"Senhora, sou Francisco". O Papa telefona para a mãe de um jovem que morreu em um acidente de carro

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30 Julho 2020

Fabrizio Di Bitetto perdeu a vida aos 21 anos no bairro do Eur em Roma. Cinzia, sua mãe: “Suas palavras são como uma carícia. Confidenciei a ele que meu marido perdeu a fé e ele disse: eu entendo, é normal”. Emocionada? "Muito, eu me senti como uma criança desorientada".

A reportagem é publicada por Corriere della Sera, 29-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Atender o telefone e ouvir uma voz conhecida, ouvida sabe-se lá quantas vezes na TV ou no rádio, que diz: "Bom dia, sou o Papa Francisco".

Não é uma brincadeira. Ele, "Sua Santidade" em pessoa, como quase todo mundo instintivamente o chama quando está sob o efeito da emoção.

Nos últimos tempos, isso aconteceu várias vezes - em junho, para os funcionários do hospital de Pesaro (“Vocês são heróis”, com referência ao empenho contra a Covid); no final de abril, para Andrea, um garoto autista de Caravaggio (“Vá em frente, coragem, eh ...”), ainda durante o lockdown também a Lorena Bianchetti, apresentadora de “A sua immagine” na Rai 1 - mas nunca a pessoas comuns transtornadas por uma das tragédias dos tempos modernos: acidentes de carro.

Uma falta agora atendida pela pontífice argentino, que telefonou para Cinzia Desiati, uma mãe romana que há nove meses chora e ora em memória de seu filho, Fabrizio Di Bitetto, morador de Garbatella que morreu aos 21 anos em 5 de outubro passado no bairro do Eur,  Roma, quando o Chevrolet Matiz em que ele estava viajando com 4 amigos capotou várias vezes.

A ligação foi divulgada pelo jornal digital “Interris.it”, fundado pelo Pe. Aldo Buonaiuto, e - como outros no passado - representa muito bem o estilo e a personalidade do papa que veio "do fim do mundo".

A sra. Cinzia, ao relatar o acontecido, ficou comovida, quase incrédula. “Eram as 16h20 quando o celular tocou no domingo, 26-07-2020, à tarde. Número desconhecido. Há dias eu estava recebendo essa ligação, mas nunca atendia a tempo. Intrigada, eu respondi imediatamente e, do outro lado, uma voz muito doce me disse: ‘Olá, é senhora Cinzia? Sou o Papa Francisco’. Fiquei muito emocionada, me senti uma criança desorientada. Até pensei que fosse uma brincadeira, disse isso a ele e ele me tranquilizou dizendo ‘todo mundo pensa que é uma brincadeira quando eu ligo’, mas a voz era a dele".

Seu filho Fabrizio havia acabado o serviço civil e estava prestes a decidir qual curso de estudo e profissional seguir. Sonhos interrompidos pelo terrível acidente perto de "La Nuvola".

"Não foram meses fáceis - disse a mãe - até que, no início de julho, tomei coragem e escrevi uma carta ao Papa. Naquele rio de palavras, contei a ele quem era Fabrizio, fazendo um resumo da minha situação familiar. Anexei também uma foto do meu filho e concluí dizendo que meu desejo era encontrá-lo. Obviamente, acrescentei o número do telefone, o e-mail e o endereço, e ele escolheu a maneira mais próxima de me contatar".

Quais foram as palavras de Francisco? “Tenho aqui a foto de Fabrizio, o Santo Padre me disse, e naquele momento me tranquilizei. ‘Como você está?’, ele acrescentou. ‘E como está seu marido?’ Conversamos sobre Fabrizio e ele me disse que esses infortúnios não deveriam acontecer”.

A conversa continuou um pouco mais. “Contei a ele como esse evento havia transtornado a vida de todos nós e confidenciei que meu marido havia perdido a fé. Ele me tranquilizou dizendo: ‘Eu entendo. É normal que isso aconteça’. Com as palavras de um pai, ele repetiu várias vezes que entendia a atitude de meu marido sem condená-lo, aliás justificando sua atitude devido à dor intensa sofrida”.

Ao pedido da mulher de encontrá-lo, também junto com o marido, diretor da policlínica Umberto I, o papa respondeu: "Quando for possível, teremos esse encontro, enquanto isso eu oro e oro por sua família, mas vocês devem orar por mim".

Cinzia acrescentou: “Até a minha fé vacilou. Eu derramei minha dor contra o Senhor. Tirei todos os crucifixos, mas me segurei na imagem de Nossa Senhora, porque ela viveu minha mesma dor. Em 8 de dezembro, no entanto, quando o Natal se aproximava e estávamos em condições desesperadoras, tomei coragem para viver as festas como cristã, mesmo que quisesse adormecer e acordar diretamente em 7 de janeiro. Então voltei a colocar o pé na igreja. Durante a missa, orei e iniciei uma jornada interna que me reaproximou do Senhor. Naquele momento, coloquei todos os símbolos religiosos de volta em casa”.

Hoje, o conforto é grande. “O Papa Francisco me deu alegria. Falar com ele foi como uma carícia, como se Fabrizio tivesse feito isso comigo - concluiu a senhora entrevistada pelo jornalista da "Interris" -. Senti uma sensação muito boa, que me devolveu o sorriso nos lábios, algo que não sentia desde 4 de outubro”. No dia da ligação, no domingo passado, foi o dia de Santa Ana e, para Cinzia, poderia não ter sido uma coincidência. "Ela é a protetora de todas as mães e de manhã eu havia recebido uma foto onde estava escrito ‘26 de julho, festa de Santa Ana. Proteja todas as mães e dê a elas a força para não desistir‘. À tarde, recebi a ligação e não acho que tenha sido casual. Foi Fabrizio quem me fez receber aquele telefonema: é como se através do papa ele quisesse dizer "mãe, você precisa continuar a ser forte e não desistir", o papa também me disse isso. Quem poderia saber mais do que ele?”

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