferentes questionamentos sobre o papel que a Igreja Católica deveria desempenhar: dar espaço à fé, ir ao encontro dos doentes isolados, fortalecer os movimentos solidários aos que mais necessitavam, descentralizar as ações e os sacramentos da responsabilidade do clero ou respeitar as recomendações de fechamento dos templos. Para alguns, o papel da Igreja em outras epidemias exigia uma fé protagonista; para outros o respeito à ciência e a adesão ao bem comum, em conjunto com toda a sociedade.

 

O teólogo italiano Andrea Grillo contribuiu com os variados debates que surgiram neste período por meio dos textos publicados no seu blog Come Se Non e, traduzidos para o português, na IHU On-Line. Na quinta-feira, 03-09-2020, às 10h, a convite do Instituto Humanitas Unisinos, Grillo proferirá a conferência Ministérios, Liturgia e Eucaristia. Chances para além do clericalismo, com transmissão ao vivo pelo Microsoft Teams e o canal IHU Comunica do Youtube. Os espectadores terão a possibilidade de acompanhar a palestra no idioma original, em italiano, e com tradução simultânea para o português.

 

Nas páginas da IHU On-Line podem ser encontrados mais de 300 textos, entre artigos, resenhas e entrevistas com Andrea Grillo, sobre liturgia, eucaristia, sacramentos, eclesiologia, os documentos pontifícios, Bíblia e filosofia. Durante a pandemia, o professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo debateu os desafios da Igreja e da sociedade no período pandêmico com autores como Giulio Meiattini, Massimo Introvigne, Marcello Neri, Giorgio Agamben, Pietro Piro, Fulvio Ferrario e Stefano Biancu, além de escrever recorrentes críticas às posturas centralizadoras dos bispos e padres que insistiam com a volta das missas presenciais, em reação às recomendações das autoridades de saúde.

 

Para Grillo, a Igreja de Francisco acompanhou o emergir da epidemia de forma vigilante e visando o bem comum, rechaçando posturas inconsequentes em nome de um protagonismo na sociedade. Para o autor, o atual pontificado tem como graça a construção de um novo horizonte para a Igreja, com princípios, linguagem e gestos fortes e bonitos, e que centra sua "revolução", ou subversão", justamente em entender seus limites e capacidades de respostas.

 

É neste sentido que Grillo compreende a superação de um modelo de Igreja autocentrada em seu próprio clero. O confinamento forçado por uma emergência sanitária fez com que as comunidades se distanciassem fisicamente, não celebrassem mais os sacramentos de forma conjunta. Tal situação "faz explodir duas lógicas opostas e antitéticas. Corrobora uma Igreja só de padres (e de padres sós) e relança a iniciativa dos fiéis não clérigos e não masculinos".

 

Portanto, para ele, a volta das celebrações eucarísticas dependeriam não apenas da vontade "automática" dos bispos - sobretudo a Conferência Episcopal Italiana, que em maio manifestou por carta e vídeo contra as proibições aplicadas pelo governo -, e sim de toda a comunidade celebrante, pois "[a Eucaristia] correlaciona cabeça e corpo, corpo místico e corpo verdadeiro, sacerdócio de Cristo e sacerdócio dos fiéis. São as comunidades reais - o rebanho com seus pastores que às vezes caminham na frente, sempre dentro e muitas vezes atrás – que devem decidir, pesando tudo muito bem".

 

Por isso, a pandemia faz com que três coisas decisivas sejam relançadas e postas em prática: "1. A assembleia celebrante é o corpo de Cristo ressuscitado (e, portanto, não pode, de forma alguma, ser pensado ou tornado acessório); 2. a assembleia precisa de mais ministérios, não só do presbítero; 3. as mulheres podem exercer funções de autoridade, porque podem e devem ser reconhecidas como titulares de um ministério em sentido forte e pleno. Nas mulheres, está implicado e se expressa o anúncio apostólico, do qual depende a própria tradição eclesial na sua plena verdade".

 

A conferência on-line com Andrea Grillo é a primeira do ciclo Igreja, Ministérios, Liturgia. Desafios e perspectivas na confluência das crises atuais. A inscrição é gratuita e pode ser feita neste link.

Transmissão pelo Microsoft Teams, em italiano (acesse aqui), e pelo Youtube, em português (acesse aqui).

 

 

Prof. Dr. Andrea Grillo - Pontifício Ateneu Santo Anselmo

Andrea Grillo é filósofo e teólogo italiano, leigo, especialista em liturgia e pastoral. Doutor em teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral, de Pádua, é professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua. Também é membro da Associação Teológica Italiana e da Associação dos Professores de Liturgia da Itália.

 

XVIII Simpósio Internacional IHU - A virada profética de Francisco
"A liturgia 50 anos após o Concílio Vaticano II: marcos, desafios, perspectivas",
por Andrea Grillo

 

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