São João Paulo II é homenageado enquanto a Polônia convive com novas acusações de abuso

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19 Mai 2020

São João Paulo II recebeu homenagens no centenário de seu nascimento, em 18 de maio, com missas especiais no Vaticano e na Polônia, aniversário celebrado num momento em que a Igreja polonesa se vê confrontada com novas acusações de abuso sexual clerical.

A reportagem é publicada por National Cahtolic Reporter, 18-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Da pequena cidade de Wadowice, na Polônia, onde Karol Wojtyla nasceu em 18-05-1920, até Varsóvia e no Vaticano, os católicos fizeram orações de agradecimento por aquele que foi papa de 1978 até sua morte em 2005.

“E hoje nós aqui podemos dizer: cem anos atrás o Senhor visitou o seu povo”, disse o Papa Francisco em uma missa matinal na Basílica de São Pedro. “Ao celebrar a memória de São João Paulo II, lembremo-nos disso: o Senhor ama o seu povo, o Senhor visitou o seu povo, enviou um pastor”.

Para os poloneses, João Paulo é lembrado por ter usado o papado para abalar as bases de um sistema comunista opressor que viria a ruir na Europa onze anos após o começo do seu papado.

Karol Wojtyla é uma das figuras mais importantes do século XX”, disse o presidente polonês Andrzej Duda em uma carta aos fiéis no local mais sagrado da Polônia, o Mosteiro Jasna Gora, em Czestochowa. “O seu magistério e o seu testemunho ainda tocam os corações e as mentes de milhões de pessoas”.

A comunidade judaica da Polônia também lembrou os esforços de João Paulo no sentido da reconciliação entre católicos e judeus, esforço que incluiu um pedido de desculpas pelos séculos de perseguição cristã aos judeus e as primeiras visitas históricas de um papa a sinagogas e a Auschwitz.

“Ele foi um Papa que se distinguiu particularmente por curar feridas e conter o flagelo do antissemitismo”, disse o rabino-chefe da Polônia, Michael Schudrich, em um comunicado em 17 de maio.

O legado de João Paulo II, porém, se viu manchado pelo fracasso havido em abordar a questão dos abusos sexuais na Igreja, fatos bem conhecidos no Vaticano durante seu papado. E essa questão voltou a se fazer presente nas mentes das pessoas nesses últimos dias por causa de um novo documentário que expõe supostos abusos sexuais na Igreja da Polônia.

O filme Playing Hide and Seek (“brincando de esconde-esconde”), dos irmãos Tomasz e Marek Sekielski, lançado on-line em 16 de maio, já foi visto mais de 4 milhões de vezes até a data de 18 de maio.

O filme conta a história de dois irmãos, hoje adultos, que decidem confrontar um padre que teria abusado deles na infância. Na busca por justiça, eles descobrem outras pessoas que teriam sido vítimas do padre, Arkadiusz Hajdasz, mas que também enfrentam uma falta de compaixão e uma falta de ajuda por parte dos líderes eclesiásticos.

Esta produção segue-se a uma exposição documental sobre a pedofilia na poderosa Igreja Católica polonesa feita pelos irmãos Sekielski, lançada no ano passado. Esse filme, Tell No One (“não diga a ninguém”), desencadeou uma busca de almas num país onde não há autoridade superior à Igreja Católica e a seu clero. O filme provocou também um pedido de desculpas por parte de dom Wojciech Polak, arcebispo primaz da Polônia, e levou pelo menos um clérigo a deixar a vida sacerdotal.

Após esse novo filme, Polak, principal autoridade eclesiástica na Polônia, manifestou novamente a sua preocupação e disse que o assunto seria levado ao Vaticano para investigação.

“O filme Playing Hide and Seek, que eu assisti, mostra que os padrões de proteção das crianças e jovens em vigor na Igreja não foram observados”, disse Polak.

Tomasz Sekielski, diretor do filme, disse esperar que os espectadores sintam raiva ao verem o quanto as vítimas de abuso clerical estão “privadas de apoio do Estado e da Igreja”.

Em Roma, para marcar o centenário, Francisco inaugurou um instituto cultural dedicado a João Paulo numa das pontifícias universidades de Roma.

Um dado significativo é que o instituto não se concentra no magistério católico sobre a moralidade sexual, como outros institutos acadêmicos que homenageiam João Paulo costumam fazer. Em consonância com a ideia de Francisco quanto ao papel que as ciências sociais devem desempenhar na educação católica em geral, o novo instituto focaliza a “cultura contemporânea” e inspira-se no “espírito aberto e contemplativo, apaixonado por Deus e pelo ser humano, pela criação, pela história e pela arte”, disse Francisco na carta inaugural.

O Vaticano anunciou também que um novo dia festivo será marcado para a data de 5 de outubro, a ser dedicado à Santa Faustina Kowalska, mística polonesa do século XX a quem João Paulo II era particularmente devoto.

 

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