No Mato Grosso proposta de homenagem, em Angola questionamentos

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06 Junho 2020

O deputado estadual mato-grossense, Antônio Vaz (Republicanos), apresentou proposta à Assembleia para lembrar o 9 de julho como Dia Estadual da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Trata-se, justificou, de homenagear a denominação por suas contribuições à sociedade do Estado, do Brasil e de outros países.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

Se fosse apresentar projeto semelhante ao Legislativo angolano, certamente não seria aprovado. A Procuradoria-Geral da República de Angola abriu investigação para apurar denúncia de mulheres de que a IURD força pastores a realizar a vasectomia. Também no Brasil a igreja responde a processos sob a mesma acusação. 

“Não à violação da Constituição da República de Angola, não à evasão de divisas, não à vasectomia, constituir família é um direito”, diziam cartazes que as mulheres, muitas delas esposas de pastores, levavam na marcha, realizada num sábado, 14 de março, pela avenida Ho-Chi-Min, em Luanda

Em frente à catedral do Maculusso, manifestantes leram moção de solidariedade às esposas e pastores da IURD, na qual apelaram a todas as organizações de mulheres do país, deputadas, organismos nacionais e internacionais para que defendam os direitos humanos, em particular o das mulheres, informou o Correio da Manhã, de Angola

“Por isso manifestamos toda a nossa solidariedade e gritamos, não aceitamos a mutilação dos órgãos genitais masculinos, não à vasectomia imposta e não à exterminação da raça humana”, protestaram as mulheres.

Em declaração à Agência Lusa, Nádia Monteiro, membro da igreja, lembrou que já existe queixa-crime a respeito dos atos que estavam denunciando. O procedimento cirúrgico “não é um problema, disse, porque é um método anticonceptivo, mas o casal, a pessoa em causa, tem que fazê-lo de livre e espontânea vontade”, explicou. Porém a “igreja não aceita, a igreja impõe que seja feita”. 

Outra paroquiana, Odete Carla, da catedral do Morro Bento, estima que o número de pastores que foram submetidos à vasectomia chega à ordem das três centenas. “Não é justo o que os brasileiros estão a fazer ao angolano”, afirmou. “O que está a acontecer no país não é justo, prosseguiu, não aceitamos isso, nós queremos a liderança brasileira fora, queremos liderança angolana, porque na IURD é um negócio que existe, envelope atrás de envelopes”. 

As divergências, informa a agência Lusa, vêm desde novembro do ano passado, quando um grupo de bispos e pastores rompeu com a IURD. Num comunicado assinado por mais de 300 obreiros eles denunciaram as práticas obrigatórias de esterilização masculina, de evasão de divisas para o exterior e venda do patrimônio da igreja. 

Em junho do ano passado, o jornal Folha de S. Paulo noticiava que a IURD respondia a ações judiciais movidas por ex pastores, sob a acusação de que teriam sido forçados ou pressionados a fazer vasectomia. A IURD nega que imponha a vasectomia e que, ao contrário, estimula o planejamento familiar dos casais. 

O Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo condenou a Universal, em segunda instância, em maio de 2019, a pagar 115 mil reais de indenização por danos morais e materiais ao ex pastor Clarindo de Oliveira, 45 anos. Ele contou à FSP que, ao realizar a cirurgia na capital paulista, foi orientado pelos seus superiores a não relatar à família, num primeiro momento, a respeito do procedimento. 

“A intenção (de solicitar a cirurgia), eu percebi depois, era impedir que o pastor fique preso em uma cidade por filhos, além de evitar ter despesas a mais com a família”, relatou o ex pastor ao jornal. Ele prestou serviços à IURD entre 1994 a 2010 em templos no Brasil e em Honduras

Oliveira relatou ainda que ele tinha metas financeiras de arrecadação e, se elas não fossem alcançadas, havia punições. “Você era retirado da sua igreja e mandado para outra, tinha salário rebaixado, era colocado numa casa pior”, contou. 

Histórias como a relatada por Oliveira chegaram a pelo menos cinco Tribunais do Trabalho no ano passado. À Folha, a IURD afirmou que condenações são exceção nos processos movidos contra a igreja.

 

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