Síria. Justiça para todos, “em nome de seu irmão Dall'Oglio”

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03 Agosto 2020

Foi uma sala lotada que em Roma, na sede da Federação Nacional da Imprensa (Fnsi), se reuniu para lembrar o padre Paolo Dall'Oglio, sete anos depois de seu sequestro na Síria.

A reportagem é de Asmae Dachan, publicada por Avvenire, de 30-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um encontro que não teve tom comemorativo, mas que foi, pelo contrário, um grande estímulo para pedir verdade e justiça sobre o destino do jesuíta, sequestrado em 29 de julho de 2013 em Raqqa, cidade onde o Daesh estava assumindo o controle. Na sala, as irmãs do padre Paolo, Francesca, Immacolata e Cecília, que nunca deixaram de pedir o esclarecimento sobre o destino de seu irmão e, juntamente com ele, também sobre o destino de outros milhares de sírios e sírios engolidos pelo buraco negro da guerra que se arrasta há mais de nove anos.

Com elas também os representantes da Fnsi Giuseppe Giulietti e Raffaele Lorusso, da Associação amigos do padre Paolo, na pessoa do presidente Riccardo Cristiano, deus ex machina da iniciativa, o prefeito do Dicastério para a comunicação da Santa Sé, Paolo Ruffini, padre Federico Lombardi, Presidente do Conselho de Administração da Fundação do Vaticano Joseph Ratzinger, Andrea Monda, diretor do Osservatore Romano, o imã eco-fundador da Comissão Internacional mariana muçulmano-cristã, Nader Akkad, padre Camillo Ripamonti do Centro Astalli e Augusto d'Angelo, da Comunidade de Santo Egídio. Contribuições importantes em vídeo de Riccardo Noury, porta-voz da Anistia Internacional e David Sassoli, presidente do Conselho Europeu que, para descrever o padre Paolo, falou em "oração, forte leitura da contemporaneidade e grande confiança nos homens".

Sassoli exortou a não dispersar o grande patrimônio do jesuíta, que ele definiu como uma "figura contemporânea, com valores que estão na base do projeto europeu".

O padre Paolo Dall'Oglio fisicamente foi o grande ausente, mas suas palavras, seu exemplo e seus ensinamentos animaram as várias intervenções. Francesca Dall'Oglio expressou isso com emoção e firmeza, falando sobre o padre Paolo como irmão, mas também como religioso. "Perguntei-me o que poderíamos fazer para marcar essa data e garantir que tivesse um sentido que partisse da história de Paolo e fosse além, para esclarecer a tragédia esquecida da Síria". Francesca, professora de religião, disse que costuma reler os livros e artigos escritos por Paolo. “Estou diante de um irmão, sim, que também é um profeta. Nestes sete terríveis anos, a fé me ajudou muito a continuar, a estar pronta para qualquer verdade. Então a Síria entrou no meu coração.

Quando falamos de Paolo - acrescentou ela - falamos da necessidade de verdade para todos os desaparecidos no país do Oriente Médio. Penso em Paolo e sinto na minha pele as tragédias de todas as vítimas, refugiados, deslocados. Confio-me à providência e à dimensão contemplativa que Paolo sempre teve”.

Apesar das preocupações e do silêncio, Francesca Dall'Oglio fala de esperança. “Pelas informações que coletamos, em 2018 Paolo estava vivo e estava em Baghuz. Nestes sete anos, tentei reconstruir o quebra-cabeça com todas as notícias e fragmentos da verdade e penso, sinto, espero que Paolo ainda esteja vivo”.

"Esse encontro colocou os irmãos de Paolo no centro - acrescentou sua irmã Cecilia - não apenas aqueles de sangue, mas também e principalmente os sírios. Saio desta experiência sentindo Paolo ainda mais perto, com seu testemunho e suas denúncias sobre o sofrimento dos sírios e sobre a necessidade de uma mobilização da comunidade internacional para colocar um fim ao conflito. Não podemos deixar de pensar nas condições de grande emergência com que hoje na Síria está sendo enfrentado também o coronavírus. Precisamos falar por aqueles que não têm voz, esperando que as respostas cheguem em breve. Hoje falamos de Paolo como ele gostaria, um Paolo que também é filho do povo sírio, que vive e sofre junto com seus irmãos. O Papa Francisco reiterou esse espírito também no documento sobre a Fraternidade Humana”. O imã Nader Akkad também se referiu a esse documento, relembrando sua amizade com Paolo, dizendo: "Era como se em Abu Dhabi as mãos que assinassem fossem três, também senti aquela do padre Paolo".

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