Papa pede que presos escrevam textos da Via Sacra: “Uma carícia aos últimos”

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25 Março 2020

“Tempos atrás, trabalhando em outro projeto, eu o fiz ler um texto escrito por um rapaz preso: a escrita, na prisão, é terapia, salvação, para alguns, uma paixão. O papa me olha e diz: ‘Gostaria que, neste ano, vocês me ajudassem a compor a Via Sacra da Sexta-Feira Santa’.”

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 24-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É assim que o Pe. Marco Pozza, teólogo e capelão da Casa de Reclusão Due Palazzi, em Pádua, Itália, relata o momento em que Francisco lhe pediu que fossem os detentos da prisão do Vêneto que escrevessem os textos das meditações, que neste ano serão lidas em um rito que não prevê a participação dos fiéis.

A organização (incluindo o local) ainda está em fase de estudo. A notícia foi dada pelo próprio papa em uma carta endereçada ao jornal Il Mattino di Padova no dia 10 de março. Há uma grande possibilidade de que o rito, no próximo dia 10 de abril, não ocorra no Coliseu, como de costume.

Os detentos escreverão as suas experiências de reclusão provavelmente também se referindo a estes dias difíceis por causa da emergência do coronavírus.

O Pe. Pozza está coletando o material junto com Tatiana Mario, jornalista e voluntária. Os presos de Pádua têm uma ligação direta com o papa. Tanto que, há alguns dias, escreveram a ele e a Mattarella [presidente italiano] pedindo ajuda para a emergência da superlotação.

O L’Osservatore Romano escreveu que Francisco se sentiu partícipe das histórias contadas e, ao mesmo tempo, “irmão de quem errou e de quem aceita se pôr ao lado deles para retomar a subida da montanha”.

Ainda segundo o Pe. Pozza, embora ciente de que “não é simples harmonizar justiça e misericórdia”, no entanto, “onde isso ocorre, o ganho é favorável a toda a sociedade”.

A decisão do papa confirma o estilo de um pastor que se põe atrás do rebanho e se deixa guiar. Em Buenos Aires, Bergoglio frequentemente participava das procissões populares sem aviso prévio e somando-se ao grupo. Em Roma, até certo ponto, ele age da mesma maneira: na Via Sacra assistida em rede mundial, são os detentos que guiam os conteúdos.

A carta escrita pelo papa ao jornal Il Mattino di Padova surpreendeu muitos. O próprio Francisco motivou a escolha de escrever a Paolo Possamai, que dirige o jornal, para lhe fazer chegar, diante do “sofrimento destes dias”, causado pela epidemia da Covid-19, “uma carícia simbólica”. Acima de tudo, comenta o L'Osservatore, uma carícia à “capital europeia do voluntariado em 2020”, em todos os seus componentes: à “sociedade civil” e às “comunidades cristãs” que a habitam, “com os seus sacerdotes e com o bispo”; e, em segundo lugar, estendendo essa “carícia” a todas as outras cidades italianas e de outros países “que compartilham este momento e, simultaneamente, estão dando ao mundo um testemunho de boa vontade”.

Afinal, conta o Pe. Pozza, a Itália experimenta de modo particular “o sofrimento e a morte” por causa do coronavírus, e é por isso que ele pretende manifestar “proximidade humana” e assegurar a sua oração, porque “também nestes momentos Deus está nos falando”.

 

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