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21 Mai 2020

Um nascer do sol cintilante em Nova York, paisagens sem poluição em Bogotá, céus positivamente alpinos em Nova Déli: o atual confinamento pandêmico mundial nos permitiu ter uma visão do que as reduções nos níveis de poluição por combustíveis fósseis podem fazer pelo planeta.

O comentário é de Dominic Preziosi, editor da revista Commonweal, publicado por La Croix International, 20-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o texto.

As emissões mundiais de carbono deverão cair pelo menos 8% em 2020 – a maior queda desde a crise financeira de 2008.

Nos Estados Unidos, este número pode alcançar 11%, a maior baixa em setenta anos, graças ao desligamento de usinas a carvão, as quais não são somente sujas como também extremamente caras para operar mesmo em períodos de demanda normal de eletricidade.

Alternativas limpas, como as energias solar e eólica, que se tornaram mais eficientes, mais baratas e mais atraentes aos investidores, poderão, pela primeira vez, produzir mais energia que o carvão nos Estados Unidos este ano.

O mercado do petróleo também caiu neste período e pode nunca se recuperar por completo. Ele já lutava contra uma onda pré-pandêmica de desinvestimento embalada por importantes acionistas institucionais e agora tem sofrido com a combinação de uma superprodução e uma demanda em queda.

A Exxon, que por décadas realizou uma campanha extravagante de mentiras sobre o efeito de seus produtos no clima, não é mais “o rei indiscutível” de Wall Street, como a Bloomberg Businessweek escreveu recentemente, mas uma “empresa medíocre” que vale menos que a Home Depot.

Aproveitando-se da crise na saúde

Não devemos considerar os céus mais claros como sendo sinais de um progresso no enfrentamento da crise climática; eles são um efeito temporário de uma emergência mundial na área da saúde que já matou centenas de milhares de pessoas e prejudicou a economia.

O mundo parou, mas o planeta não esfriou: os três primeiros meses deste ano ficaram em segundo lugar como os três primeiros meses mais quentes da história, e 2020 como um todo pode estabelecer um recorde. Atualmente, o gelo na Groenlândia está derretendo seis vezes mais do que na década de 1990.

A ONU estima que em 2050 possa haver até 1 bilhão de refugiados climáticos. As pandemias na escala desta que vivemos hoje tornam-se mais prováveis à medida que o planeta esquenta.

“É tarde demais para determos o aquecimento global”, escreveu Bill McKibben na edição de março da revista New York Review of Books, “mas os próximos dez anos parecem como se fossem a nossa última chance de limitar o caos”.

Esta chance conta com a adoção mais rápida de fontes renováveis de energia.

A tendência é animadora, mas o setor de energia alternativa não foi poupado dos prejuízos econômicos advindos da pandemia de coronavírus. Enquanto isso, o governo de Donald Trump tem se aproveitado da crise atual para continuar desmantelando as medidas de combate à crise climática.

No final de março, com a paralisação do país, a Casa Branca anunciou a anulação dos padrões de eficiência de combustíveis automobilísticos criados na era Obama – medida que levará à liberação de um bilhão a mais de toneladas de dióxido de carbono.

Essa mudança de política foi devidamente saudada pela indústria de combustíveis fósseis e por membros do Partido Republicano.

Esse é apenas um dos sessenta e poucos regulamentos climáticos e ambientais que Trump desfez desde que assumiu o cargo; ele já tem em vista outros trinta.

No final de maio, o coordenador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos estava finalizando as novas regras que consagrarão legalmente os interesses comerciais, e não os benefícios para a saúde pública, como a principal medida na avaliação da conformidade em se tratando de regulamentações ambientais, medida comemorada por seu legado potencial que impede futuras governos de alterá-la.

O fato triste é que ninguém se surpreende com estas ações. Desde o começo, o atual governo pôr os lucros corporativos de curto prazo à frente da saúde do planeta, exatamente como agora está pondo a conveniência política à frente da saúde pública.

Enquanto Donald Trump permanecer no poder, não haverá motivos para esperarmos alguma mudança.

 

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