Compromisso de Ecojesuit para construir uma nova normalidade

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21 Julho 2020

Compartilhamos o Comunicado e Compromisso de Ecojesuit para reconstruir uma nova normalidade. Ecojesuit é a plataforma de comunicação internacional on-line respaldada pela Global Ignatian Adovcacy Network (GIAN) da Companhia de Jesus.

O comunicado é publicado por CPAL Social, 16-07-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o comunicado.

 

A vulnerabilidade humana e a degradação ambiental ficam desnudas mais uma vez na medida em que cresce a pandemia e os registros dos países revelam a propagação do vírus. Todos nós estamos em risco, porém, assim como em outros desastres, sempre são os pobres e os marginalizados os que mais sofrem pela contínua negligência da sociedade, deixando-os com opções limitadas e vozes debilitadas. O contínuo abuso e invasão de um entorno já em degradação, aumenta o potencial de pandemias, apesar dos avanços na ciência e tecnologia impulsionados por um modelo tecnocrático de desenvolvimento (LS 194).

Voltar à normalidade não é aceitável – o que se necessita é reconstruir uma nova normalidade com renovada urgência. Uma nova normalidade requer abordar as desigualdades e injustiças estruturais ao nível global, e reduzir a vulnerabilidade dos pobres e marginalizados. Uma nova normalidade significa construir uma economia justa, equidade geracional e uma cultura de solidariedade centrada no bem comum, inclusiva e com baixo carbono. Uma economia de exclusão exacerba os efeitos tanto da mudança climática como da pandemia. Uma nova normalidade nos arraiga na consciência humilde e agradecida de nossa interdependência, levando-nos a um processo de conversão pessoal e coletiva com compaixão e esperança, integrando nossas ações como um corpo através de diferentes níveis, realidades e dimensões.

Este é o contexto no qual surgiu um diálogo mais profundo com as equipes de Ecojesuit das seis Conferências, e um entendimento de que é necessário que as Conferências fortaleçam sua solidariedade com as comunidades locais. A necessidade de reconstruir uma nova normalidade foi a conclusão compartilhada. Isso convida as Conferências para que fortaleçam a solidariedade com as comunidades locais, a uma escuta mais profunda e a um maior compromisso. Isso significa compartilhar suas histórias para lhes permitir participar no chamado global pela justiça, como resposta ao extenso convite para uma gestão cuidadosa do oikos. Estamos necessitados de um novo modelo para o desenvolvimento humano e novas relações com a criação e entre nós, à medida que nos damos conta de nossa interdependência e interconexão.

Todos compartilhamos uma casa comum, e seu cuidado somente será efetivo quando houver solidariedade para satisfazer as necessidades básicas e a ação urgente pelo oikos. Ecojesuit busca fortalecer a colaboração com outras redes, já que todos construímos uma visão por um mundo justo no qual todas as vidas são valorizadas.

As histórias locais e regionais de mudanças provenientes das práticas de comunidades inspiram e fortalecem a solidariedade, levando os temores, o isolamento e a sensação de ser pequenos e estar a sós em meio a um problema global. Com a solidariedade como base, Ecojesuit está adotando um enfoque de “aprendizagem através do trabalho em rede”, no qual colaboramos para aprofundar na aprendizagem, reconhecendo com humildade que não temos as respostas, porém temos o desejo de contribuir a uma base para a ação social. A integridade dessa resposta requer uma conversão interna que se encontra no coração destas mudanças, e na humilde transparência da comunidade jesuíta e a vida institucional que Ecojesuit também busca compartilhar.

Identificam-se seis ações principais para contribuir ao processo de reconstruir uma nova normalidade, nas quais as Conferências podem participar ativamente.

 

1. Conectar agricultura e empreendimento

O acesso aos alimentos é uma preocupação primordial, claramente manifestada em todas as conferências. Esta ação implica aproveitar as atividades agrícolas e empresariais de profissionais, organizadores, outras redes e associações de ex-alunos.

Em relação a isso, existe a preocupação de gerar emprego local e questões mais amplas sobre desenvolvimento rural, migrantes retornados, desigualdades no mercado produtor e mudanças no uso da terra.

O esforço que agora surge para a Ecojesuit é desenvolver uma plataforma global para compartilhar histórias e estratégias locais em agricultura sustentável e comunitária, por trocas virtuais dinâmicas.

 

2. Abordar a integridade social, econômica e ambiental em face da profunda pobreza - como sempre - e da degradação ambiental

Os impactos da crise da covid-19 são comparados aos de desastres naturais, dada a necessidade de preparação e adaptação, enquanto as crises ambientais, como secas e pragas de gafanhotos, também afetam as próprias comunidades vulneráveis.

Não há respostas escritas sobre como reconstruir melhor, mas as maiores esperanças estão nas ações tomadas no nível local, em resposta às experiências no terreno e nas medidas efetivas tomadas pelos governos e organizações locais.

Também é necessário envolver tomadores de decisão estaduais, governamentais e locais para aprofundar nossa resposta. A Ecojesuit promoverá uma série de diálogos, eventos on-line e comunicados à imprensa que destacam e interconectam essas diferentes realidades, à medida que o conhecimento se desenvolve para ajudar a construir o novo normal.

 

3. Defender a ação climática, os direitos humanos e a contribuição dos povos indígenas

Com base em conquistas históricas como o Acordo de Paris, o movimento de ação climática liderado por jovens nos últimos anos indicou uma crescente conscientização global de que os impactos das mudanças climáticas não são apenas ambientais, mas também destacam o direito humano a um clima estável. Desde a extração de combustíveis fósseis, até as repercussões de desastres relacionados ao clima, as comunidades e o meio ambiente experimentam profundamente os fatores impulsionadores e os impactos das mudanças climáticas.

As comunidades indígenas, guardiãs das florestas, estão entre as mais ameaçadas em sua busca por proteger suas terras, cultura e modos de vida.

Muitos países precisam de assistência técnica e financeira para evitar serem apanhados na dinâmica da energia barata e suja e no ciclo industrial, pois suas economias buscam crescer, mas têm a opção preferencial de mudar para a energia limpa.

Um entendimento mais amplo dessas interconexões pode contribuir significativamente para uma resposta justa à crise climática e à ação climática, integrando os direitos humanos como uma preocupação central.

A Ecojesuit busca contribuir para esse entendimento e incentivar ações com eventos on-line e trabalhos em rede.

 

4. Monitorar e explicar as instituições econômicas emergentes em todo o mundo

Instituições econômicas internacionais (como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, etc.) e as Nações Unidas têm uma grande influência na direção e nas prioridades dos investimentos e nos sistemas financeiros mais amplos.

Algumas mudanças em suas políticas estão levando a uma maior inclusão, por exemplo, abordando o desemprego e alinhando-se às apostas verdes como energia alternativa. Procuramos comunicar e explicar essas mudanças econômicas globais, estabelecendo parcerias com especialistas por meio de publicações e outras mídias.

Globalmente, a Ecojesuit continua a monitorar e participar de processos internacionais como a COP26 e o Fórum Econômico Mundial, que exercem grande influência sobre o paradigma econômico e as preocupações ambientais em larga escala.

 

5. Fortalecer a plataforma de ação das universidades para Laudato Si', outras plataformas de ação do ano Laudato Si' e a Querida Amazônia

A Plataforma de Universidades para Laudato Si' e seis outras Plataformas de Ação estão surgindo e são uma oportunidade de destacar o papel de nossas instituições de ensino na ação social e ambiental e na pesquisa baseada na comunidade.

As discussões iniciais já começaram entre o Departamento da IAJU para o Serviço Integral de Desenvolvimento Humano e certas universidades, para que estas possam participar do processo de design e desenvolvimento.

A Ecojesuit também continua a apoiar os esforços de desinvestimento das instituições jesuítas.

A Querida Amazônia é outra área de ação, pois seu apelo à ecologia e sinodalidade integral influencia e informa o trabalho e a abordagem da Ecojesuit.

O Ecojesuit continuará a facilitar e participar de discussões com universidades e a IAJU e com aqueles que procuram se envolver com as Plataformas de Ação de Laudato Si' e com discussões sobre biomas territoriais.

 

6. Promover a eco-espiritualidade e a necessidade de conscientização na educação básica

A consciência ecológica e a eco-espiritualidade andam de mãos dadas no desenvolvimento de um senso mais profundo de propósito e significado para a ecologia holística entre os jovens.

As escolas são locais onde podemos ajudar a semear interconectividade, comunidade e assistência, para que as escolas possam liderar e realizar as ações de colaboração necessárias com outras secretarias e redes.

O Ecojesuit procura promover esforços eco-espirituais nas escolas e nas atividades dos jovens, para ajudar a impulsionar a conversão ecológica.

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Por meio dessas ações, a Ecojesuit busca contribuir para a formação de uma atitude renovada, à medida que reconstruímos uma nova normalidade, onde a justiça ecológica e social é mais bem integrada aos nossos valores e estilos de vida. Isso concentra os esforços da Ecojesuit e afirma nosso compromisso com as Preferências Apostólicas Universais.

O Ecojesuit facilitará e permitirá discussões que incluam vozes de comunidades locais, líderes empresariais, crenças e religiões, formuladores de políticas e especialistas em economia, para contribuir para uma perspectiva mais ampla em direção a uma sociedade justa e sustentável.

 

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