Autoridade vaticana critica a “política insensível” nos EUA e na Inglaterra como resposta à pandemia

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28 Julho 2020

Dom Vincenzo Paglia propôs que haja solidariedade entre os países para se resolver a pandemia de covid-19 e expressou o seu descontentamento com a decisão dos Estados Unidos de se retirar da Organização Mundial da Saúde.

A reportagem é de Claire Giangravé, publicada por Religion News Service, 23-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“As organizações internacionais e nacionais de saúde, que realmente cometeram erros, não deveriam ser desmanteladas, mas fortalecidas”, disse Paglia, prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano, em entrevista ao Religion News Service no último dia 23 de julho.

A pandemia de coronavírus, reconheceu ele, gerou um caos na comunidade científica ao criar muitos – e por vezes conflitantes – estudos, mas também, segundo o religioso, levou a uma “política insensível”.

“Pensemos naqueles políticos que negaram a presença da pandemia”, disse. “Pensemos no fato de que os Estados Unidos abandonaram a Organização Mundial da Saúde”.

O governo americano formalmente notificou a Organização Mundial da Saúde sobre sua retirada do organismo em 8 de julho.

Vários líderes mundiais pareceram minimizar o perigo da pandemia. O primeiro-ministro inglês Boris Johnson foi criticado por não tomar as medidas necessárias para evitar a disseminação do vírus antes de ele próprio contrair a doença. Jair Bolsonaro esteve entre os negadores mais declarados da covid-19; ele também foi infectado pelo vírus.

Da Nicarágua à Bielorrússia, passando pela Tanzânia, temos muitos exemplos de representantes políticos que parecem ter falhado seriamente em abordar a pandemia.

O presidente Donald Trump esteve entre os políticos acusados de não tomar medidas sérias de contenção do vírus. No passado, Trump culpou o número crescente de casos nos EUA ao aumento no número de testagens, mas em entrevista coletiva semana passada ele mudou de opinião e pediu que os cidadãos usassem máscaras.

De acordo com Paglia, que vive em Roma, a Itália foi pega de surpresa pela pandemia e teve de recorrer a medidas imediatistas. Mas, disse ele, outros países tiveram mais tempo e conhecimento para agir no sentido de evitar a disseminação da covid-19 e, mesmo assim, falharam; estes países “não acreditaram no impacto dramático do vírus”.

“Nos Estados Unidos, bem como outros países, incluindo a Inglaterra, as decisões tomadas foram infelizmente superficiais”, disse o arcebispo.

Paglia concedeu entrevista um dia depois que a Pontifícia Academia para a Vida, entidade que ele preside, publicou um documento intitulado “Humana Communitas na era da pandemia. Reflexões intempestivas sobre o renascimento da vida”.

“A Covid-19 trouxe muita desolação ao mundo”, lê-se no documento, acrescentando que esta doença pode conduzir “a situações de isolamento, desespero, ira e abuso”.

O texto segue enfocando a pandemia e a fraternidade universal. Destaca a fragilidade que ficou exposta pelo vírus bem como a interconexão das nossas sociedades globalizadas, que exige uma reposta globalizada.

O novo documento do Vaticano critica ainda o “jogo cínico da culpa recíproca” que alguns países empreenderam durante a pandemia e condena a “inaptidão de suas lideranças políticas em articular protocolos éticos, forjar sistemas normativos, reimaginar a vida com base em ideais de solidariedade e solicitude recíproca”.

O Papa Francisco disse que “todos estamos no mesmo barco” ao falar da pandemia em março. Segundo Paglia, “estamos também na mesma tempestade”. Isso requer uma “conversão moral”, disse ele, para evitar o individualismo e o egocentrismo que permitiram a disseminação do coronavírus.

Os países com os sistemas de saúde mais avançados do mundo – EUA, Inglaterra, Espanha – estiveram entre os mais atingidos pelo vírus, observou Paglia. Isto sublinha a importância de separarmos o lucro das preocupações com a saúde, bem como a necessidade de mudar para um sistema que ponha a atenção sobre os mais vulneráveis.

“Acabamos nos tornando subservientes à nossa onipotência presumida e em nossa proeza técnica supostamente imbatível”, completou o religioso.

A necessidade da solidariedade, segundo disse também, é essencial na questão do uso de máscaras, coisa que ficou altamente politizada, especialmente nos EUA.

“Essas pequenas batalhas, esses combates aparentemente importantes, correm o risco de perder a guerra”, disse Paglia na entrevista. “Ou todos nos salvamos, ou ninguém se salva”.

“Usar máscara tem a ver com uma ajuda ao outro, além da perspectiva estritamente técnica, tem também um aspecto de ser uma solidariedade visível. Usar máscara mostra um cuidado para com o outro”, acrescentou.

O arcebispo falou que a Academia para a Vida está trabalhando em um terceiro documento sobre a pandemia e suas consequências, cujo texto enfocará a população idosa atingida mais fortemente pelo vírus. O documento vai destacar os problemas dentro dos lares de idosos que, disse Paglia, “se transformaram em tumbas” para os mais velhos.

“O real problema é que a sociedade como um todo não tem ideia de como lidar com estes 20 anos a mais de vida recebidos da ciência, da medicina e do progresso”, disse.

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