Organismo Episcopal Pan-Amazônico: canal eficaz para assumir as propostas do Sínodo

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07 Abril 2020

O processo pós-sinodal continua dando seus passos, na tentativa de trazer de volta ao território, aos povos que o habitam, tudo o que foi discutido ao longo do processo sinodal. Se na quinta-feira, 2 de abril, foi lançada a Versão Popular de Querida Amazônia, onde recolhe o conteúdo da Exortação Pós-Sinodal do Papa Francisco e do Documento Final, nesta sexta-feira, dia 3, a Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM , em nome de seu Presidente, o Cardeal Claudio Hummes, enviou uma carta, datada de 1º de abril, na qual são anunciados os passos a serem seguidos nas próximas semanas na criação da novo Organismo Episcopal Pan-Amazônico.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

O cardeal Hummes está ciente da situação que estamos enfrentando, como reconheceu em uma entrevista por telefone, observando que “indica que demorará meses até voltarmos a poder nos reunir em encontros e assembleias presenciais. Por ora só nos comunicamos via internet e outros meios de comunicação social”. Porém, segundo o cardeal, “o processo de aplicação das orientações da Exortação Apostólica Querida Amazônia e do Documento Final do Sínodo no território não deve parar, caso contrário corre-se o risco de fragilizar o processo e diminuir as esperanças das populações do território”. Por esse motivo, ele não hesita em afirmar que “nesse contexto, a constituição do Organismo Episcopal Pan-Amazônico, previsto pelo Sínodo, é urgente, porque este organismo, impulsionará e coordenará no território a aplicação do Sínodo. Estamos agora iniciando esse processo de constituição deste organismo episcopal”.

A carta é baseada no número 115 do Documento Final do Sínodo para a Amazônia, fruto da Assembleia do Sínodo, realizada em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019. Lá foi proposto: “criar um organismo episcopal que promova a sinodalidade entre as Igrejas da região, que ajude a delinear o rosto amazônica desta Igreja e que continue a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora, incorporando especialmente a proposta da ecologia integral, fortalecendo assim a fisionomia da Igreja Amazônica".

O fato desta proposta ter um “permanente e representativo que promova a sinodalidade na região amazônica, articulado com o CELAM, com estrutura própria, em uma organização simples e também articulada com a REPAM”, requer a constituição formal de este novo organismo, um pedido que aparece na carta do cardeal Hummes. O objetivo desta nova instituição eclesial, conforme declarado no número 115 do Documento Final, “pode ser o canal eficaz para assumir, a partir do território da Igreja latino-americana e caribenha, muitas das propostas que surgiram neste Sínodo. Seria o nexo que articula redes e iniciativas eclesiais e socioambientais em nível continental e internacional”.

A carta do Presidente da REPAM chega em um momento de "dor e a incerteza desta pandemia que traz consigo profundos signos da cruz para todo o planeta, mas, sobretudo, para os mais vulneráveis", que exige que "como Igreja, temos que participar com mais força neste momento de crise". Trata-se de "avançar por caminhos concretos que permitam transformar a realidade da Amazônia e libertá-la dos males que a afligem", segundo o cardeal Hummes, referindo-se ao novo organismo, cujo nascimento o coloca dentro de uma "uma fase essencial para dar força e continuidade à tanta vida recebida nas etapas anteriores”.

O novo organismo tem sido desenvolvido por meio de um diálogo entre CELAM, CLAR e Cáritas Latinoamericana e Caribe, bem como com as autoridades do Vaticano, principalmente a Secretaria do Sínodo, e conta com o apoio explícito do Papa Francisco. Na carta, enviada aos presidentes das conferências episcopais das quais a região amazônica faz parte e aos responsáveis pelas organizações e instituições que farão parte do organismo, são colocadas as medidas a serem tomadas nos próximos meses, condicionadas pela crise de a pandemia de COVID-19.

Terão voz neste órgão, um bispo representando cada uma das sete conferências episcopais da região fará parte da assembleia constituinte, com voz e voto, dois no caso do Brasil, dada a sua extensão, bem como a Presidência da REPAM (Cardeais Hummes e Barreto ) e CELAM (Dom Miguel Cabrejos). No caso do Presidente da Cáritas América Latina e Caribe, a Presidenta da CLAR, o Secretário Executivo da REPAM, os representantes das Instâncias do Vaticano (Cardeais Baldisseri, Ouellet, Tagle e Czerny), os três representantes dos povos de origem delegados no Conselho pós-sínodo e dois especialistas (um teólogo da sinodalidade e um jurista canônico), terão só direito a voz.

Isso é algo que o Presidente da REPAM reconhece na entrevista por telefone. Segundo ele, “estamos iniciando este processo de constituição deste organismo com o apoio tanto do Vaticano como das instâncias eclesiais regionais. Por exemplo, as conferências episcopais nacionais dos países envolvidos, a CLAR, o Secretariado Latinoamericano das Caritas, e outros interessados”. Em suas palavras, ele recontou o que foi incluído na carta, dizendo que “estamos iniciando por solicitar que estas conferências episcopais nacionais citadas, após consultar seus bispos amazônicos, indiquem um membro do seu episcopado amazônico para compor o núcleo episcopal desse organismo. O Brasil, pela magnitude de sua região amazônica, indicará dois. A proposta é que este organismo inclua também outros membros que não são bispos, para que tenha também uma característica mais eclesial-sinodal”.

O mais importante, segundo Hummes, algo que ele espera, é “que este organismo não seja apenas uma formalidade, um organismo abstrato, mas seja muito envolvido com as pessoas e comunidades do território, seja comunidades eclesiais, seja comunidades da população local, como as comunidades indígenas”. Para que isso aconteça, o caminho a seguir, insiste o Presidente da REPAM, é que “ser um organismo dinâmico, próximo ao povo, que caminha com o povo, que escute o povo, e com o povo decida as práticas de construir estes novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma ecologia integral ser um organismo dinâmico, próximo ao povo, que caminha com o povo, que escute o povo, e com o povo decida as práticas de construir estes novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma ecologia integral”. Se isso acontecer, esse processo "certamente contribuirá com os sonhos do Papa Francisco, os sonhos de uma Igreja mais sinodal, missionária, misericordiosa, pobre com os pobres, em saída para as periferias. O Sínodo para a Amazônia foi histórico, nenhum sínodo anterior foi tão sinodal e reformador como este”.

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