Sucesso e fracasso no combate à covid-19: Brasil, República Dominicana, Cuba e Jamaica. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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07 Julho 2020

"A pandemia atingiu de maneira diferente os diversos países e o Brasil foi profundamente impactado devido aos erros do governo Federal que não adotou as medidas necessárias para conter o coronavírus. A necropolítica do presidente Bolsonaro promoveu a morbimortalidade da covid-19", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 06-07-2020.

Eis o artigo.

“A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem para em qualquer topada” - Bob Marley (1945-1981)

A América Latina fez a passagem do primeiro para o segundo semestre de 2020 como o epicentro global da pandemia e o Brasil é o país líder da triste estatística das vítimas diárias da covid-19. O mundo contabiliza nos registros oficiais quase 12 milhões de pessoas infectadas e quase 550 mil mortes. O Brasil (que possui 2,7% da população mundial), responde, sozinho, por 14% dos casos e 12% das mortes acumuladas globalmente pelo Sars-CoV-2. Nas mortes diárias o Brasil responde por mais de 20% dos óbitos globais.

O gráfico abaixo do site Our World in Data – em escala logarítmica – mostra o Brasil com mais de 1,5 milhão de casos acumulados, a República Dominicana com um número muito menor, 37 mil casos, depois Cuba com 2,4 mil casos e a Jamaica com somente 728 casos. Nota-se que o Brasil tem a curva mais inclinada (mais vertical), enquanto a Jamaica a curva mais horizontal. Isto quer dizer que o Brasil não só tem muito mais pessoas infectadas, como continua com uma velocidade maior na propagação e contaminação do vírus.

O gráfico abaixo, também do site Our World in Data, em escala logarítmica, mostra o número acumulado de mortes. O Brasil com mais de 60 mil mortes está em segundo lugar no triste ranking global (atrás apenas dos EUA) e em primeiro lugar isolado e disparado na América Latina. A República Dominicana tem menos de 1 mil mortes, Cuba 86 mortes e a Jamaica com apenas 10 mortes. A Jamaica tem menos morte do que outros países de sucesso da ALC, como Uruguai (28 mortes), Paraguai (20 mortes) e Costa Rica (19 mortes).

Como estes quatro países possuem dimensões geográficas e demográficas muito diferenciadas, é fundamental analisar os coeficientes de incidência e de mortalidade que ponderam o número de casos e de mortes pelo tamanho da população. Nota-se que o Brasil possui um coeficiente de incidência de 7.570 casos por milhão de habitantes, muito acima dos 3.450 casos por milhão da República Dominicana, dos 1.482 casos por milhão da média mundial, dos 246 casos por milhão da Jamaica e dos 208 casos por milhão de Cuba. As taxas de testes são parecidas no Brasil, República Dominica e Cuba e mais baixa na Jamaica.

Em relação ao coeficiente de mortalidade nota-se que o Brasil possui 306 mortes por milhão de habitantes, mais de 4 vezes a média mundial e 100 vezes maior do que o coeficiente da Jamaica, que é um dos países da América Latina e Caribe (ALC) que melhor conseguiu evitar a perda de vidas para a covid-19. A Jamaica também possui a menor taxa de letalidade (1,4% de mortes em relação aos casos).

A pandemia atingiu de maneira diferente os diversos países e o Brasil foi profundamente impactado devido aos erros do governo Federal que não adotou as medidas necessárias para conter o coronavírus. A necropolítica do presidente Bolsonaro promoveu a morbimortalidade da covid-19. Por outro lado, Cuba conseguir controlar a pandemia com um custo baixo e deu um olé no Brasil. O fato de ser uma ilha pequena não explica tudo, pois a República Dominicana é também uma ilha com uma população aproximadamente igual e foi muito mais impactada. Mas entre os 4 países aqui apresentados, o grande sucesso no combate à covid-19 aconteceu na Jamaica.

O governo jamaicano implementou um programa de apoio social e econômico chamado Programa CARE, que presta assistência a indivíduos vulneráveis ​​e pequenas empresas por meio de canais de entrega existentes e inovadores. Mais especificamente, o programa fornece:

• subsídios para aqueles que estavam desempregados ou empregados informalmente;

• subsídios temporários de desemprego aos empregados anteriormente que foram demitidos ou demitidos desde a pandemia; e

• subsídios para trabalhadores independentes cujos ganhos regulares foram interrompidos, além de subsídios para pequenas empresas.

O Programa CARE também incentiva os empregadores em setores específicos a permanecerem conectados aos seus funcionários. As transferências são feitas para empresas que mantêm funcionários (que estão abaixo de um determinado nível de renda) em sua folha de pagamento. Entre outras medidas, o Programa CARE fornece apoio a doentes, idosos, deficientes e pessoas economicamente vulneráveis ​​pré-pandemia, complementando os programas existentes.

Além disso, o governo apoiou novos gastos em saúde. O orçamento do ano fiscal 2020/21 está sendo ajustado para acomodar receitas mais baixas, novas despesas, redefinição de prioridade das despesas planejadas anteriormente e utilização de recursos de caixa. Também houve esforço para garantir a transparência e a boa governança nos gastos e compras associadas às nossas respostas políticas ao COVID-19.

Por fim e não menos importante, houve apoio da sociedade civil e personalidades como o velocista e medalhista de ouro, Usain Bolt e outros integrantes do grupo de atletas que estão engajados em ajudar na luta contra o coronavírus. O dono de oito medalhas de ouro olímpicas desembolsou 3,7 milhões de dólares ao programa Teleton de seu país. A iniciativa é chancelada pelo Ministério da Saúde da Jamaica e focada em arrecadar fundos para ajudar os mais necessitados durante a pandemia. Sem dúvida a Jamaica foi veloz no controle da pandemia e é um exemplo para toda a América Latina e Caribe.

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