Livro sobre o Concílio Vaticano II de teólogo australiano é premiado nos EUA

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09 Julho 2020

Um livro sobre o Vaticano II, de um professor da Universidade Católica Australiana, foi considerado o livro de teologia católica mais importante do ano.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) tem sido descrito como o evento magisterial mais significativo dos últimos dois séculos da Igreja Católica.

A reportagem foi publicada por Catholic Outlook, 08-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A obra The Vision of Vatican II: Its Fundamental Principles foi escrita pelo professor Ormond Rush, que leciona teologia na Universidade Católica Australiana e que é padre da Diocese de Townsville.

O prêmio, concedido pela Catholic Press Association, associação de imprensa católica dos EUA e Canadá, foi anunciado em 3 de julho, com a lista completa dos ganhadores disponível aqui. [1] The Vision of Vatican II ficou em primeiro lugar na categoria “Estudos Teológicos e Filosóficos”.

O livro analisa os princípios-chave do Vaticano II e convida a Igreja de hoje a dar continuidade ao trabalho iniciado. O professor Rush espera que o sucesso do seu livro impulsione as lideranças eclesiásticas a avançar no trabalho do Concílio Vaticano II. Deseja também que a Assembleia Plenária, a ocorrer na Austrália nos próximos meses, reflita sobre a visão do Vaticano II.

“Quero que as pessoas sintam o entusiasmo que eu tenho pela visão do concílio, mas também que tenham uma antecipação salutar e, na verdade, que sintam uma impaciência pela realização mais plena dos princípios deste concílio”, disse ele.

Em particular, o religioso espera ver um maior progresso nos desafios ao clericalismo e no reconhecimento da importância dos leigos na missão da Igreja, temas que foram essenciais para as conclusões do Vaticano II, mas que encontraram certa resistência desde então.

“Um dos grandes desafios do Concílio Vaticano II foi o de se afastar da visão extremamente legalista e triunfalista de Igreja. Duas palavras recorrentes no Vaticano II foram “participação” e “diálogo”.

O professor disse que a tensão entre as visões clericalista e participatória da Igreja tiveram implicações práticas, como o estilo de liderança do pároco entre os paroquianos ou na relação com as escolas católicas.

Segundo o ganhador do prêmio, na esteira dos escândalos de abuso sexual que abalaram a Igreja, houve uma conscientização sobre o poder exagerado concedido à hierarquia católica. “Clericalismo foi uma palavra bastante presente na Comissão Real [para as Repostas Institucionais ao Abuso Sexual Infantil] da Austrália”. Muitos leigos sabiam do que estavam falando. Houve uma sensação de assédio moral, uma imagem do pároco como alguém todo-poderoso e que deveria controlar tudo. Eu penso que, na esteira dos horrores que ocorreram, os leigos foram empoderados a dizer: ‘Precisamos ter voz e vez. Precisamos ser ouvidos’. As pessoas estão vendo essa ocasião como uma oportunidade de mudança”.

Para o Ormond Rush, chegou a hora de se abordar o papel da mulher na Igreja, tema que não havia penetrado na consciência da Igreja durante o Concílio Vaticano II, no começo dos anos 60, mas que estendeu os seus princípios de participação em consonância com as mudanças sociais dos últimos cinquenta anos.

“Há muita resistência. E isso me incomoda”, disse. “Implementar os princípios do Vaticano II significaria seguir aquelas trajetórias e incluir as mulheres”, explicou o professor.

Ormond Rush dará continuidade à sua pesquisa sobre o legado do Concílio Vaticano II na qualidade de investigador principal do recém-criado Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano II. Este centro, abrigado dentro da Faculdade de Teologia e Filosofia da Universidade Católica Australiana, é uma parceria entre a citada universidade, a Universidade Católica de Lovain e a Universidade de Tilburg, com um conselho consultivo internacional de especialistas.

Nota

[1] Confira aqui, em inglês, a listagem dos livros premiados.

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