As palavras do Papa sobre os líderes populistas: "Causam medo, evocam os anos 1930"

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27 Fevereiro 2020

É quando Francisco levanta o olhar do texto escrito e fala de improviso, que fala as coisas mais interessantes: "Me assusta quando escuto alguns discursos de alguns líderes das novas formas de populismo: parece que estou ouvindo discursos que semeavam medo e ódio já na década de 1930”, considera evocando fascismo e nazismo.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 24-02-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em Bari, é um dia frio e ensolarado, com a permissão do coronavírus, quarenta mil pessoas chegaram para participar da missa no centro, na primeira fila o presidente Sergio Mattarella. Mas, antes da missa, Francisco se encontra na basílica de San Nicola com os 58 bispos e patriarcas de vinte países da região para o encontro sobre o "Mediterrâneo, fronteira de paz". A pouca distância, o "Mare nostrum" brilha, como "lugar físico e espiritual em que tomou forma a nossa civilização, como resultado do encontro de diferentes povos".

Francisco volta a Bari, que já há um ano e meio definia uma "janela aberta para o Oriente Próximo", para recordar o significado desse "mar de raças mistas" que funda a identidade, porque "a pureza das raças não tem futuro", apesar de todo "espírito nacionalista". É "impensável "enfrentar o problema da migração "erguendo muros", disse ele aos bispos: "Estamos cientes de que, em diferentes contextos sociais, circula um sentimento generalizado de indiferença e até de rejeição. Um sentimento de medo abre o caminho, que leva a elevar as próprias defesas diante do que é de forma tendenciosa pintada como uma invasão”. Mas "a retórica do choque de civilizações serve apenas para justificar a violência e alimentar o ódio", pontuou: "A inadimplência ou, de qualquer forma, a fraqueza da política e do sectarismo são causas de radicalismos e terrorismo".

Migrações, pobreza, guerras. Os problemas devem ser resolvidos na raiz. O papa retomou a definição de Giorgio La Pira, tão cara ao cardeal Gualtiero Bassetti, presidente do CEI que organizou o encontro: o Mediterrâneo é "um grande lago de Tiberíades". Hoje a área "está ameaçada por muitos focos de instabilidade e guerra, tanto no Oriente Médio como em vários estados do norte da África, como também entre diferentes grupos étnicos ou grupos religiosos e confessionais; nem podemos esquecer o conflito ainda não resolvido entre israelenses e palestinos, com o perigo de soluções não justas e, portanto, precursoras de novas crises”, uma referência ao plano de Trump.

Na Pacem em Terris, João XXIII dizia que a guerra é "contrária à razão", lembrou Francisco, e disparou: "Em outras palavras, é uma verdadeira loucura, porque é loucura destruir casas, pontes, fábricas, hospitais, matar pessoas e aniquilar recursos em vez de construir relações humanas e econômicas. É uma loucura à qual não podemos nos resignar: a guerra nunca pode ser confundida com normalidade ou aceita como uma via inevitável de regular divergências e interesses contrapostos. Nunca”. Francisco denunciou "o grande pecado da hipocrisia" daqueles países que "em cúpulas internacionais falam de paz e depois vendem armas para os países que estão em guerra". O último apelo, ao Angelus, foi pela "imensa tragédia" da Síria, "para que se silencie o barulho das armas e se ouçam as lágrimas dos pequenos e dos indefesos".

 

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