“Esta Semana Santa, só com o Evangelho”. Artigo de José María Castillo

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03 Abril 2020

"Algo de positivo terá o coronavírus: obrigar a todos nós a pensar seriamente e a fundo no que de mais negativo e escuro tem essa vida", escreve José María Castillo, teólogo espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 29-03-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o artigo.

Estamos nas vésperas da Semana Santa mais vazia de toda minha vida. Uma Semana Santa sem santos, sem confrarias, sem procissões, sem “ofícios” e cerimônias nas igrejas, sem viagens nem férias, sem turistas nem turismos, sem liberdade para sair à rua, sem saúde e com medos, ameaçados por uma economia que cambaleia. E todos com as dúvidas de se os políticos poderão nos tirar da situação penosa que pode nos ameaçar.

O que resta, além dos medos e perigos que nos ameaçam? Às vítimas do coronavírus e suas famílias, sair dessa situação quanto antes. Para outras muitas pessoas, passar esses dias o melhor possível. E a nós que temos crenças religiosas – além do que foi dito – o que nos resta? Aos crentes e a todas as pessoas de boa vontade, nos resta o Evangelho. Que nos explica a razão de ser e o essencial da Semana Santa. Porque – digo com insistência e firmeza – uma Semana Santa, que não considera o Evangelho da Paixão de Jesus, é como um banquete apresentado em pratos elegantes, camareiros de etiqueta e músicas de ninar, porém um banquete no qual não se dá nem um grão cru aos convidados. Ou o que é pior: aproveitar a lembrança da morte de Jesus para passar uma semana de brincadeira, descanso e diversão.

Algo de positivo terá o coronavírus: obrigar a todos nós a pensar seriamente e a fundo no que de mais negativo e escuro tem essa vida.

A traição de Judas, a covardia de Pedro, a condenação à pior morte que já havia sido executada porque passou pela vida fazendo o bem, a ambição dos sumos sacerdotes, que tornaram a casa de oração em uma “cova de bandidos”, a agonia de Jesus, que teve medo da morte e do fracasso, como acontece com todos os mortais, a presença daquelas boas mulheres que estiveram próximas da cruz até que enterraram Jesus... e assim, tantas e tantas coisas nas quais nem pensamos, porque necessitamos alguns dias de descanso e diversão.

Muitas coisas podemos pensar nessa estranha Semana Santa. Eu me atrevo a sugerir, diante de tudo, que pensemos em que “Jesus aceitou a função mais baixa que uma sociedade pode atribuir: a de delinquente executado” (G. Theissen). O que nos vem a dizer que este mundo tem conserto, não porque triunfamos sobre os fracos e nos impomos a eles, mas sim porque temos vontade e resistência por muitos que sejam nossos fracassos.

E é assim como neste mundo, no qual nos parece que Deus está ausente, que se faz verdadeiro o que escreveu Dietrich Bonhoeffer, pouco antes de que o matassem ao final da Segunda Guerra Mundial: “Quando se quer falar de Deus ‘não religiosamente’, é preciso fazer de maneira que não se escamoteie de algum modo a carência de Deus no mundo; muito pelo contrário, devemos colocá-la em manifesto, e assim precisamente como uma luz surpreendente cai sobre o mundo. O mundo adulto é mais sem Deus, e talvez precisamente por essa razão está mais próximo de Deus que o mundo menor de idade” (Carta escrita a um amigo, em 14 de julho de 1944, na prisão de Tegel, Alemanha).

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