Reclusão: as dicas dos monges

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27 Março 2020

Aqui estamos reclusos sozinhos ou com outras pessoas em um espaço fechado para combater a pandemia ligada ao coronavírus. Nossa retirada forçada pode ser semelhante à dos monges e monjas retirados em seus mosteiros. Como se orientar e viver essa situação da melhor maneira? As dicas daqueles que escolheram esta vida.

A reportagem é de Laurence Desjoyaux, publicada por La Vie, 24-03-2020. A tradução é de André Langer.

“Nossa vida não é um confinamento, mas uma ampliação do coração!”, informou imediatamente a irmã Anne-Samuel, monja dominicana de Notre-Dame de Beaufort (Ille-et-Vilaine). “A reclusão é a resposta a um chamado. Permite-nos dar espaço e tempo à busca exclusiva de Deus”, revela a irmã Bénédicte, beneditina da abadia de Notre-Dame-du-Pesquié (Ariège), que retoma a fórmula de Francisco de Sales: “Nós não somos uma companhia de prisioneiros!”.

No entanto, nossa reclusão forçada tem algumas características em comum com a vida dos monges. “Às vezes não saímos do recinto do mosteiro por meses”, relata o irmão Antoine, cisterciense da abadia de Sept-Fons (Allier). E se os religiosos escolheram seu modo de vida, não escolheram seus companheiros de aventura. “Existem em nossa vida elementos de restrição e elementos de escolha que não devem ser contrapostos, explica a irmã Mireille, prioresa da comunidade protestante das Diaconisas de Reuilly, em Versalhes (Yvelines). Se esse tempo de reclusão é restritivo, nós podemos em parte escolher como vivê-lo”. Seguem algumas dicas.

Dica n. 1: Pegar o ritmo

Entre os monges: “No começo, tive a impressão de estar em um trem em movimento, onde nada é deixado ao acaso”, lembra o irmão Antoine. Ofícios, tempo de trabalho, estudo, oração e descanso se encadeiam incansavelmente. “É essencial ter orientações objetivas em relação a horários e a distribuição das tarefas. Isso nos liberta!”, estima a irmã Bénédicte, que compartilha sua vida com outras 46 monjas. Outra virtude de um dia cadenciado: a luta contra o tédio e a melancolia.

Entre nós: Nós podemos começar por definir os horários das refeições e depois definir os intervalos de tempo para o trabalho, a escola, a leitura, o exercício, etc.

Dica n. 2: Redobrar a atenção aos outros

Entre os monges: “Para os noviços, é difícil no começo não ter mais essa pressa nos intercâmbios e nos contatos diretos com a família e os amigos, disse a irmã Mireille. Mas isso leva a transformar as relações, a ser inventivos!”. Soma-se a essa dificuldade, para os jovens que estão acostumados a viajar, a de estar fixo em um lugar. Também aí, a chave está no aprofundamento. “Percebemos que a experiência humana vivida intensamente nos faz tocar o universal melhor do que se tivéssemos viajado por toda a Terra”, disse a irmã Bénédicte. Para se apoiar mutuamente e não sobrecarregar a vida dos outros, o irmão Antoine insiste na importância de ser gentil, sociável e prestativo, mas também na redescoberta daqueles com quem vivemos esse período em particular. “No começo, vemos a fraqueza dos outros, seus defeitos, mas também podemos redescobrir sua riqueza!”

Entre nós: banir as reclamações. Multiplicar as pequenas frases: “Você está bem?”, “Como posso ajudá-lo?” E telefonemos uns para os outros e escrevamos!

Dica n. 3: O silêncio

Entre os monges: O irmão Antoine reconhece: “A vida comunitária pode ser uma provação. Nós a vivemos aos 80 anos: felizmente é em silêncio; caso contrário, seria insuportável!”. Os monges alternam momentos comunitários com momentos sozinhos na cela. “Os momentos juntos são as ligações da caridade em ação. A solidão não é uma ruptura, mas um tempo habitado, em comunhão”, observa a irmã Anne-Samuel.

Entre nós: Reclusos em família, é possível que cada um possa ter um momento em uma peça separada? E se tentássemos, um dia, fazer a refeição em silêncio? Para quem está sozinho, como podemos viver essa solidão e não apenas preenchê-la?

Dica n. 4: Perdoar

Entre os monges: é um hábito pedir perdão, mesmo por coisas benignas. “É a cola da vida comunitária”, explica a irmã Mireille. Quatro noites por semana, as 28 diaconisas de sua comunidade se reúnem para um “círculo de paz”, onde cada uma pode pedir perdão: “Isso dura cinco minutos. Não há explicação, apenas é feita a colocação. Esse encontro desdramatiza o perdão, entrelaça-o com a vida cotidiana e relaxa o coração”.

Em sua regra, São Bento pede a reconciliação antes do pôr do sol. “Às vezes, um sinal claro, um serviço, um sorriso valem mais que longos discursos”, testemunha a irmã Bénédicte. Para a irmã Anne-Samuel, os aborrecimentos epidérmicos também são uma oportunidade para tomar consciência da nossa fragilidade e, portanto, indiretamente, para aceitar melhor a dos outros. “É um exercício de humildade. Essa reclusão nos recorda que somos pequenos, pobres e dependentes! Esta pode ser uma oportunidade para você se colocar no lugar certo”.

Entre nós: O primeiro passo é o mais difícil...

Dica n. 5: Humor!

Entre os monges: “Minha surpresa quando cheguei ao mosteiro foi ver como esses monges que falam pouco podem rir alto”, recorda-se o irmão Antoine. “Também temos que inventar passos laterais que nos permitem elevar o que provavelmente ficaria pesado”, diz a irmã Mireille. Reclusas também, as monjas assistiram, como um escárnio à sua situação, um capítulo do programa Voyage en terre inconnue.

Entre nós: Os reclusos já competem na internet por vídeos ou desenhos animados. Consumir sem moderação!

Dica n. 6: Confiança!

Para todos: À medida que a epidemia se espalha, somos vencidos pela ansiedade. Monges e monjas não são poupados, e alguns deles veem membros da família sendo afetados pelo coronavírus. “Nossa principal alavanca em nossa vida e, especialmente neste momento, é a confiança em Deus, nossa principal ação é confiar Nele”. Para os monges, é o trabalho de uma vida. Nós temos várias semanas para começar...

 

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